31 de março de 2013

BIOGRAFIA DO SÉCULO XX - A Espanha rebelde

E há quem fale de "leveza", a propósito de FC:
"De novo custodiados, voltámos a marchar. Na esquina do «ayuntamento», na do edifício dos telefones, em todas as outras negrejavam metralhadoras. E aqui e acolá, nas paredes, alguém que nelas se fora amparando deixara os contornos das suas mãos impressos a sangue, como assinaturas num processo ainda não concluído".  (O Intervalo, cap. V)

29 de março de 2013

e assim começa A VELOCIDADE DA LUZ

Agora levo uma vida falsa, uma vida apócrifa, clandestina e invisível embora mais verdadeira do que se fosse real, mas eu era ainda eu quando conhecia Rodney Falk.

Javier Cercas, A Velocidade da Luz, trad. Helena Pitta, Porto, Edições Asa, 2006.

24 de março de 2013

NO CENTRO DA TEMPESTADE

Ferreira de Castro, desenho de Roberto Nobre, 1925 (do "Guia da Exposição" do Museu Ferreira de Castro)
 
Um romance "diferente" do escritor de Ossela em discussão na COMUNIDADE DE LEITORES DE S. DOMINGOS DE RANA --- quinta-feira, 28 de Março, 21 horas.

 
Descêra, apressadamente, as escadas. «Era verdade, ela saía todas as segundas, quartas e sextas-feiras… Dizia que ia visitar a mãe… Em algumas semanas, até saía mais vezes, com o pretexto de fazer compras ou de ver as amigas… Muitas tardes, quando êle voltava do Banco, ainda ela não havia regressado a casa. «Fui ao Centro, comprar o bacalhau alto de que tu gostas» – dizia-lhe. E êle, tão tolo, a acreditar naquilo! (…)» [FERREIRA DE CASTRO, A Tempestade, Lisboa, Guimarães Editores, 1940, p. 129].
 


22 de março de 2013

DE UM NOVO CONTINENTE, António Quadros

As árvores são sombras das raízes
E os homens são sombras de outras raízes
Mais fundas. Assim, dentro de mim,
Uma sombra cobre todas as luzes e todos os sons
Velando a minha alegria intacta e longínqua
E prometendo o paraíso perdido mas não esquecido.
Imagino o meu céu nos meus limites
E o céu dos outros ainda nos meus limites.
As minhas mãos atravessam o universo misterioso
E tocam as ignotas fontes da poesia e da vida.
O meu olhar, porém, fica comigo e chora
Esse amor de lágrimas e tristezas
Onde, como solitária ilha de coral,
A minha existência espera o nascimento de um novo continente.
Caminhos da Moderna Poesia Portuguesa, edição de Ana Hatherly, Lisboa, Direcção-Geral do Ensino Primário, 1960, p. 72.

(lido na sessão de 1 de Março de 2013)

21 de março de 2013

Dinis Machado, 83

Dinis Machado nasceu em Lisboa, em 21 de Março de 1930.

16 de março de 2013

como um espelho

Há muita gente que bota logo maldade, e as mulheres, coitadas, são como um espelho: qualquer bafo parece que as suja...

Trindade Coelho, «Manuel Maçores», Os Meus Amores (1891), Mem Martins, Publicações Europa-América, 3.ª ed., s.d., p. 204.

8 de março de 2013

Ruy Cinatti, 98


Ruy Cinatti nasceu em Londres, a 8 de Março de 1915.

5 de março de 2013

Edição Incendiária

www.austincreativedepartment.com/

ORLANDO, dois ou três tweets

* Com livros assim, com tanta ponta por onde se pegar, e sem tempo nem engenho para o fazer, cinjo-me a dois ou três tweets a propósito de Orlando -- Uma Biografia, de Virginia Woolf, que debatemos na última sessão do Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro.
* O modernismo da obra, rejeitando as evidências realistas (o romance vitoriano é ironicamente caracterizado);
* Um humor refinadamente impiedoso, um wit muito Grupo de Bloomsbury (ou do imaginário que dele persiste);
* As implicações psicanalíticas do dualismo sexual da personagem central, o Orlando / a Orlando -- cuja dualidade, aliás, parece cingir-se apenas aos órgãos reprodutores;
* A rarefacção do tempo da narrativa, um longo período que vai da época isabelina ao próprio dia em que o livro saiu do prelo, 11 de Outubro de 1928.
* O génio literário de Virginia Woolf, em que a vida ("o que é a Vida?", pergunta-se em várias ocasiões) é literatura; a escrita como apaziguamento de pulsões interiores e conhecimento de si; o estilo precioso, filigranado, rigorosamente medido: «Devemos moldar as nossas palavras até que sejam o mais fino invólucro dos nossos pensamentos.» (p. 123).
* Génio literário que a tradução de Ana Luísa Faria me parece servir exemplarmente, a ponto de ficarmos com a vontade de ir a correr buscar o texto original.