«A igreja estava apinhada de gente.» Teixeira de Sousa, Ilhéu de Contenda (1978), Mem Martins, Publicações Europa-América, s.d., p. 13.
27 de setembro de 2018
25 de setembro de 2018
raio X
«Quem lhe dera perder a visão de raio X que em tempos tanto invejou! Se ao menos fosse como o Super-Homem, que na presença de Lois Lane se tornava um ser normal!» Carlos Querido, «Real bodies«, Insanus, Lisboa, Abysmo, 2017, p. 68
21 de setembro de 2018
o início de OS DESPOJOS DO DIA
«Parece cada vez mais provável que empreenderei, realmente, a excursão que há alguns dias anda a preocupar a minha imaginação.» Kazuo Ishiguro, Os Despojos do Dia [1989] , trad. Fernanda Pinto Rodrigues, Lisboa, Gradiva, 1991, p. 7.
12 de setembro de 2018
"o barómetro dos acontecimentos"
«O dr. Teófilo era, obviamente, o fiel da balança, o barómetro dos acontecimentos: "Nem germanófilo nem anglófilo; português de bem ao serviço do interesse nacional", esclarecia, instalado na terra de ninguém.» Álvaro Guerra , Café República[1982], 3.ª ed., Lisboa, O Jornal, 1984, p. 28.
10 de setembro de 2018
8 de setembro de 2018
LINHAS ENTRE NÓS em segunda edição
Três anos passados sobre o lançamento de LINHAS ENTRE NÓS, do confrade J.
A. Marcos Serra, e há muito esgotada a parte da edição destinada ao público, decidiu-se
o autor por uma reedição, revista e aditada, desta vez em formato digital, assumida
pela Bibliotrónica Portuguesa, plataforma no âmbito da Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa, que criou nova capa, em conformidade com os seus critérios editoriais, e adaptou a paginação à leitura em suporte digital.
Convida-se, pois, o leitor, a descarregar, ler ou imprimir livremente,
desde que sem fins comerciais, e mesmo a enviar a “ligação” a amigos que gostem
de ler nos novos suportes. Aqui fica:
https://bibliotronicaportuguesa.pt/wp-content/uploads/2018/07/Marcos_Serra_Linhas_Entre_Nos_2ed_.pdf
Se tiver interesse em conhecer melhor a Bibliotrónica e a forma como
apresentam os livros que reeditam, editam e disponibilizam, ficará surpreendido
com o tamanho e riqueza da preciosidade que colocam ao seu dispor.
Deixo a apresentação da reedição:
Novo artigo em Bibliotrónica
Portuguesa
|
|
Etiquetas:
Afonso Costa,
Bibliotrónica Portuguesa,
J. A. Marcos Serra,
Linhas Entre Nós,
Manteigas,
Penhas Douradas,
Sameiro,
Santa Maria,
são lourenço,
São Pedro,
Serra da Estrela,
Vale de Amoreira,
Viriato
4 de setembro de 2018
REGRESSO ÀS... SESSÕES DA CURVA!
"- Aos meus sobrinhos? Àqueles ingratos? Nem um fio de cabelo meu lhes hei-de deixar. As minhas coisas vão todas para a igreja da minha freguesia.
- Ribeira Filipe também? - indagou Felisberto, trémulo de emoção.
Nha Noca não respondeu prontamente. Olhou demoradamente para Felisberto, assoou-se ao trapo roto e depois falou:
- Até o dia de eu fazer o meu testamento, tenho muito que consultar este travesseiro - sorriu-se maternalmente para Felisberto, feito réu à espera da sentença.
