28 de outubro de 2014

de Paul Auster

«Pouco tempo depois do meu regresso a Nova Iorque (Julho de 1974), um amigo contou-me a história seguinte. Ela decorre na Jugoslávia, durante os que iriam ser os últimos meses da Segunda Guerra Mundial.»

Início do fragmento 3 de O Caderno Vermelho, de Paul Auster (1993), tradução de Fátima Freire de Andrade, 8.ª edição, Porto, Edições Asa, 2002, p. 15.
 (lido na sessão de quarta-feira, 22 de Outubro de 2014)

NA CASA DA ACHADA: Dez artistas de que Mário Dionísio falou

Na parte da exposição referente a Cândido Portinari, esta nota em que se fala de Ferreira de Castro:

27 de outubro de 2014

de H. Lopes de Mendonça

«Na açoteia da torre de menagem, Fernão Rodrigues Pacheco, debruçado sobre uma aberta das ameias, medita. O sol nascente banha de radiações leitosas o almafre amolgado e jogueteia nas solhas do laudel. Ouve-se a distância o surdo embate das catapultas de encontro aos muros da vila.»

Início de «A Truta», in 14 Novelas Histórica Portuguesas, Lisboa, Lisboa, Estúdios Cor, 1965, p. 127.
(lido na sessão de quarta-feira, 22 de Outubro de 2014)

24 de outubro de 2014

Ramalho, 178

Ramalho Ortigão nasceu no Porto,
em 24 de Outubro de 1836

17 de outubro de 2014

Prémios Literários Sintrenses

atribuídos pela Câmara Municipal de Sintra entre 1987 - 2008

1987

DIÁLOGO DO VENTO E DO MAR
AUTOR: Guida Fonseca
Prémio Literário Ferreira de Castro, 1987 – Ficção Narrativa

O PORTÃO DAS COLINAS DO NADA– (Poemas da cidade de Londres)
AUTOR: Fernando Cabrita
Prémio Literário Oliva Guerra/1987 – Poesia

OS PAPELINHOS DE GARRETT
AUTOR: Luís Augusto Costa Dias
Prémio Literário Ferreira de Castro, 1987 – Ensaio Literário

1989

ANNO DOMINI 1348
AUTOR: Sérgio Luís de Carvalho
Prémio Literário Ferreira de Castro, 1989 – Ficção Narrativa

ODES DE MITILENE
AUTOR: Orlando Neves
Prémio Literário Oliva Guerra/1989 – Poesia

CONTA-CORRENTE 6 – ENSAIO SOBRE O DIÁRIO DE VERGILIO FERREIRA
AUTOR: Luís Mourão
Prémio Literário Ferreira de Castro, 1989 – Ensaio Literário

1992
A TEIA DE UM SEGREDO
AUTOR: José Jorge Letria
Prémio Literário Ferreira de Castro, 1992 – Literatura Infanto-Juvenil

LES TOURS DU MONDE DE FRADIQUE MENDES: A RODA DA HISTÓRIA E A VOLTA DA MANIVELA
AUTOR: Américo António Lindeza Diogo e Osvaldo Manuel Silvestre
Prémio Literário Ferreira de Castro, 1992 – Ensaio Literário

CAPELA DOS ÓCIOS
AUTOR: José Jorge Letria
Prémio Literário Oliva Guerra, 1992 – Poesia

OS RIOS SOBRE A PAREDE
AUTOR: Hugo Santos
Prémio Literário Oliva Guerra/1992 – Poesia

RAPOSINHA MINHA AMADA
AUTOR: Álvaro Lopes Cardoso
Prémio Literário Ferreira de Castro/1992 – Literatura Infanto-Juvenil

1994
CARTA DE AUSENTES
AUTOR: Hugo Santos
Prémio Literário Oliva Guerra, 1994 – Poesia

1995
A CRIANÇA SUSPENSA
AUTOR: Risoleta Pedro Natálio
Prémio Literário Ferreira de Castro /1995 - Ficção Narrativa

ELOGIO DO CAVALEIRO
AUTOR: Serafim Ferreira
Prémio Literário Ferreira de Castro, 1995 – Ficção Narrativa

