in Blogtailors - o blogue da edição
17 de julho de 2012
Ray Bradbury inspira novo código de Internet
in Blogtailors - o blogue da edição
11 de julho de 2012
AS ROSAS, Sophia de Mello Breyner Andresen
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.
Um Ramo de Rosas -- Colhidas por José da Cruz Santos na Poesia Portuguesa e Estrangeira, Porto, Modo de Ler, 2010, p. 52
(lido na sessão de 6 de Julho de 2012)
7 de julho de 2012
Carlos Daniel apresenta novo livro
O nosso colega de tertúlia Carlos Daniel vai apresentar o seu novo livro na FNAC DO COLOMBO, no dia 15 de Julho - domingo, pelas 18 horas.
Chama-se " A MORTE DO REI DE ESPANHA" e conta a história de um jovem que vê o seu pai injustamente condenado pelos horrosos crimes de Cádis, ocorridos na década de 80, e que elege o rei de Espanha como alvo da sua vingança.
Fala também do tempo e dos acasos, da paixão e das ilusões de que somos capazes e sobre as quais edificamos a nossa vida.
25 de junho de 2012
George Orwell, 109
24 de junho de 2012
Pedro Oom, 86
18 de junho de 2012
TRINDADE COELHO
Trindade Coelho, 151
14 de junho de 2012
ERGO UMA ROSA..., José Saramago
Como a lua não faz nem o sol pode:
Cobra de luz ardente e enroscada
Ou vento de cabelos que sacode.
Ergo uma rosa, e grito a quantas aves
O céu pontuam de ninhos e de cantos,
Bato no chão a ordem que decide
A união dos demos e dos santos.
Ergo uma rosa, um corpo e um destino
Contra o frio da noite que se atreve,
E da seiva da rosa e do meu sangue
Construo perenidade em vida breve.
Ergo uma rosa, e deixo, e abandono
Quanto me dói de mágoas e assombros.
Ergo uma rosa, sim, e ouço a vida
Neste cantar das aves nos meus ombros.
Um Ramo de Rosas -- Colhidas por José da Cruz Santos na Poesia Portuguesa e Estrangeira, Porto, Modo de Ler, 2010.
(lido na sessão de 1 de Junho de 2012)
13 de junho de 2012
Fernando Pessoa, 124
10 de junho de 2012
Hoje é DIA DE CAMÕES
9 de junho de 2012
José Gomes Ferreira, 112
8 de junho de 2012
SALMO, Paul Celan
ninguém animará pela palavra o nosso pó.
Ninguém.
Louvado sejas, Ninguém.
Por amor de ti queremos
florir.
Em direcção a ti.
Um Nada
fomos, somos continuaremos
a ser, florescendo:
a rosa do Nada, a
de Ninguém.
Com
o estilete claro-de-alma,
o estame ermo-de-céu,
a corola vermelha
da purpúrea palavra que cantámos
sobre, oh sobre
o espinho.
(tradução de Yvette Centeno e João Barrento)
Um Ramo de Rosas -- Colhido por José da Cruz Santos na Poesia Portuguesa e Estrangeira, Porto, Modo de Ler, 2010, p. 40.
(lido na sessão de 1 de Junho de 2012)
5 de junho de 2012
ROSA SEM ESPINHOS, Almeida Garrett
A ninguém mostras rigor!
Que rosa és tu sem espinhos?
Ai, que não te entendo, flor!
Se a borboleta vaidosa
A desdém te vai beijar,
O mais que lhe fazes, rosa,
É sorrir e corar.
E quando a sonsa da abelha,
Tão modesta em seu zumbir,
Te diz: -- Ó rosa vermelha,
Bem me podes acudir:
Deixa do cálice divino
Uma gota só libar...
Deixa, é néctar peregrino,
Mel que eu não sei fabricar...
Tu de lástima rendida,
De maldita compaixão,
Tu à súplica atrevida
Sabes tu dizer que não?
Tanta lástima e carinhos,
Tanto dó, nenhum rigor!
És rosa e não tens espinhos!
Ai, que não te entendo, flor.
4 de junho de 2012
Nótula sobre O RISO DE DEUS, de António Alçada Baptista

24 de maio de 2012
Ferreira de Castro, 114
23 de maio de 2012
Eduardo Lourenço, 89
21 de maio de 2012
ROSAS SEM ESPINHOS, Afonso Lopes Vieira
sem espinhos, que eu de lá trouxe,
murcha, luminosa e doce,
no seu leve aroma diz:
-- Uma vez tentado foi
o Santo pla carne inquieta;
eis que o desejo lhe dói
numa agonia secreta.
E com a sede dos beijos
e dos ardentes carinhos,
arroja o corpo em desejos
às rosas cheias de espinhos!
Mas nós, quando então o temos
no abraço deste rosal,
os espinhos recolhemos
para lhe não fazer mal.
in Um Ramo de Rosas -- Colhidas por José da Cruz Santos na Poesia Portuguesa e Estrangeira, Porto, Mode de Ler, 2010, p. 13.
