O POETA
Foi visto
(diversas vezes) com uma
caneta na mão. Nem
tentava disfarçar. Sentava-se à mesa
consigo
(sempre
cingido de livros) e escutem:
o que fazia era
escrever poemas. Sei muito bem o que
digo.
Ele fazia poemas. Os outros
passavam ao largo
(fugindo a qualquer pergunta) ele nem
sequer escondia o que ali estava a
fazer. Ali
à frente
de todos. Linhas e linhas escritas.
Não se limitava a ler.
Não se limitava apenas a viver a sua
vida.
Sei muito bem o
que digo. Aquilo eram
poemas.
JOÃO LUÍS BARRETO GUIMARÃES* (1967), Aberto todos
os Dias (2023)
* Prémio Pessoa 2022