30 de março de 2012
...então é isso
Philip Roth, O Animal Moribundo, tradução de Fernanda Pinto Rodrigues, 2.ª edição, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2006, p. 90.
26 de março de 2012
Historiografia cruel
19 de março de 2012
Philip Roth, 79
8 de março de 2012
um poema de Gastão Cruz
amor
Ninguém pudera corrompê-la tanto
por actos e palavras Estivemos
novamente deitados na aspereza
do seu leito
Um ramo na mão tinhas e quiseste
medi-lo com os lábios e metê-lo
no centro doloroso do teu corpo
Eu via as tuas mãos que procuravam
inseri-lo e guardavam
nas linhas ávidas o seu limite grosso
Interrompeste o
sono magoado do meu corpo
e comigo
dormiste sobre as manchas depois
in Eros de Passagem -- Poesia Erótica Contemporânea, selecção e prefácio de Eugénio de Andrade, Porto, Limiar, 1982, p. 69.
(lido na sessão de 2 de Março)
4 de março de 2012
Eugénio de Castro, 143
3 de março de 2012
Grito Libertário
29 de fevereiro de 2012
Abd el-Krim e a História
28 de fevereiro de 2012
Carlos Malheiro Dias, o romancista, melhor que Carlos Malheiro Dias, o panfletário
Gama, o pirata
Charles Maurras
27 de fevereiro de 2012
aproximava-se o 1.º Centenário de Camilo Castelo Branco
O barão de Wrangel
«Esse palhaço disfarçado de Marte, não deixa extinguir seu ódio ao novo regime russo, não pelo regime em si, mas porque supõe ver nele a encarnação da Liberdade.»
25 de fevereiro de 2012
Ruy Belo, 79
Cesário, 157
24 de fevereiro de 2012
David Mourão-Ferreira 85
22 de fevereiro de 2012
ao encontro de Deus
15 de fevereiro de 2012
JACQUES SADOUL (1881-1956)
SEGREDO, Maria Teresa Horta
vestido
que tiro pela cabeça
nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa
Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço
Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar
nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar
Eros de Passagem -- Poesia Erótica Contemporânea, selecção e prefácio de Eugénio de Andrade, Porto, Limiar, 1982, p. 64.
(lido na sessão de 3 de Fevereiro de 2012)
13 de fevereiro de 2012
PRESÍDIO, David Mourão-Ferreira
Que dizer do pescoço, às vezes mármore,
às vezes linho, lago, tronco de árvore,
nuvem, ou ave, ao tacto sempre pouco...?
E o ventre, inconsistente como lodo?...
E o morno gradeamento dos teus braços?
Não, meu amor... Nem todo o corpo é carne:
é também água, terra, vento, fogo...
É sobretudo sombra à despedida;
onda de pedra em cada reencontro;
no parque da memória o fugidio
vulto da Primavera em pleno Outono...
Nem só de carne é feito este presídio,
pois no teu corpo existe o mundo todo!
Eros de Passagem -- Poesia Erótica Contemporânea, selecção e prefácio de Eugénio de Andrade, Porto, Limiar, 1982, p. 50.
(lido na sessão de 3 de Fevereiro de 2012)
9 de fevereiro de 2012
traços dum lapuz
8 de fevereiro de 2012
Ela canta, pobre ceifeira, Fernando Pessoa
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anónima viuvez,
Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.
Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões p'ra cantar que a vida.
Ah! canta, canta sem razão!
O que em mim sente 'stá pensando.
Derrama no meu coração
A tua incerta voz ondeando!
Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência
Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!
Fernando Pessoa, Cancioneiro
29 de janeiro de 2012
porque gosto tanto do Manuel da Fonseca
26 de janeiro de 2012
mais uma epígrafe, esta de Nietzsche
Biografia (sonetos) de JOSÉ RÉGIO
uma epígrafe de Almeida Garrett
Onde todo o seu mundo se encerra,
Porque aí tem -- o seu bem -- seus amores.
