«Ai do cabo-verdiano se não tem aprendido a defender-se por si. Já não existíamos. Quem evitou a emigração para a América, Brasil, Dakar, Argentina, Guiné? Foi o Governo Português? Foi o próprio cabo-verdiano, que descobriu o caminho marítimo para todas essas paragens.» Teixeira de Sousa, Ilhéu de Contenda [1978], Mem Martins, Publicações Europa-América, s.d., p. 261.
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7 de maio de 2019
10 de janeiro de 2019
lestada
«Quando clareou o dia, a lestada já havia amainado. Eusébio saiu a averiguar os estragos do temporal. A verdura que na véspera cobria as achadas, os cutelos, as ribeiras, transformou-se da noite para o amanhecer num emaranhado de hastes e folhas ardidas. O milharal que tanto prometia, as faquetas arremangadas prometendo fartura, encontrava-se agora alastrado no chão, de mistura com as cordas de aboboreira e caules de feijoeiro. As árvores pareciam aves depenadas, os galhos contorcendo-se de desespero. O vento leste queimara tudo.» Teixeira de Sousa, Ilhéu de Contenda [1978], Mem Martins, Publicações Europa-América, s.d., p. 215.
27 de setembro de 2018
o início de ILHÉU DE CONTENDA
«A igreja estava apinhada de gente.» Teixeira de Sousa, Ilhéu de Contenda (1978), Mem Martins, Publicações Europa-América, s.d., p. 13.
4 de setembro de 2018
REGRESSO ÀS... SESSÕES DA CURVA!
"- Aos meus sobrinhos? Àqueles ingratos? Nem um fio de cabelo meu lhes hei-de deixar. As minhas coisas vão todas para a igreja da minha freguesia.
- Ribeira Filipe também? - indagou Felisberto, trémulo de emoção.
Nha Noca não respondeu prontamente. Olhou demoradamente para Felisberto, assoou-se ao trapo roto e depois falou:
- Até o dia de eu fazer o meu testamento, tenho muito que consultar este travesseiro - sorriu-se maternalmente para Felisberto, feito réu à espera da sentença.
Despediu-se precipitadamente da parente idosa com um beijo na testa, desejando-lhe melhoras, melhoras, melhoras, correu à cozinha onde apalpou as nádegas à Guida sabinha, prosseguiu na correria até à escada de saída, que desceu como um «bidão» rolando na calçada do Bocarrão, aos trambolhões por aí abaixo. Quando se apanhou na rua, continuou com a mesma aceleração a caminho de casa, cantando em surdina esta modinha improvisada:
Ribêra Filipi é di mé, é di mé, é di mé mi só. "
Romance-saga, muito bem urdido, retrato fidelíssimo (pelo que conheço) da realidade cabo-verdiana no tempo colonial, em que o racismo, sempre latente, se apresenta, na maior parte das vezes, diluído numa especial forma de paternalismo apoiado na supremacia da raça branca sobre a negra e a mestiça e em que o envolvimento sexual é aceite desde que não frutifique numa "ninhada de netinhos de ventas largas e cabelo cuscuz" (pg. 302)
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