CARLOS DE OLIVEIRA – O TESTEMUNHO INADIÁVEL
AUTOR: Silvina Rodrigues Lopes
Prémio Literário Ferreira de Castro,1995 – Ensaio Literário

ELA JOGAVA XADREZ COM A LUA
AUTOR: Natália Bebiano da Providência
Prémio Literário Ferreira de Castro, 1995 – Literatura Infanto-Juvenil

1997

A SIBERIANA
AUTOR: Rui da Costa Lopes
Prémio Literário Ferreira de Castro, 1997 – Ficção Narrativa

O PÁSSARO DO TEMPO
Autor: Natália Bebiano da Providência
Prémio Literário Ferreira de Castro, 1997 – Literatura

1999

AUTOBIOGRAFIA
AUTOR: Rui Miguel Saramago
Prémio Literário Oliva Guerra, 1999

2000
UM TRIÂNGULO NO INFINITO
AUTOR: Teresa Mascarenhas
Prémio Literário de Sintra/Ferreira de Castro, 2000 – Ficção Narrativa

RUBENS E A COMPANHIA DO ESPANTO EM O CASO DA MITRA DESAPARECIDA
AUTOR: Garcia Barreto
Prémio Literário Infanto-Juvenil– Adolfo Simões Muller

2002
O BARCO DE CHOCOLATE
AUTOR: Cristina Norton
Prémio Literário de Sintra, 2002/Adolfo Simões Muller – Literatura Infanto-Juvenil

A NOITE DOS CARANGUEJOS
AUTOR: Ascênsio de Freitas
Prémio Literário de Sintra/Ferreira de Castro, 2002 – Ficção Narrativa

2004
A SIMBÓLICA DA CHUVA NO LIVRO DO DESASSOSSEGO
AUTOR: Maria Luísa Guerra
Prémio Literário Vergílio Ferreira, 2004 – Ensaio Literário

QUANDO AS ESTEVAS ENTRAM NO POEMA
AUTOR: Graça Pires
Prémio Literário Oliva Guerra, 2004 – Poesia

2005
LEILÃO DE PENSAMENTOS
AUTOR: Pedro Ludgero
Prémio Literário de Sintra / Ferreira de Castro, 2005 – Ficção Narrativa

2006

BAZAR ÍNTIMO
AUTOR: António Augusto Menano
Prémio Literário de Sintra/Oliva Guerra, 2006 – Poesia

2008
CONTOS DE JANELA
AUTOR: Eugénio Roda
Prémio Literário Adolfo Simões Muller – Ensaio Literário

DA AUSÊNCIA À PROIBIÇÃO EM O VALE DA PAIXÃO DE LIDÍA JORGE
AUTOR: Maria de Lurdes Trilho
Prémio Literário Vergílio Ferreira, 2008 – Ensaio Literário

DOZE CANTOS DO MUNDO
AUTOR: Amadeu Baptista
Prémio Literário de Sintra –Oliva Guerra /2008 – Poesia

NA VOZ DE UM NOME
AUTOR: Fernando Guimarães
Prémio Literário de Sintra – Ruy Belo/2008 – Obra Poética Publicada

14 de outubro de 2014

de Sarah Adamopoulos

 «Eles vinham em estado de graça, da praia. Bronzeados e em salmoura, saíram do carro e entraram no palácio frio. Que já era tarde, que as portas iam encerrar ao público, disse-lhes a funcionária, visivelmente fatigada., com o olhar num qualquer sítio perto do mar. Que era só aquele grupo de franceses terminarem a visita guiada pela directora do palácio, uma senhora importante, mulher de ex-ministro, amiga de secretários de Estado. Mas só depois dela mostrar aos franceses excursionistas todas as reproduções das peças do espólio do palácio, retratadas pelo pintor, por brilhante ideia e irrecusável encomenda dela-própria.»