Despediu-se precipitadamente da parente idosa com um beijo na testa, desejando-lhe melhoras, melhoras, melhoras, correu à cozinha onde apalpou as nádegas à Guida sabinha, prosseguiu na correria até à escada de saída, que desceu como um «bidão» rolando na calçada do Bocarrão, aos trambolhões por aí abaixo. Quando se apanhou na rua, continuou com a mesma aceleração a caminho de casa, cantando em surdina esta modinha improvisada:
Ribêra Filipi é di mé, é di mé, é di mé mi só. "
Romance-saga, muito bem urdido, retrato fidelíssimo (pelo que conheço) da realidade cabo-verdiana no tempo colonial, em que o racismo, sempre latente, se apresenta, na maior parte das vezes, diluído numa especial forma de paternalismo apoiado na supremacia da raça branca sobre a negra e a mestiça e em que o envolvimento sexual é aceite desde que não frutifique numa "ninhada de netinhos de ventas largas e cabelo cuscuz" (pg. 302)
26 de julho de 2018
capas
a edição da Livros do Brasil, ilustrada por Bernardo marques,
de Platero e Eu, de Juan Ramón Jiménez
24 de julho de 2018
"o rigor e o prazer da palavra"
«Escrevo esta História ao rés da fala. Sem dalmática, questiono. Não sigo o cânone. Persigo o rigor e o prazer da palavra.» António Borges Coelho, Donde Viemos -- História de Portugal I [2010], 2.ª ed., Lisboa, Editorial Caminho, 2015, p. 11.
20 de julho de 2018
a vigília da razão
«Vendo-a adormecida, neutra, Cecília pareceu-lhe menos odiosa. Dir-se-ia que a sua vida era protegida pela sua própria incapacidade de defender-se.» Ferreira de Castro, A Tempestade [1940], 16.ªed., Lisboa, Cavalo de Ferro, 2017, p. 11.
17 de julho de 2018
13 de julho de 2018
11 de julho de 2018
meu lindo Agosto
«Este é o país que nasce e morre em Agosto, ao ritmo das visitas dos emigrantes.» Ricardo J. Rodrigues, Malditos -- Histórias de Homens e de Lobos, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2014, p. 37.
3 de julho de 2018
de PRAÇA DA CANÇÃO (Manuel Alegre)
APRESENTAÇÃO
Cantar não é talvez suficiente.
Cantar não é talvez suficiente.
Não porque não acendam de repente as noites
tuas palavras irmãs do fogo
mas só porque as palavras são
apenas chama e vento.
E contudo canção
só cantando por vezes se resiste
só cantando se pode incomodar
quem à vileza do silêncio nos obriga.
Eu venho incomodar.
Trago palavras como bofetadas
e é inútil mandarem-me calar
porque a minha canção não fica no papel.
Eu venho tocar os sinos.
Planto espadas
e transformo destinos.
Os homens ouvem-me cantar
e a pele
dos homens fica arrepiada.
E depois é madrugada
dentro dos homens onde ponho
uma espingarda e um sonho.
E é inútil mandarem-me calar.
De certo modo sou um guerrilheiro
que traz a tiracolo
uma espingarda carregada de poemas
ou se preferem sou um marinheiro
que traz o mar ao colo
e meteu um navio pela terra dentro
e pendurou depois no vento
uma canção.
Já disse: planto espadas
e transformo destinos.
E para isso basta-me tocar os sinos
que cada homem tem no coração.
25 de junho de 2018
12+12=12 - uma lista (im)possível, válida para agora
Fazer listas é-me tão agradável quanto insatisfatório, pelo que se deixa para trás. Remorsos.
No caso dum clube de leitura em que se participou em todas as sessões, vários, muitos, foram os livros já lidos, e mesmo relidos, noutras ocasiões. Noutros tantos casos -- provavelmente a maioria --, a leitura tornou-se revelação, pelo primeiro contacto com o texto, e por vezes com o próprio autor dele.
