21 de março de 2022

VATES (6)


 


Não cantes o meu nome em pleno dia

não movas os seus ásperos motivos

sob a luz dolorosa sob o som

da alegria


Não movas o meu nome sob as tuas 

mãos molhadas do choro doutros dias

não retenhas as sílabas caídas

do meu nome da tua boca extinta


Não cantes o meu nome a primavera

já o ameaça hoje principia

a vida do meu nome não o cantes

com a tua alegria


Nota: Hoje Dia Mundial da Poesia entendi homenagear Gastão Cruz. Só com a nossa intuição poética ou em registo áudio voltaremos a ouvi-lo. Por ironia do "destino" o poeta voou no início desta primavera tão frágil para outras galáxias donde continuará a inspirar-nos com a sua tão necessária gramática. Este caderno de 72 é um "ensaio" sobre a "imagem da linguagem", da memória literária e da experiência colocando a poesia no mundo. Não é necessário dizer que William Blake assiste em fundo as estes poemas. A transformação é inerente a qualquer poesia e só assim existe novidade e renovação. Nesse campo, aqui há um importante trabalho ao nível da sintaxe e dos elos que prendem o poema nomeadamente na segunda estância que lançam o leitor na captação de sonoridades acrescidas e de uma nova leitura de poesia.                             




  





4 de março de 2022

o início de A GARÇA E A SERPENTE

 

«"Este Novembro de 1917 continua frio mas dourado.» Francisco Costa, A Garça e a Serpente [1943], 2.ª ed., Lisboa, Parceria A. M. pereira, 1945, p. 11.