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20 de abril de 2026

"Imagens literárias das Beiras" - Conversas sobre Ferreira de Castro



Dizer Beiras em ficção equivale a falar de Aquilino Ribeiro, Ferreira de Castro, Branquinho da Fonseca, Vergílio Ferreira, Fernando Namora, Carlos de Oliveira, António Alçada Baptista -- e tantos, tantos mais, de Abel Botelho a José Marmelo e Silva, passando por Sarah Beirão...

Museu Ferreira de Castro, 24 de Abril de 2026, 18 horas





 

4 de junho de 2012

Nótula sobre O RISO DE DEUS, de António Alçada Baptista



Nota breve, por que o livro não justifica mais.
De António Alçada Baptista (AAB) lera o ternurento Tia Suzana, Meu Amor (1989) e a breve evocação da infância Uma Vida Melhor (1984), de que guardo, em especial do segundo, uma boa memória de leitura. Este Riso de Deus, enquanto obra literária é trágico; como tese, patético.
AAB não tem oficina. O estilo é paupérrimo, croniquetas marie claire,  de resto, muito praticado pelo autor; a estrutura do romance é um desastre, um pastelão que provoca um longo bocejo; os diálogos são aborrecidos solilóquios. Passamos a metade do livro e perguntamo-nos por que raio estamos a perder tempo com ele.
Depois, umas banalidades perigosamente próximas do tom auto-ajuda e umas angústias muito marcadas pelo peso da religião que, para quem como eu é ateu se tornam risíveis e/ou irritantes, embora as compreenda, criado que fui em ambiente de catolicismo formal. É um livro de um agnóstico com remorsos ou, pior ainda: a autojustificação (auto-desculpabilização) de um crente.
No meio deste bocejo, algumas partes conseguidas (a carta a Rosa, por exemplo) e umas quantas ideias interessantes: o elogio da inutilidade, contraposta à fúria competitiva emanada da ideologia utilitária das sociedades mercantis modernas; as memórias da infância (ponto forte do autor) e dum tempo provinciano já morto; o enaltecimento do género feminino, com sensibilidade e/ou intuição assinaláveis e consequente  rejeição do estereótipo marialva, bem presente na nossa cultura; uma necessidade de transcendência que não se fica pela Igreja, mas que vai mais além, ao simbólico e ao metafísico. São estas ideias que valem o livro -- nada que não se possa encontrar em grande literatura.