A Adélia, apud Bernal-Francês.
n'Os Meus Amores, de Trindade Coelho
22 de janeiro de 2012
uma epígrafe de Fernando Pessoa
Senhor, Falta cumprir-se Portugal.
Mensagem
n'O Labirinto da Saudade, de Eduardo Lourenço.
Alice Ruiz
19 de janeiro de 2012
Pedro da Fonseca - um escritor desconhecido - homenagem

Professor, por necessidade e vocação, sacerdote, por amor à mãe e singular missão, escritor, por entranhado afeto à pátria / língua portuguesa e necessidade pungente de clamar revoltas, angústias, ideias, solidão e medos, Pedro Inês da Fonseca, aos 93 anos, deixou que lhe entregassem o corpo, à terra, na manhã fria de 27 de Novembro de 2011.
Homem simples, solitário, humilde, mas sensível e conhecedor da vida e da alma humanas, além de artífice, rigoroso, da língua que falamos, foi capaz de nos legar uma obra literária, em 28 volumes, impressos a custas suas (Europress), e mais 42, já publicados e em vias de publicação, em blog criado para o efeito: (http://pedrofonseca1918.blogspot.com). Nas gavetas e estantes, segundo confidência, estará quase outro tanto que o tempo e a saúde lhe não permitiram rever (com visão monocular debilitada pelos anos e esforço, é pena que muitas gralhas de digitação lhe perturbem, muitas vezes, a escrita).
Filhos, assim lhes chamava, com desilusão de não ter tido outros.
Rigoroso na forma, seguidor dos clássicos, insurgiu-se contra os desmandos do linguajar e escrever; três dos seus livros foram batizados “Venha Aprender Português Comigo”.
Conservador, nalgumas questões do mundo e da vida (religião e vocação genuína, educação cívica, morigeração de costumes, homossexualidade…) não hesitou em assumir posições de fronteira, contra o celibato imposto (por antinatural, causador de males sociais e morais, não determinado por Jesus), a educação forçada e não construída na razão (sem respeito pela liberdade de cada ser), a vocação induzida, seja para a vida religiosa, seja para qualquer mister (manancial de infelicidade sem termo)…
Com amor arreigado, à pátria, zurziu os seus vendilhões, de ontem e de hoje.
De uma religiosidade profunda, os seus escritos estão impregnados dos mais puros conceitos, influenciados por algum ecumenismo quando, em África, conviveu, de perto, com várias confissões cristãs.
Sem olvidar o romance (ou novela, como preferia chamar), a sua obra tem como pilares as Memórias (diários d’aquém e d’além mar) e a didática, em vários espaços da vida e do saber, sob o título Consulta da Tarde.
Ao sofrer, na pele, os horrores e humilhações, como refugiado, no sul de Angola e Namíbia, aquando da descolonização, deixou-nos linhas talhadas a sangue, retratos palpitantes de uma época da nossa história, com os erros e virtudes dos mesmos homens que a foram decidindo.
O que fica por dizer, contrariando o meu impulso de antigo aluno e de amigo de há muitos anos! Manda porém o bom senso que me detenha.
Mas, na hora em que o seu coração deixou de bater, impunha-se-me o dever, sentido, deste preito singelo.
JMS
Homenagem prestada na sessão de 6 de janeiro de 2012
16 de janeiro de 2012
POEMA CONFIADO À MEMÓRIA DE NORA MITRANI, Alexandre O'Neill
nos meus joelhos, deixa-me alisar-te,
ó amável bichinho, o pêlo fino;
depois, a contra-pêlo, provocar-te!
Se eu pudesse juntar no mesmo fio
(infinito colar!) cada arrepio
que aos viajeiros comprazidos dedos
fizesse descobrir novos enredos!
Se eu pudesse fechar-te nesta mão,
tecedeira fiel de tantas linhas,
de tanto enredo imaginário, vão,
e incitar alguém: -- Vê se adivinhas...
Então um fértil jogo amor seria.
Não este descerrar a mão vazia!