Estas evidências, características dum clube de leitura, suscitaram-me a seguinte reflexão: neste tipo de avaliações, mesmo (ou sempre) subjectivas, os livros não estão em igualdade de circunstâncias, pois se nunca somos a mesma pessoa -- o mesmo leitor -- que agora lê o outrora já lido, uma coisa é conhecer, outra lembrar. Daí que, fazendo batota, tenha resolvido furar o esquema, e escolher os doze livros de que mais gostei, mas que já lera noutras ocasiões; e os doze livros cuja leitura fiz pela primeira vez no âmbito do Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro. E no fim, cruciado, fazer uma síntese das duas listas numa terceira.
A este drama pungente soma-se outra dificuldade: comecei por pensar não incluir mais do que uma obra por autor, mas tal opção iria prejudicar a minha avaliação relativamente aos livros do Ferreira de Castro, meu patrono (meu patrão), que assinou três dos romances que mais gostei ler na minha vida (e ainda uma novela), não contando com a importância histórica e literária que tiveram e têm na novelística portuguesa do século XX. Deixarei, porém, de fora esses critérios, credores dum cabedal demonstrativo -- se necessário fosse para os livros em causa -- e eventualmente argumentativo, que seria descabido neste blogue.
Chega de conversa, não sem antes rematar informando que a ordem é unicamente a da data da primeira edição de cada título, e que a lista é válida para hoje. Amanhã (ou para a semana), poderia ser diferente...
Lista 1. 12 livros já lidos noutras ocasiões:
Lista 2. 12 livros lidos pela primeira vez no Clube de Leitura:
Lista 3. a lista impossível.
Assim,
Lista 1
1- O Livro de Cesário Verde (1887)
2- Húmus (1917), de Raul Brandão
3- O Malhadinhas (1922), de Aquilino Ribeiro
4- Emigrantes (1928), de Ferreira de Castro
5- A Selva (1930), de Ferreira de Castro
6- Vinte e Quatro Horas da Vida de uma Mulher (1935), de Stefan Zweig
7- Bichos (1940), de Miguel Torga
8- A Lã e a Neve (1947), de Ferreira de Castro
9- Barranco de Cegos (1961), de Alves Redol
10- O que Diz Molero (1977), de Dinis Machado
11- Na Patagónia (1977), de Bruce Chatwin
12- As Primeiras Coisas (2013), de Bruno Vieira Amaral
Lista 2
1- Nossa Senhora de Paris (1831), de Victor Hugo
2- As Pupilas do Senhor Reitor (1867), de Júlio Dinis
3- Platero e Eu (1914), de Juan Ramón Jiménez
4- Se Isto É um Homem (1947), de Primo Levi
5- Contos Exemplares (1962), de Sophia de Mello Breyner Andresen
6- Lavoura Arcaica (1974), de Raduan Nassar
7- A Guerra não Tem Rosto de Mulher (1985), de Svetlana Alexievich
8- Gente Feliz com Lágrimas (1988), de João de Melo
9- O Deus das Pequenas Coisas (1997), de Arundhati Roy
10- Império à Deriva (2004), de Patrick Wilcken
11- A Arte de Voar (2009) de Antonio Altarriba & Kim
12- Entre o Céu e a Terra (2012), de Rui Chafes
a lista impossível
1- O Livro de Cesário Verde (Outubro de 2009)
2- Platero e Eu (Junho de 2008)
3- Húmus (Julho de 2012)
4- O Malhadinhas(Junho de 2013)
5- Emigrantes (Maio de 2008)
6- A Selva (Julho de 2009)
7 - A Lã e a Neve (Fevereiro de 2014)
8 - Se Isto É um Homem (Janeiro de 2013)
9- Barranco de Cegos (Junho de 2014)
10- O Amor nos Tempos de Cólera (1985) (Março de 2014)
11- A Guerra não tem Rosto de Mulher (Setembro de 2017)
12- Gente Feliz com Lágrimas, João de Melo (Setembro de 2015)
No caso dum clube de leitura em que se participou em todas as sessões, vários, muitos, foram os livros já lidos, e mesmo relidos, noutras ocasiões. Noutros tantos casos -- provavelmente a maioria --, a leitura tornou-se revelação, pelo primeiro contacto com o texto, e por vezes com o próprio autor dele.
