Mostrar mensagens com a etiqueta entrementes conversas desconfinadas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta entrementes conversas desconfinadas. Mostrar todas as mensagens

19 de junho de 2026

ENTREMENTES CONVERSAS (DES)CONFINADAS - 2.ª edição

Esgotada, há muito, a 1.ª edição de ENTREMENTES CONVERSAS (DES)CONFINADAS do confrade J. A. Marcos Serra e de Carlos Paiva Neves, acaba de ser disponibilizada, em suporte digital, a 2.ª edição (revista e complementada), livre para leitura, descarga ou impressão, sem fins comerciais.
Se lhe interessam temas como questionamentos filosóficos, religiosos, teorias de reencarnação, espiritualidade e espiritismo (por antítese ao materialismo e consumismo sem freio), parapsicologia, hipnotismo, fenómenos sociais, ambiente e futuro do planeta, humanidade (e as suas dimensões de alma, espírito, mente, emoções, corpo e vida), humanismo e outros, resultantes de uma troca de missivas entre duas historicidades que ousam dialogar sem proselitismo nem totalitarismo nem pretensiosismos, que só a ignorância pode alimentar, disponha livremente para uma leitura calma, que conduz ao imo de cada um.
Se os temas não lhe interessam, pode sempre informar amigos que gostem destes assuntos.
Deixo-lhe a hiperligação da 2.ª edição.
Boas leituras, em paz e bem.

15 de junho de 2022

COLOMBO EM VALE DO PARAÍSO

SALVADOR DALI, A descoberta da América por Cristóvão Colombo (1959), óleo sobre tela, dim. 410x284cm., Salvador Dali Museum, St. Petersburg, Florida, USA

Nas cartas de J. A. Marcos Serra e Carlos Paiva Neves compiladas em Entrementes encontram-se várias referências a Cristóvão Colombo, aliás Cristóvão Colon, antropónimo que faz jus à tese da nacionalidade portuguesa do navegador. Fosse ele português, genovês ou catalão, a verdade é que se equivocou na sua ideia de chegar à Índia por Ocidente, possibilidade que em Portugal parecia ser aceite como não válida.

Há uns anos visitei em Vale do Paraíso (Azambuja) o “Centro de Interpretação Colombo”. Foi naquele lugar que o navegador se reuniu com D. João II ao regressar, em 1493, da sua primeira viagem à América. Há lá uma placa assinalando o local do encontro.

 Trata-se de mais um mistério do descobridor das Índias Ocidentais. Como conta Rui de Pina (Crónica de D. João II), o rei estanciava em Vale do Paraíso, por causa da peste que grassava em Lisboa, quando foi informado da entrada de Colombo no Tejo. Porque não rumou a nau do capitão a um porto espanhol? É certo que houve uma tempestade que dispersou a frota, mas isso talvez não explique tudo.

Chamado à presença do Príncipe Perfeito, ter-lhe-á dado informações que só depois daria aos Reis Católicos? De acordo com o cronista, Colombo «era de sua condição um pouco levantando» e «no recontamento de suas cousas excedia sempre os termos da verdade», pelo que o encontro com D. João II dispunha de todos os ingredientes para correr mal. Tal não sucedeu - garante Rui de Pina - por o rei ser «muito temente a Deus», triunfando a ponderação e acabando «por lhe fazer honra e muita mercê».   

Como ainda não li todo o livro, não sei se este episódio é referido nalguma carta. O colega José Serra logo nos dirá. E talvez nos possa dar a sua interpretação de mais este “mistério” associado ao misterioso Colombo, ou Colon. 


5 de junho de 2022

ENTREMENTES - CONVERSAS (DES)CONFINADAS (1)


Caro José,

Chegado à página 82 do teu livro, epístola de 31 de Julho de 2020 em que se fala de hipnotismo, de Cristóvão Colombo, da leitura do Alcorão e de Manuel Ribeiro, esse escritor d´A Catedral que recentemente me foi apresentado no colóquio do Museu Ferreira de Castro, tenho condições para escrever a presente carta.

Em primeiro lugar para enviar parabéns pelo trabalho epistolar em confinamento, eu que não soube o que isso era porque andei sempre na rua – embora com responsabilidade –, sem ligar às ponderosas prescrições então lançadas sobre o pessoal, os velhinhos fechados em casa, à força, pela devoção filial, os homens novos receosos de que o vírus lhes entrasse pelas narinas ou pelas comissuras da boca, as criancinhas  aceitando as explicações dos pais de que não se podia dar beijinhos por causa do bicho que andava à solta. Ia com uma amiga  para as margens do Tejo ou para os montes e vales do nosso concelho de Vila Franca de Xira e depois de jantar andava sozinho pelas ruas do bairro (passeio higiénico) enquanto nas janelas e varandas os cómicos do costume batiam palmas frenéticas pelas dez da noite.