Lido na sessão de 6 de Janeiro de 2012
15 de janeiro de 2012
flores em la mar
13 de janeiro de 2012
MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA
AINDA OSWALD DE ANDRADE
11 de janeiro de 2012
Oswald de Andrade, 122
10 de janeiro de 2012
POEMA, Mário Cesariny
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco.
Eros de Passagem -- Poesia Erótica Contemporânea, selecção e prefácio de Eugénio de Andrade, Porto, Limiar, 1982, p. 46.
Lido na sessão de 6 de Janeiro
9 de janeiro de 2012
Erro de português, Oswald de Andrade
Drumundana, Alice Ruiz
4 de janeiro de 2012
jovem e medrosa?
1 de janeiro de 2012
Afonso Duarte, 128
31 de dezembro de 2011
para ler em silêncio
José Saramago, As Pequenas Memórias, Lisboa, Editorial Caminho, 2006, p. 129.
(imagem)
30 de dezembro de 2011
29 de dezembro de 2011
idealidades
24 de dezembro de 2011
oh!, o bicho em nós...
imagem daqui
"MISSA DO GALO"
23 de dezembro de 2011
Juan Ramón, 130
14 de dezembro de 2011
um poema de José Gomes Ferreira
(lido na sessão de 7 de Dezembro de 2011)
13 de dezembro de 2011
Agualusa 51
11 de dezembro de 2011
A Corte chega ao Rio de Janeiro
9 de dezembro de 2011
SONETO DE AMOR, José Régio
Nem expressões, nem alma... Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.
Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.
E em duas bocas uma língua..., -- unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.
Depois... -- abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!
Eros de Passagem -- Poesia Erótica Contemporânea, selecção e prefácio de Eugénio de Andrade, Porto, Limiar, 1982, p. 27.
(lido na sessão de 7 de Dezembro de 2011)
8 de dezembro de 2011
Florbela, 107
5 de dezembro de 2011
ROÍ AS UNHAS
Quando as balas zuniam e matavam,
Quando atirei à noite escura
E esperei a morte.
Roí as unhas, transtornado,
Quando os amigos rezavam e choravam,
Quando fazia sutura
À ferida… à sorte.
Quando senti que era nada,
Atirado à noite escura,
P’ra matar.
Roí as unhas, pouco a pouco,
Sentindo a vida, já parada,
Fugindo da carne nua…
Tudo a acabar!
Pensando na mãe, no pai, na terra…
Farrapo ao vento,
A tiritar.
Roí as unhas, destroçado,
Moído de saudades, só, perdido…
Arma de guerra:
Morte a chorar.
Transpirei suores gelados
De febres, agonias, incertezas,
Saudade e medo.
Roí as unhas, comi os dedos,
De olhos abertos, arregalados,
Sentindo, na garganta, presa
A corda do degredo…
Em ânsias de voltar, de reviver…
Reviver… de reviver:
(Eu era a morte, dada e recebida!...)
Roí as unhas, aniquilei-me;
Fiz-me fera… e espantalho…
Matei e morri:
Regressei, morto…
Eu roí as unhas…
Roí as unhas…
4 de dezembro de 2011
Elogio dos clubes de leitura
De valter hugo mãe só lera poesia, três livros, um dos quais, A Cobrição das Filhas, me deixara uma boa impressão. Já tivera dois outros romances dele debaixo de olho, mas a oportunidade nunca se concretizara. Por outro lado, tenho o defeito ou a qualidade de não ler escritores que estejam na crista da onda, como é o caso. Teria várias razões para dar, mas agora não é o momento. O que me importa registar é que se o vhm surfa a onda, fá-lo com muito mérito. A Máquina de Fazer Espanhóis é um grande livro de um não menor escritor, que tem o que dizer e di-lo com substância, e sabe como o fazer, fazendo-o com mestria.
2 de dezembro de 2011
Jaime Ramos e Isaltino de Jesus
Romances Protagonizados por Jaime Ramos e Isaltino de Jesus
- Crime em Ponta Delgada (1989)
- Morte no Estádio (1991)
- Um Crime na Exposição (1998)
- Um Crime Capital (2001)
- Longe de Manaus (2005)
- A Poeira que cai sobre a Terra (2006)
- O Mar em Casablanca (2009)
O Esteves sem Metafisica
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
...