Estas evidências, características dum clube de leitura, suscitaram-me a seguinte reflexão: neste tipo de avaliações, mesmo (ou sempre) subjectivas, os livros não estão em igualdade de circunstâncias, pois se nunca somos a mesma pessoa -- o mesmo leitor -- que agora lê o outrora já lido, uma coisa é conhecer, outra lembrar. Daí que, fazendo batota, tenha resolvido furar o esquema, e escolher os doze livros de que mais gostei, mas que já lera noutras ocasiões; e os doze livros cuja leitura fiz pela primeira vez no âmbito do Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro. E no fim, cruciado, fazer uma síntese das duas listas numa terceira.
A este drama pungente soma-se outra dificuldade: comecei por pensar não incluir mais do que uma obra por autor, mas tal opção iria prejudicar a minha avaliação relativamente aos livros do Ferreira de Castro, meu patrono (meu patrão), que assinou três dos romances que mais gostei ler na minha vida (e ainda uma novela), não contando com a importância histórica e literária que tiveram e têm na novelística portuguesa do século XX. Deixarei, porém, de fora esses critérios, credores dum cabedal demonstrativo -- se necessário fosse para os livros em causa -- e eventualmente argumentativo, que seria descabido neste blogue.
Chega de conversa, não sem antes rematar informando que a ordem é unicamente a da data da primeira edição de cada título, e que a lista é válida para hoje. Amanhã (ou para a semana), poderia ser diferente...
Lista 1. 12 livros já lidos noutras ocasiões:
Lista 2. 12 livros lidos pela primeira vez no Clube de Leitura:
Lista 3. a lista impossível.
Assim,
Lista 1
1- O Livro de Cesário Verde (1887)
2- Húmus (1917), de Raul Brandão
3- O Malhadinhas (1922), de Aquilino Ribeiro
4- Emigrantes (1928), de Ferreira de Castro
5- A Selva (1930), de Ferreira de Castro
6- Vinte e Quatro Horas da Vida de uma Mulher (1935), de Stefan Zweig
7- Bichos (1940), de Miguel Torga
8- A Lã e a Neve (1947), de Ferreira de Castro
9- Barranco de Cegos (1961), de Alves Redol
10- O que Diz Molero (1977), de Dinis Machado
11- Na Patagónia (1977), de Bruce Chatwin
12- As Primeiras Coisas (2013), de Bruno Vieira Amaral
Lista 2
1- Nossa Senhora de Paris (1831), de Victor Hugo
2- As Pupilas do Senhor Reitor (1867), de Júlio Dinis
3- Platero e Eu (1914), de Juan Ramón Jiménez
4- Se Isto É um Homem (1947), de Primo Levi
5- Contos Exemplares (1962), de Sophia de Mello Breyner Andresen
6- Lavoura Arcaica (1974), de Raduan Nassar
7- A Guerra não Tem Rosto de Mulher (1985), de Svetlana Alexievich
8- Gente Feliz com Lágrimas (1988), de João de Melo
9- O Deus das Pequenas Coisas (1997), de Arundhati Roy
10- Império à Deriva (2004), de Patrick Wilcken
11- A Arte de Voar (2009) de Antonio Altarriba & Kim
12- Entre o Céu e a Terra (2012), de Rui Chafes
a lista impossível
1- O Livro de Cesário Verde (Outubro de 2009)
2- Platero e Eu (Junho de 2008)
3- Húmus (Julho de 2012)
4- O Malhadinhas(Junho de 2013)
5- Emigrantes (Maio de 2008)
6- A Selva (Julho de 2009)
7 - A Lã e a Neve (Fevereiro de 2014)
8 - Se Isto É um Homem (Janeiro de 2013)
9- Barranco de Cegos (Junho de 2014)
10- O Amor nos Tempos de Cólera (1985) (Março de 2014)
11- A Guerra não tem Rosto de Mulher (Setembro de 2017)
12- Gente Feliz com Lágrimas, João de Melo (Setembro de 2015)
Etiquetas:
Alves Redol,
Aquilino Ribeiro,
Cesário Verde,
Ferreira de Castro,
Gabriel García Márquez,
João de Melo,
Juan Ramón Jiménez,
listas,
Primo Levi,
Raul Brandão,
Svetlana Alexievich
24 de junho de 2018
Como nasce um Clube de Leitura
Que tem o cinema a ver com um Clube de Leitura?