Quando estava em casa, aproveitava o tempo lendo e relendo a Montanha Mágica, de Thomas Mann, também Humilhados e Ofendidos e Crime e Castigo, de Dostoievski. Ainda tentei Ulisses, de Joyce, mas a coisa não resultou. À tua semelhança, embora à minha maneira, seguia a máxima de Blaise Pascal: “Faire le bon usage des maladies”. Apesar de não estar doente, havia, omnipresente, uma doença a tentar dar-nos cabo do juízo.

Agora, vejo as tuas considerações e do teu correspondente sobre a alma. Considerações atentas, bem elaboradas, parece-me (independentemente de estar ou não estar de acordo com elas), até com uma bibliografia sobre a matéria (epístola de 22 de Abril de 2020), devendo dizer, pobre de mim, que nunca passei do Fédon, de Platão, da Quarta Parte do Discurso do Método, de Descartes, do Tratado das Paixões da Alma, do mesmo autor, de Montaigne, que sem o dizer também falava da alma, e dos rudimentos da psicanálise de Freud. Posso estar a dizer uma grande barbaridade, mas acho que era da alma que o homem tratava lá no seu lendário consultório de Viena.  

Assim, acredito na alma, mas não na sua imortalidade, esta é a posição atingida pelo meu fraco saber. Disse Platão no diálogo citado qualquer coisa como ser a alma prisioneira do corpo. A minha primeira dúvida é como é possível a vileza do corpo (sensível e visível) aprisionar o espírito (não sensível e invisível)? Disse também que com a morte do corpo a alma ficava finalmente livre, indo para o Hades, julgo em definitivo, na companhia dos deuses e outros homens bons (caso procedesse de uma vida justa, evidentemente) e não como por vezes se diz por aí à espera de entrar em novo cárcere.

O discípulo de Sócrates, ouso pensar, poderá ter errado e ser responsável por muitos erros da filosofia medieval e moderna, porque é mais natural aceitar que a alma morra com o corpo, ou seja, que o prisioneiro sucumba à derrocada do seu ergástulo. Mas que sei eu? Tudo isto é matéria rebatível, de impossível certeza, e aqui devo avançar com a célebre asserção, mais platónica do que socrática, «só sei que nada sei!». Ponto final, parágrafo.

Estou a apreciar a leitura. Havia um movimento maoísta que tinha como divisa «ousar lutar, ousar vencer». Parece-me mais justo dizer «ousar pensar, ousar escrever». Foi o que haveis feito.

Vou continuar a ler quando me desembaraçar de uns trabalhos em que ando metido. Agora com os feriados, as festas e a sardinha assada, quiçá a praia, pode ser que me atrase um pouco… Mas um dia destes volto a escrever.

Até lá, caro amigo, paz e saúde!

M.


16 de maio de 2022

ENTREMENTES CONVERSAS (DES)CONFINADAS

É um livro, em forma epistolar, que nasceu com o aparecimento da pandemia, e de uma mensagem que o confrade J. A. Marcos Serra endereçou ao seu mundo de familiares, amigos, colegas atuais e antigos, enfim, a todos os que constituem a cadeia humana em que está inserido de modo real.
Uma das respostas, a de Carlos Paiva Neves, exigia uma explicação, que foi dada; e esta gerou mais algumas questões, que levaram a outras, que mereceram réplica, e acabaram num livro de 270 páginas sobre questionamentos filosóficos, religiosos, teorias de reencarnação, espiritualidade e espiritismo (por antítese ao materialismo e consumismo sem freio), parapsicologia, hipnotismo, fenómenos sociais, ambiente e futuro do planeta, humanidade (e suas dimensões de alma, espírito, mente, emoções, corpo e vida), humanismo e outros, num desafio contínuo a ousar uma viagem ao imo de cada um, sem proselitismo nem autoritarismo nem pretensiosismos, que só a ignorância não assumida pode alimentar. Deu-se primazia ao diálogo, à tolerância, prudência e autenticidade.
É chegada a hora de se anunciar o lançamento desta «confissão» mútua e fraterna, na Biblioteca Municipal - Casa Mantero (R. Gomes de Amorim, 12 - 14, 2710-569 Sintra), no dia 25 de junho de 2022, às 16H00.
Se gosta de ler (e ousa ler-se), este Convite é para si.
Oportunamente se comunicarão pormenores e datas de lançamento em outros locais, onde os coautores têm raízes e buscaram inspiração.
Entrementes... deixamos este resumo em dois minutos e meio: 
Quatro anos decorridos, a 2.ª edição do livro é disponibilizada em PDF, livre para leitura, descarga ou impressão sem fins comerciais. Veja mais informação AQUI.