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.
A Tabacaria, Álvaro de Campos, 15-1-1928
24 de novembro de 2011
despojamento
22 de novembro de 2011
grande prosa de altíssimo poeta
16 de novembro de 2011
no país da infância
Saramago, 89
13 de novembro de 2011
fim de festa com panache
8 de novembro de 2011
VOLÚPIA, Florbela Espanca
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frémito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!
A sombra entre a mentira e a verdade...
A nuvem que arrastou o vento norte...
-- Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!
Trago dálias vermelhas no regaço...
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!
E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças...
7 de novembro de 2011
Saramago despista-se
Sem querer ser injusto, partindo do esquema ideológico do autor, de base totalitária e fundamentalmente antiliberal, a denúncia simplista de uma espécie de ditadura democrática carece de base de sustentação, é inaplicável aos velhos estados democráticos e até aos menos velhos, como o nosso. O próprio sobressalto libertário do povo da cidade fica em suspenso (o que talvez não admire, sendo o anarquismo por alguns qualificado como o mais socialista dos liberalismos ou o mais liberal dos socialismos...). É evidente que quotidianamente assistimos a inúmeros entorses à democracia, que todos os estados democráticos cometem acções que extravasam e violam grosseiramente a legalidade (lembremo-nos dos serviços secretos franceses e do barco da GreenPeace; ou do estado espanhol e os GAL...), e que o poder, regra geral, se exerce antes de tudo para ser conservado. Mas o que é inestimável numa sociedade aberta é, entre outras coisas, a livre circulação da informação; e só ela permite que as populações tomem consciência e resistam aos abusos de poder perpetrados pelos governantes. Como dizia o velho Churchill, não há pior sistema que a democracia, à excepção de todos os outros.
No fundo, o que quer Saramago com este livro? Denunciar o sistema? Francamente, é pouco.
6 de novembro de 2011
Sophia, 92
3 de novembro de 2011
O REFERENDO
2 de novembro de 2011
Morte ao Meio-dia, Ruy Belo
à terra vai-se pela estrada em frente
Novembro é quanta cor o céu consente
às casas com que o frio abre a praça
Dezembro vibra vidros brande as folhas
a brisa sopra e corre e varre o adro menos mal
que o mais zeloso varredor municipal
Mas que fazer de toda esta cor azul
que cobre os campos neste meu país do sul?
A gente é previdente tem saúde e assistência cala-se e mais nada
A boca é pra comer e pra trazer fechada
o único caminho é direito ao sol
No meu país não acontece nada
o corpo curva ao peso de uma alma que não sente
Todos temos janela para o mar voltada
o fisco vela e a palavra era para toda a gente
E juntam-se na casa portuguesa
a saudade e o transístor sob o céu azul
A indústria prospera e fazem-se ao abrigo
da velha lei mental pastilhas de mentol
O português paga calado cada prestação
Para banhos de sol nem casa se precisa
E cai-nos sobre os ombros quer a arma quer a sisa
e o colégio do ódio é a patriótica organização
Morre-se a ocidente como o sol à tarde
Cai a sirene sob o sol a pino
Da inspecção do rosto o próprio olhar nos arde
Nesta orla costeira qual de nós foi um dia menino?
Há neste mundo seres para quem
a vida não contém contentamento
E a nação faz um apelo à mãe
atenta a gravidade do momento
O meu país é o que o mar não quer
é o pescador cuspido à praia à luz do dia
pois a areia cresceu e o povo em vão requer
curvado o que de fronte erguida já lhe pertencia
A minha terra é uma grande estrada
que põe a pedra entre o homem e a mulher
O homem vende a vida e verga sob a enxada
O meu país é o que o mar não quer













































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