Início de «O Palácio da Ajuda», in A Vida Alcatifada, Lisboa, Fenda, 1997, p. 17.

(lido na sessão de quarta-feira, 8 de Outubro de 2014)

13 de outubro de 2014

de Woody Allen

«Desfolhava eu uma revista enquanto esperava que o meu beagle Joseph K. saísse da sua sessão habitual de cinquenta minutos às terças-feiras com um analista de Park Avenue -- um veterinário junguiano que, a cinquenta dólares a sessão, trabalha corajosamente para o convencer que a papada não é uma desvantagem social -- quando topei com uma frase que captou a minha atenção como se fosse um aviso de um cheque sem cobertura.»

Início de «Sim, mas a máquina a vapor é capaz de fazer isto?», in Para Acabar de Vez com a Cultura (ed. original, 1966), tradução de Jorge Laitão Ramos,  4.ª edição, Amadora, Livraria Bertrand, 1981, p. 37.
(lido na sessão de quarta-feira, 9 de Outubro de 2014)



10 de outubro de 2014

BASTAM DUAS LINHAS, E ENTRAMOS NUM CONTINENTE NOVO, NUM LUGAR INÉDITO DO ESPAÇO LITERÁRIO" - Eduardo Prado Coelho




«Hoje o tempo não me enganou. Não se conhece um aragem na tarde. O ar queima como se fosse um bafo quente de lume. e não ar simples de respirar, como se a tarde não quisesse já morrer e começasse aqui a hora do calor. Não há nuvens, há riscos brancos, muito finos, desfiados de nuvens. E o céu, daqui, parece fresco, parece a água limpa de um açude. Penso: talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande debaixo do céu mas em cima dele; talvez a gente veja as coisas ao contrário e a terra seja como um céu e quando a gente morre, quando  a gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu.»


(Início do livro)

Boas leituras!

9 de outubro de 2014

de José Eduardo Agualusa

«Não gosto de aeroportos nem de aviões. Não é que tenha medo de voar. Tenho medo, isso sim, do aparato policial. Por outro lado incomoda-me a ideia de ficar sentado durante seis horas, às vezes mais, junto de um desconhecido.»

Início de «Os Mistérios do Mundo», Fronteiras Pedridas (1999), 5.ª edição, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2009, p.13.

(lido na sessão de quarta-feira, 8 de Outubro de 2014)

8 de outubro de 2014

NO MUSEU FERREIRA DE CASTRO ACONTECEM COISAS MUITO INTERESSANTES (TAMBÉM) ÀS QUARTAS-FEIRAS (18H00-20H00).

Hoje, por exemplo, entre outras boas iguarias, leu-se um conto de 


Eis um pequeno excerto:

"Adrianito, o eremita louco, tocou várias vezes o chocalho de avisos e dirigiu uma arenga a Dominico Fernández, o defensor da baliza de futebol da cidade: o defensor da cidade. 
- Que a cidade também não seja o primeiro túmulo da tua consciência! Olha bem para ela, Dominico Fernández, aí a tens: a cidade está aí, com os seus telhados, o seu sol e os seus choupos; com os seus sinos e os seus fornos de pão; com as suas searas de trigo de paciente lavoura, onde não se pode jogar futebol; com a sua verde veiga feminina e a porta militar que, essa sim, podes - e deves - defender jogando, como jogavam os Gregos nas suas guerras (ainda nobres, atléticas e engenhosas). Desce às portas da tua cidade, Dominico Fernández, e liberta-a das visitas (e até dos olhares) dos forasteiros..."
... ...
"Para que é que bordas pés-de-galo e olhos-de-formiga nas dobras da tua colcha nupcial, Mabelita Smith Catasueiro, se o teu prometido Dominico Fernández, o defensor da cidade, o mais provável é cair morto (ou, pelo menos, ferido) na defesa da cidade? - perguntavam-lhe, cofiando o bigode, as mais gordas e hediondas viúvas...."