Fui ver um filme inglês que nos conta a história de como nasceu um, durante a II Grande Guerra.
O título? (Pasmem!) "Guernsey - A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata". Assim mesmo!
Imperdível? Não ficaremos com carências intelectuais se não virmos, mas a história, por causa do tema, pode dizer-nos um bocado mais do que aos restantes mortais que não leem.
Gostei da história, principalmente pela originalidade: fica a confissão.
E fiquei ainda mais agradado, quando, na ficha técnica, descobri um Bruno Martins como eletricista principal e um Tiago Faria noutra função com designação inglesa, que me escapou.
E agora (influência dos tempos e da sociedade) vou pedir uma comissão ao distribuidor (de que não fixei o nome).
Fui ver um filme inglês que nos conta a história de como nasceu um, durante a II Grande Guerra.
O título? (Pasmem!) "Guernsey - A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata". Assim mesmo!
Imperdível? Não ficaremos com carências intelectuais se não virmos, mas a história, por causa do tema, pode dizer-nos um bocado mais do que aos restantes mortais que não leem.
Gostei da história, principalmente pela originalidade: fica a confissão.
E fiquei ainda mais agradado, quando, na ficha técnica, descobri um Bruno Martins como eletricista principal e um Tiago Faria noutra função com designação inglesa, que me escapou.
E agora (influência dos tempos e da sociedade) vou pedir uma comissão ao distribuidor (de que não fixei o nome).
Etiquetas:
A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata,
cinema,
Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro,
Guernsey,
J. A. Marcos Serra
20 de junho de 2018
Juan, Zenobia, Platero e Eu
Na senda de Cristóvão Colon, rumei a Moguer. Objetivo principal? O Mosteiro de Santa Clara, ligado à história do navegador, bastante provavelmente, português.
Mas - palavra tão pequena, quão tramada - descubro que Juan Ramón Jiménez nascera ali, e havia Casa-Museu a convidar para visita. Despromovi CC para segunda prioridade, e rumámos à casa do escritor, dedicada também à sua esposa Zenobia Camprubi.
Como só o conhecia através da leitura do livro dedicado ao famoso burrico - que tem estátuas por Moguer - e associado à poesia, a curiosidade era evidente.
A arrumação da casa está perfeita, organizada por temas: Sala Prólogo, Biblioteca Pessoal, Revistas, Escritório, Salinha, Quarto, Salão, Sala Platero e Pátio. Cada uma funciona como um capítulo sobre o autor e Zenobia: um resumo geral biográfico; três mil e quinhentos livros pessoais, com ex-libris, anotações pessoalíssimas e dedicatórias; sete mil revistas organizadas por temas; obra poética; pintura; elementos fotográficos e decorativos de cunho íntimo; traduções de Rabindranath Tagore - o milagre que o fez encontrar a que seria sua esposa; referências e dados relativos ao exílio, por alergia a Franco; traduções de Platero Y Yo, em todo o mundo - referiram que só a Bíblia e D. Quixote tiveram mais; pormenores de um pátio de casa grande, onde impera estátua de Platero e a sua sela.
Foi-lhe atribuído o Nobel em 1956.
