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5 de setembro de 2017

A GUERRA NÃO TEM ROSTO DE MULHER - Notas de leitura

- querer devorar o livro, mas, ao contrário de outros que ficam no palato como um vinho bom quando o estilo é superior, ou se debicam continuamente como um petisco num fim de tarde de praia, sem querer nem saber como parar a leitura, querer e não querer que esta acabe, tal a pressão psicológica a que somos sujeitos;

- testemunho indirecto da saga da mulher soviética de armas (e outros artefactos) na mão, enfrentando o invasor germânico, uma miríade de histórias pessoais e contraditórias, tendo por comum pano de fundo a bestialidade da guerra e sofrimento generalizado. Por vezes, uma centelha de humanidade, o milagre da humanidade no meio do inferno que os homens engendram;

- A Guerra não Tem Rosto de Mulher (1985), de Svetlana Alexievich pertence àquela categoria de obras que nos retratam cruamente, como realmente podemos ser em situações-limite. No testemunho pode emparceirar com Se Isto É um Homem (1947), de Primo Levi, ou O Arquipélago Gulag (1973), de Alexander Soljenitsin; em ficção, podemos verificar uma clima opressivo correspondente em narrativas de inspiração autobiográfica, como A Oeste Nada de Novo (1929), de Erich Maria Remarque, ou A Selva (1930), de Ferreira de Castro, ou ainda a desesperança sórdida da Viagem ao Fim da Noite (1932), de Céline;

- forma superior de jornalismo, é já literatura, uma literatura para a História.

22 de abril de 2017

MIGRAÇÕES

No programa das conferências internacionais de ”LISBOA 2017 – Capital Ibero-americana de Cultura” uma alusão ao romance A Selva, a Ferreira de Castro e à sua condição de emigrante na América do Sul. Achei curioso, penso que dá para ler na foto.
 

27 de janeiro de 2015

Ana Margarida de Carvalho fala sobre A SELVA


Ana Margarida de Carvalho estará no Museu Ferreira de Castro esta sexta-feria, 30 de Dezembro, pelas 19 horas, no âmbito da iniciativa «Ler Ferreira de Castro, 40 anos depois». 
1ª edição, 1930
capa: Bernardo Marques

28 de outubro de 2014

28 de novembro de 2013

uma epígrafe de Euclides da Cunha

Realmente, a Amazónia é a última página, ainda a escrever-se, do Génesis.

in Ferreira de Castro, A Selva (1930)

24 de junho de 2013

uma epígrade de de Pinedo


Ficheiro:Francesco De Pinedo.jpg

Ser forçado a descer naquele horror, mesmo que se aterre incólume, é ficar onde se desceu e morrer sepultado na sombra.
Francesco de Pinedo, 2.ª epígrafe de A Selva, de Ferreira de Castro.

7 de janeiro de 2013

Dois ou três lugares-comuns a pretexto duma obra maior

     Gostaria de escrever aprofundadamente sobre este livro de Primo Levi, mas não me é possível. Não posso, por outro lado, deixar de me referir a uma das melhores obras que vieram a debate no Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro.
     Assim, com toda a disposição mas pouco tempo, direi a primeira banalidade: a ficção realista é sempre ultrapassada pela realidade, trate-se de um ambiente concentracionário na floresta amazónica (A Selva, de Ferreira de Castro), uma migração colectiva na América da Grande Depressão (As Vinhas da Ira, de John Steinbeck) ou uma exploração mineira em França (Germinal, de Émile Zola).
Se Isto É um Homem, de 1947, é um relato verídico de um sobrevivente, escrito ao longo de mais de um ano, tão intensamente vivo como profundamente meditado. E, por isso, o horror pôde ser descrito com objectividade, a benefício da narrativa, que não se deixa seduzir pela magnitude do tema (a vivência do próprio autor no infame campo de Auschwitz, até à libertação pelas tropas soviéticas, em Janeiro de 1944), conduzindo a narrativa porventura com uma grandiloquência que só a prejudicaria. Como Levi é um grande escritor, serve o texto com absoluta mestria, num estilo contido e recurso frequente a frases curtas, remates de períodos que nos deixam k.o.
Se Isto É um Homem: a condição simultaneamente trágica e patética do bicho-homem que conhecemos de nós próprios, mas que aqui outrém -- o autor -- revela. E, embora revelando-se, apenas o faz parcialmente, pois o autor/narrador fala de um eu que só em determinados e ocasionais momentos o é, porque do que se trata é a confirmação à outrance, e pelos meios conhecidos, do desiderato dos alemães nesta perseguição insana: a de retirar os judeus da humanidade -- não apenas exterminando-os, mas, naqueles que não eram desde logo executados, esvaziando-os dessa mesma humanidade, como que para comprovar teorias rácicas tão dementes quanto extraordinariamente estúpidas (um racista biológico, quando não for um doido varrido, será sempre um cretino, ignorante e por vezes perigoso).
    

à margem, mas a propósito

Outro lugar-comum, que por o ser não é menos verdadeiro, é o da natureza excepcionalmente maligna do feixe de ideias imbecil e mal cozinhado que foi o nacional socialismo, pior do que o estalinismo, na medida em que este, entre outras coisas, pintava o despotismo com as cores do humanismo (como embuste, talvez nada lhe leve a palma); o nazismo, pelo contrário, não ocultou a sua natureza degeneradamente maligna: a da suposta e absurda existência de uma raça superior, doutras inferiores, e até de uma categoria que estava -- nas cabeças deformadas dos --, abaixo da humanidade e que havia que exterminar, não sem  antes ser sugada, metodicamente, pelo trabalho até à exaustão, com rigor e cultura germânicos.
    

26 de julho de 2011

resenha de 2009 (7)

Ferreira de Castro, A Selva (Julho). Um enorme romance, escrito com a cabeça e com as entranhas. Único na nossa literatura. Um espantoso texto: «Pequena história de "A Selva"».