(lido na sessão de 3 de Abril de 2012)
20 de maio de 2012
Maria Teresa Horta, 75
17 de maio de 2012
Jorge Amado no Museu Ferreira de Castro
10 de maio de 2012
1 de maio de 2012
Maria Bonita, companheira de Lampião, referido em "Capitães da Areia" pela personagem Volta Seca
30 de abril de 2012
Lampião, o herói do Volta Seca, capitão da areia
26 de abril de 2012
SETEMBRO, José Tolentino Mendonça
Nesses dias distantes eu vagueava pelas matas
enchia a espingarda de chumbo e disparava
contra o silêncio das árvores altas
só para assistir ao espectáculo dos pássaros em debandada
experimentava uma exaltação -- de que tenho hoje pudor
perante imagens que partem:
fragmentos rápidos, passagens, segredos que se apagam
nesses dias distantes nem suspeitava
a vida pode ser interminável
o que deixaste abandonado regressa aprende-se depois
quando, por exemplo, a esquecida infância se parece
com certos cães deixados de propósito a muitos quilómetros
que ladram não se percebe como
à porta da velha casa
23 de abril de 2012
patine
18 de abril de 2012
Antero, 170
17 de abril de 2012
BALANÇA DE PALAVRAS, A. M. Pires Cabral
16 de abril de 2012
Caeiro
30 de março de 2012
...então é isso
Philip Roth, O Animal Moribundo, tradução de Fernanda Pinto Rodrigues, 2.ª edição, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 2006, p. 90.
26 de março de 2012
Historiografia cruel
19 de março de 2012
Philip Roth, 79
8 de março de 2012
um poema de Gastão Cruz
amor
Ninguém pudera corrompê-la tanto
por actos e palavras Estivemos
novamente deitados na aspereza
do seu leito
Um ramo na mão tinhas e quiseste
medi-lo com os lábios e metê-lo
no centro doloroso do teu corpo
Eu via as tuas mãos que procuravam
inseri-lo e guardavam
nas linhas ávidas o seu limite grosso
Interrompeste o
sono magoado do meu corpo
e comigo
dormiste sobre as manchas depois
in Eros de Passagem -- Poesia Erótica Contemporânea, selecção e prefácio de Eugénio de Andrade, Porto, Limiar, 1982, p. 69.
(lido na sessão de 2 de Março)
4 de março de 2012
Eugénio de Castro, 143
3 de março de 2012
Grito Libertário
29 de fevereiro de 2012
Abd el-Krim e a História
28 de fevereiro de 2012
Carlos Malheiro Dias, o romancista, melhor que Carlos Malheiro Dias, o panfletário
Gama, o pirata
Charles Maurras
27 de fevereiro de 2012
aproximava-se o 1.º Centenário de Camilo Castelo Branco
O barão de Wrangel
«Esse palhaço disfarçado de Marte, não deixa extinguir seu ódio ao novo regime russo, não pelo regime em si, mas porque supõe ver nele a encarnação da Liberdade.»
25 de fevereiro de 2012
Ruy Belo, 79
Cesário, 157
24 de fevereiro de 2012
David Mourão-Ferreira 85
22 de fevereiro de 2012
ao encontro de Deus
15 de fevereiro de 2012
JACQUES SADOUL (1881-1956)
SEGREDO, Maria Teresa Horta
vestido
que tiro pela cabeça
nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa
Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço
Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar
nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar
Eros de Passagem -- Poesia Erótica Contemporânea, selecção e prefácio de Eugénio de Andrade, Porto, Limiar, 1982, p. 64.
(lido na sessão de 3 de Fevereiro de 2012)
13 de fevereiro de 2012
PRESÍDIO, David Mourão-Ferreira
Que dizer do pescoço, às vezes mármore,
às vezes linho, lago, tronco de árvore,
nuvem, ou ave, ao tacto sempre pouco...?
E o ventre, inconsistente como lodo?...
E o morno gradeamento dos teus braços?
Não, meu amor... Nem todo o corpo é carne:
é também água, terra, vento, fogo...
É sobretudo sombra à despedida;
onda de pedra em cada reencontro;
no parque da memória o fugidio
vulto da Primavera em pleno Outono...
Nem só de carne é feito este presídio,
pois no teu corpo existe o mundo todo!
Eros de Passagem -- Poesia Erótica Contemporânea, selecção e prefácio de Eugénio de Andrade, Porto, Limiar, 1982, p. 50.
(lido na sessão de 3 de Fevereiro de 2012)
9 de fevereiro de 2012
traços dum lapuz
8 de fevereiro de 2012
Ela canta, pobre ceifeira, Fernando Pessoa
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anónima viuvez,
Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.
Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões p'ra cantar que a vida.
Ah! canta, canta sem razão!
O que em mim sente 'stá pensando.
Derrama no meu coração
A tua incerta voz ondeando!
Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência
Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!
Fernando Pessoa, Cancioneiro
29 de janeiro de 2012
porque gosto tanto do Manuel da Fonseca
26 de janeiro de 2012
mais uma epígrafe, esta de Nietzsche
Biografia (sonetos) de JOSÉ RÉGIO
uma epígrafe de Almeida Garrett
Onde todo o seu mundo se encerra,
Porque aí tem -- o seu bem -- seus amores.
A Adélia, apud Bernal-Francês.
n'Os Meus Amores, de Trindade Coelho
22 de janeiro de 2012
uma epígrafe de Fernando Pessoa
Senhor, Falta cumprir-se Portugal.
Mensagem
n'O Labirinto da Saudade, de Eduardo Lourenço.
Alice Ruiz
19 de janeiro de 2012
Pedro da Fonseca - um escritor desconhecido - homenagem

Professor, por necessidade e vocação, sacerdote, por amor à mãe e singular missão, escritor, por entranhado afeto à pátria / língua portuguesa e necessidade pungente de clamar revoltas, angústias, ideias, solidão e medos, Pedro Inês da Fonseca, aos 93 anos, deixou que lhe entregassem o corpo, à terra, na manhã fria de 27 de Novembro de 2011.
Homem simples, solitário, humilde, mas sensível e conhecedor da vida e da alma humanas, além de artífice, rigoroso, da língua que falamos, foi capaz de nos legar uma obra literária, em 28 volumes, impressos a custas suas (Europress), e mais 42, já publicados e em vias de publicação, em blog criado para o efeito: (http://pedrofonseca1918.blogspot.com). Nas gavetas e estantes, segundo confidência, estará quase outro tanto que o tempo e a saúde lhe não permitiram rever (com visão monocular debilitada pelos anos e esforço, é pena que muitas gralhas de digitação lhe perturbem, muitas vezes, a escrita).
Filhos, assim lhes chamava, com desilusão de não ter tido outros.
Rigoroso na forma, seguidor dos clássicos, insurgiu-se contra os desmandos do linguajar e escrever; três dos seus livros foram batizados “Venha Aprender Português Comigo”.
Conservador, nalgumas questões do mundo e da vida (religião e vocação genuína, educação cívica, morigeração de costumes, homossexualidade…) não hesitou em assumir posições de fronteira, contra o celibato imposto (por antinatural, causador de males sociais e morais, não determinado por Jesus), a educação forçada e não construída na razão (sem respeito pela liberdade de cada ser), a vocação induzida, seja para a vida religiosa, seja para qualquer mister (manancial de infelicidade sem termo)…
Com amor arreigado, à pátria, zurziu os seus vendilhões, de ontem e de hoje.
De uma religiosidade profunda, os seus escritos estão impregnados dos mais puros conceitos, influenciados por algum ecumenismo quando, em África, conviveu, de perto, com várias confissões cristãs.
Sem olvidar o romance (ou novela, como preferia chamar), a sua obra tem como pilares as Memórias (diários d’aquém e d’além mar) e a didática, em vários espaços da vida e do saber, sob o título Consulta da Tarde.
Ao sofrer, na pele, os horrores e humilhações, como refugiado, no sul de Angola e Namíbia, aquando da descolonização, deixou-nos linhas talhadas a sangue, retratos palpitantes de uma época da nossa história, com os erros e virtudes dos mesmos homens que a foram decidindo.
O que fica por dizer, contrariando o meu impulso de antigo aluno e de amigo de há muitos anos! Manda porém o bom senso que me detenha.
Mas, na hora em que o seu coração deixou de bater, impunha-se-me o dever, sentido, deste preito singelo.
JMS
Homenagem prestada na sessão de 6 de janeiro de 2012
16 de janeiro de 2012
POEMA CONFIADO À MEMÓRIA DE NORA MITRANI, Alexandre O'Neill
nos meus joelhos, deixa-me alisar-te,
ó amável bichinho, o pêlo fino;
depois, a contra-pêlo, provocar-te!
Se eu pudesse juntar no mesmo fio
(infinito colar!) cada arrepio
que aos viajeiros comprazidos dedos
fizesse descobrir novos enredos!
Se eu pudesse fechar-te nesta mão,
tecedeira fiel de tantas linhas,
de tanto enredo imaginário, vão,
e incitar alguém: -- Vê se adivinhas...
Então um fértil jogo amor seria.
Não este descerrar a mão vazia!
Lido na sessão de 6 de Janeiro de 2012
15 de janeiro de 2012
flores em la mar
13 de janeiro de 2012
MUSEU DA LÍNGUA PORTUGUESA
AINDA OSWALD DE ANDRADE
11 de janeiro de 2012
Oswald de Andrade, 122
10 de janeiro de 2012
POEMA, Mário Cesariny
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco.
Eros de Passagem -- Poesia Erótica Contemporânea, selecção e prefácio de Eugénio de Andrade, Porto, Limiar, 1982, p. 46.
Lido na sessão de 6 de Janeiro











