Tenho de ler mais de J. R. Jiménez para o compreender, porque fiquei com a impressão de se tratar de um homem profundamente angustiado, que viveu suportado, primeiro, na alma do pai; depois na de Zenobia Camprubi e, só depois, na dele mesmo.
Não desejo alongar-me, pelo que refiro apenas uma curiosidade: no exílio da pátria, primeiro em Nova Iorque, sentiu-se duplamente banido, também da sua língua, tendo passado mesmo a recusar-se a falar inglês, ao aperceber-se de que, dentro de si, estava a sentir empobrecer a sua capacidade linguística em castelhano, sua ferramenta de trabalho, o que o levou a encaminhar-se para Porto Rico e Cuba, para suavizar a agrura e a perda.
Acabámos a visita no dia e hora em que começava o "meu" Clube de Leitura, em Sintra.
Depois, fui pedir informações a Platero... e não é que o jerico sabia quase cinquenta línguas diferentes!
Mas - palavra tão pequena, quão tramada - descubro que Juan Ramón Jiménez nascera ali, e havia Casa-Museu a convidar para visita. Despromovi CC para segunda prioridade, e rumámos à casa do escritor, dedicada também à sua esposa Zenobia Camprubi.
Como só o conhecia através da leitura do livro dedicado ao famoso burrico - que tem estátuas por Moguer - e associado à poesia, a curiosidade era evidente.
A arrumação da casa está perfeita, organizada por temas: Sala Prólogo, Biblioteca Pessoal, Revistas, Escritório, Salinha, Quarto, Salão, Sala Platero e Pátio. Cada uma funciona como um capítulo sobre o autor e Zenobia: um resumo geral biográfico; três mil e quinhentos livros pessoais, com ex-libris, anotações pessoalíssimas e dedicatórias; sete mil revistas organizadas por temas; obra poética; pintura; elementos fotográficos e decorativos de cunho íntimo; traduções de Rabindranath Tagore - o milagre que o fez encontrar a que seria sua esposa; referências e dados relativos ao exílio, por alergia a Franco; traduções de Platero Y Yo, em todo o mundo - referiram que só a Bíblia e D. Quixote tiveram mais; pormenores de um pátio de casa grande, onde impera estátua de Platero e a sua sela.
Foi-lhe atribuído o Nobel em 1956.
Tenho de ler mais de J. R. Jiménez para o compreender, porque fiquei com a impressão de se tratar de um homem profundamente angustiado, que viveu suportado, primeiro, na alma do pai; depois na de Zenobia Camprubi e, só depois, na dele mesmo.
Não desejo alongar-me, pelo que refiro apenas uma curiosidade: no exílio da pátria, primeiro em Nova Iorque, sentiu-se duplamente banido, também da sua língua, tendo passado mesmo a recusar-se a falar inglês, ao aperceber-se de que, dentro de si, estava a sentir empobrecer a sua capacidade linguística em castelhano, sua ferramenta de trabalho, o que o levou a encaminhar-se para Porto Rico e Cuba, para suavizar a agrura e a perda.
Acabámos a visita no dia e hora em que começava o "meu" Clube de Leitura, em Sintra.
Depois, fui pedir informações a Platero... e não é que o jerico sabia quase cinquenta línguas diferentes!
Etiquetas:
J. A. Marcos Serra,
Juan Ramón Jiménez,
Moguer,
Nobel da Literatura,
Platero e Eu,
Zenobia Camprubi
17 de junho de 2018
E se forem 10 ou 11?
Mais vale tarde que nunca, disse não sei quem, e passámos a repetir com mais ou menos convicção.
Há livros que impactam; outros que sabem bem, mas esquecem depois: este desafio tem a virtude de nos levar a esgravatar no saco do natural esquecimento - a melhor das qualidades humanas, alguém opinou - em busca do que permaneceu mais tempo connosco.
Partilho, sem ordem premeditada:
SE ISTO É UM HOMEM
A GUERRA NÃO TEM ROSTO DE MULHER
A LÃ E A NEVE
NOSSA SENHORA DE PARIS
A MISSÃO
DOM CASMURRO
ÚLTIMAS PÁGINAS
O JUDEU
NATHAN, O SÁBIO
Para finalizar, uma confissão: tenho particular admiração pela forma cuidadosa, em rigor e gosto, com que o Confrade Fernando Faria escreve, pelo que refiro ainda, porque "ficaram cá", principalmente a TERRA MÃE e O NOVIÇO.
Missão cumprida.
Há livros que impactam; outros que sabem bem, mas esquecem depois: este desafio tem a virtude de nos levar a esgravatar no saco do natural esquecimento - a melhor das qualidades humanas, alguém opinou - em busca do que permaneceu mais tempo connosco.
Partilho, sem ordem premeditada:
SE ISTO É UM HOMEM
A GUERRA NÃO TEM ROSTO DE MULHER
A LÃ E A NEVE
NOSSA SENHORA DE PARIS
A MISSÃO
DOM CASMURRO
ÚLTIMAS PÁGINAS
O JUDEU
NATHAN, O SÁBIO
Para finalizar, uma confissão: tenho particular admiração pela forma cuidadosa, em rigor e gosto, com que o Confrade Fernando Faria escreve, pelo que refiro ainda, porque "ficaram cá", principalmente a TERRA MÃE e O NOVIÇO.
Missão cumprida.
Etiquetas:
A Lã e a Neve,
Camilo Castelo Branco,
Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro,
Eça de Queirós,
Ferreira de Castro,
listas,
Se Isto É um Homem
15 de junho de 2018
a escolha da Maria José Carvalho
A pedido da Maria José Carvalho, posto a lista, com o seu esclarecimento prévio.
"Colaboro apenas desde setembro de 2015. Eis leituras preferidas entre as listadas até fins de 2018. Não hierarquizo por se situarem em diversos planos ... e não atinjo a dúzia:
Nathan, O Sábio, G. Lessing
Lavoura Arcaica, R. Nassar
A Arte de Voar, A. Altarriba e Kim
Que Importa a Fúria do Mar, A. M. de Carvalho
Os Despojos do Dia, K. Ishiguro
O Judeu, C. Castelo Branco"
11 de junho de 2018
Top 12 no Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro
Só cheguei ao Clube em Dezembro de 2015 e portanto muitos dos livros que por lá passaram eu não os li. No entanto, aqui vai a lista (sem ordem), do que li e mais gostei.
- Emigrantes, Ferreira de Castro
- O Jogador, Dostoievski
- O Velho e o Mar, Hemingway
- O Triunfo dos Porcos, G. Orwell
- Nó Cego, Carlos V. Ferraz
- Os Cus de Judas, Lobo Antunes
- Fahrenheit 451 - Ray Bradbury
- Os Capitães da Areia, Jorge Amado
- Se Isto é Um Homem, Primo Levi
- A Missão, Ferreira de Castro
- Que Importa a Fúria do Mar, Ana M. de Carvalho
- A Arte de Voar, Altarriba e Kim
Só cheguei ao Clube em Dezembro de 2015 e portanto muitos dos livros que por lá passaram eu não os li. No entanto, aqui vai a lista (sem ordem), do que li e mais gostei.
- Emigrantes, Ferreira de Castro
- O Jogador, Dostoievski
- O Velho e o Mar, Hemingway
- O Triunfo dos Porcos, G. Orwell
- Nó Cego, Carlos V. Ferraz
- Os Cus de Judas, Lobo Antunes
- Fahrenheit 451 - Ray Bradbury
- Os Capitães da Areia, Jorge Amado
- Se Isto é Um Homem, Primo Levi
- A Missão, Ferreira de Castro
- Que Importa a Fúria do Mar, Ana M. de Carvalho
- A Arte de Voar, Altarriba e Kim
Subscrever:
Mensagens (Atom)













