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19 de outubro de 2017

"verbo áspero"

«[...] a mãe passou a carpir em sua própria língua, puxando um lamento milenar que corre ainda hoje a costa pobre do Mediterrâneo: tinha cal, tinha sal, tinha naquele verbo áspero a dor arenosa do deserto.» Raduan Nassar, Lavoura Arcaica [1975], Lisboa, Companhia das Letras, 2016, p. 170.

22 de setembro de 2017

"Fica mais feio o feio que consente o belo"

«--Não se pode esperar de um prisioneiro que sirva de boa vontade na casa do carcereiro; da mesma forma, pai, de quem amputamos os membros, seria absurdo exigir um abraço de afeto; maior despropósito que isso só mesmo a vileza do aleijão que, na falta das mãos, recorre aos pés para aplaudir o seu algoz; age quem sabe com a paciência proverbial do boi: além do peso da canga, pede que lhe apertem o pescoço entre os canzis. Fica mais feio o feio que consente o belo...»


Raduan Nassar, Lavoura Arcaica [1975], Lisboa, Companhia das Letras, 2016, p. 143. 

26 de abril de 2017

" a tristeza calada do universo "

«[...] incorporei subitamente a tristeza calada do universo [...]»


Raduan Nassar, Lavoura Arcaica [1975], Lisboa, Companhia das Letras, 2016, p. 122.

12 de abril de 2017

"pureza austera"


«O amor, a união e o trabalho de todos nós junto ao pai era uma mensagem de pureza austera guardada em nossos santuários, comungada solenemente em cada dia, fazendo o nosso desjejum matinal e o nosso livro crepuscular; [...]».




Raduan Nassar, Lavoura Arcaica (1975), Lisboa, Companhia das Letras, 2016, p. 23.

5 de abril de 2017

uma epígrafe de Jorge de Lima

«Que culpa temos nós dessa planta
da infância, de sua sedução, de seu viço
e constância?»



(in Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar)