UMA PÁGINA...
"Correu o rumor de que os alemães tinham trazido à vila os nossos prisioneiros e quem reconhecesse os seus poderia levá-los. As nossas mulheres levantaram-se, correram para lá! À noite, umas trouxeram os seus, e outras trouxeram estranhos, contaram coisas inacreditáveis: as pessoas apodreciam vivas, morriam de fome, comeram todas as folhas das árvores... Comiam erva... Cavavam raízes... No dia seguinte, corri para lá também, não encontrei nenhum familiar, pensei que podia salvar o filho de alguém. Reparei num moreninho. Chamava-se Schakó, como agora o meu netinho. Tinha uns dezoito anos... Dei a um alemão toucinho e ovos, jurei: «É o meu irmão.» Fiz sinais da cruz. Chegámos a casa, ele não era capaz de comer um ovo, tão fraco estava. Não passou um mês sequer de estar connosco, apareceu um canalha. Vivia como outros, era casado, com dois filhos... Foi ao comando alemão e denunciou-nos, que tínhamos trazido gente estranha. No dia seguinte, os alemães vieram de moto. Suplicámos, caímos de joelhos, mas eles enganaram-nos, disseram que iam levá-los para mais perto das suas casas. Dei ao Schakó o fato do meu avô... Pensava que ele iria viver...
Levaram-nos para fora da aldeia... E abateram-nos a tiros de pistola metralhadora... Todos. Todinhos... Eram jovens, bonitos!"
A GUERRA NÃO TEM ROSTO DE MULHER, pg. 324-325
(A escritora (ou a testemunha) chamou canalha ao delator. É pouco. Ando aqui à procura de palavra mais adequada... Talvez não haja. Os inventores da língua talvez não tivessem conhecido malvadez tamanha...)
31 de agosto de 2017
30 de agosto de 2017
uma epígrafe de Óssip Mandelstam,
a abrir os «Excertos do diário» de A Guerra não Tem Nome de Mulher (1985), de Svetlana Alexievich:
Milhões de mortos ao desbarato
Trilharam o seu caminho nas trevas...
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21 de julho de 2017
27 de junho de 2017
25 de junho de 2017
21 de junho de 2017
13 de junho de 2017
2 de junho de 2017
31 de maio de 2017
V ENCONTROS FERREIRA DE CASTRO - OSSELA E BARALHAS, 26 E 27 DE MAIO
«De regresso à estrada, vê-se, logo adiante das Baralhas, um panorama surpreendente. É o vale de Cambra. Quase ignorado até há pouco, a sua beleza ganha, dia a dia, maior renome. (...) O espectáculo imponente pode-se contemplar da estr., onde existe um miradoiro próprio.» -- GUIA DE PORTUGAL, 3º volume, Beira e Beira Litoral; Fundação Calouste Gulbenkian, 1993, pp. 609 e 610, texto de Ferreira de Castro. -- Sábado, 27 de Maio, os participantes no miradoiro das Baralhas.
24 de maio de 2017
18 de maio de 2017
15 de maio de 2017
O Misterioso embrulho das "cartas femininas" -- "Dizer o indizível no Museu Ferreira de Castro"
«O misterioso embrulho das "cartas femininas", a abrir em 2050 - Dizer o indizível no Museu Ferreira de Castro»
http://w3.patrimoniocultural.pt/museus2017/public/view.php?id=782
Dia 18 de maio, 5.ª feira, pelas 18 horas.
http://w3.patrimoniocultural.pt/museus2017/public/view.php?id=782
Dia 18 de maio, 5.ª feira, pelas 18 horas.
13 de maio de 2017
12 de maio de 2017
10 de maio de 2017
8 de maio de 2017
Sobre a Inveja de Zuenir Ventura
Desta feita, a leitura do mês é já uma antiga conhecida… há
10 anos. (Parece-me numa outra vida.) Na altura, estava empenhada em
ler toda a coleção
Planos Pecados da editora brasileira Objetiva… hoje continuo com a
mesma contabilidade de leitura.
No entanto, este foi um daqueles livros que contribuiu para uma transformação
pessoal, talvez quase imperceptível, pelo menos para os outros. Ao acompanhar
as pesquisas e reflexões apresentadas pelos autor, fui percebendo como a mesma
agia e, como tal, percebi como minava alguma das minhas re(l)ações, o que me
deu uma base para agir e introduzir algumas (pequenas) alterações no modo como
lido/lidava com certas pessoas e situações. Sintetizei algumas dessas
aprendizagens desta forma:
- A inveja é o mais inconfessável dos pecados e realça as características mais vis das pessoas. Enquanto todos os outros pecados são contra uma virtude, ela é contra toda virtude.
- A inveja necessita sempre de pelo menos dois indivíduos com uma relação de desigualdade e o invejoso é sempre aquele que se sente prejudicado. Ela é socialmente útil, pois controla a vaidade e o orgulho; além disso, estimula a inovação, impedindo a acomodação, reduzindo o desequilibro entre os indivíduos. Só se inveja quando se está triste e a quem está perto. A sua base é a busca do poder: a mais-valia; mas o que mais desperta é a impotência: ficar passivo, olhando, se corroendo por dentro. Muitas das vezes é a projecção nos outros da malícia que na verdade está dentro de nós.
- A inveja é mais azeda entre as mulheres por causa de uma vivência de privação. Elas têm de lutar mais, ter mais talento, mais competência. A maioria das coisas invejadas pertence à esfera do narcisismo: beleza, juventude, honra, glória, fama, poder, coisas tangíveis mas que se podem perder facilmente.
- A inveja é a exploração de nosso campo magnético por outra pessoa e está sempre associada ao olhar, ao mau-olhado. E a inocência não serve para proteger. Mascara-se muitas vezes sob a forma de elogio, que é sempre recebido com reservas, porque se teme que ele funcione como mau agouro. Ninguém elogia com boas intenções.
- A inveja tem sempre uma energia negativa e não há diferenciação entre boa e má inveja: destrói e corrói sempre.
Espero que apreciem esta leitura. Eu vou fazer o exercício de
ler o livro 10 anos depois.
J
7 de maio de 2017
5 de maio de 2017
Novelas Gráficas
Etiquetas:
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3 de maio de 2017
os olhos ilegais
«Ele recomeçou o andamento, mas os seus olhos volviam, teimosos, ilegais, à fachada e á praça, como ao horizonte onde se espera que uma terra se defina sob o nevoeiro do litoral.»
Ferreira de Castro, A Experiência [1954], 11.ª ed., Lisboa, Cavalo de Ferro, 2014, p. 10.
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