do conto Retornelo do Defensor da Cidade ("Onze Contos de Futebol")

7 de outubro de 2014

o saco e o baraço

«Tratam-se com uma familiaridade imensa, cansada, caldeada em quase um século vivido lado a lado. Chamam-se nomes feios que não ofendem: maltês, estraga-albardas, freige-moscas. Acabam estes insultos por ser cumprimentos, segundo me capacito ao ver que nenhum deles reage desabridamente. Quando acontece aproximar-se o tio Domingos já quando o companheiro tem desdobrado a toalha das recordações, costuma o tio Zé das Candeias saudar-lhes a chegada com um imensamente terno "Olá, freguês da limonada!" O tio Domingos salva respeitosamente o adjunto e não se dá por achado. E uma vez ouvi o tio Zé despedir-se dele com um "Deus te dê anos de vida como de palmos tem a formiga!" Amicíssimas hostilidades.»

A. M. Pires Cabral, «O saco e o baraço», O Diabo Veio ao Enterro, Lisboa, Nova Nórdica, 1985, p. 20.
(lido na sessão de quarta-feira, 25 de Setembro de 2014)

directamente do galego


«Tiña eu once anos cando meu pai, que estaba na Arxentina, nos chamou cabo de si; e alá fomos embarcados, a miña nai e mais eu, num paquete alemán. E axiña de arribar a Bos Aires pillamos un tren que corría moito e logo outro tren que corría pouco e dispois un coche da cabalos que nos levou a tombos polo deserto da Pampa. Naquela soedade plantara meu pai unha casa para facerse rico, cavilando sempre nos eidos nativos; i era forza pecha-los ollos ó circio traballo en espera do retorno feliz.»

Alfonso R. Castelao, «O segredo», Retrincos e Un Ollo de Vidro, edição de Manuel Rosales, 2.ª edição, Vigo, Editorail Galaxia, 2002, p. 51
(lido na sessão de quarta-feira, 25 de Setembro de 2014)

Um lugar para os dias

Uma longa carta à pessoa amada, já falecida, que é, simultaneamente, um diário, uma revisitação memorialística e um balanço, com micro-ensaios e reflexões, pequenas narrativas de viagem, poesia -- um livro compósito, enfim, que reflecte os interesses da autora. Pintora de formação, foi na escrita que Irene Lucília Andrade encontrou um lugar para os seus dias, embora a aguda capacidade observadora e descritiva não deixe, creio, de ser tributária dessa aprendizagem de base.
As observações de carácter genericamente político (em especial os relativos aos fenómenos internacionais a que vimos assistindo nos últimos anos) são talvez o menos conseguido desta obra, embora traduzam a impotência do cidadão comum diante do momentoso de que (ainda) só somos testemunhas, em diferido e por vezes em directo; e, nesse especto, constitui um exemplo fidedigno do ambiente geral. O melhor, para mim: as evocações do passado, os pais, a infância, e a descoberta do mundo; e também os vários apontamentos, magníficos, sobre arte, em especial a pintura

1 de outubro de 2014

um parágrafo de Irene Lucília Andrade

«O Natal chegava e depois dele a Páscoa. E era nestas épocas que se operavam os abalos. A morte das galinhas e do peru, a morte do porco, eram acidentes monstruosos que lhe alteravam todo o entendimento do mundo. Ela procurava então o esconderijo amigo das suas sombras predilectas e fechava-se à estridência das azáfamas exteriores, porque o pequeno coração só se abria diante do esplendor das flores e das borboletas, o corpo aconchegava-se ao conforto macio dos brinquedos e os únicos ruído consentidos eram apenas os das suas fantasias.»

Um Lugar para os Dias, Lisboa, Chiado Editora, 2013, p. 105.