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25 de fevereiro de 2025

LINHAS ENTRE NÓS em PDF e audiolivro

Depois da 1.ª edição em 2015, o confrade J. A. Marcos Serra disponibilizou livremente, em 2018, na Bibliotrónica Portuguesa, a 2.ª edição em suporte digital também acessível em Biblioteca Digital Escolar.
Atento às pessoas que, por qualquer razão, preferem audiolivros, em 2025 ofereceu ao público a 3.ª edição, por duas vias:
> Corrente / Streaming (escuta on-line a partir de qualquer dispositivo, como um podcast comum); experimente as alternativas e escolha as mais simples.
- em Rephonic.
- em Ivoox;
- em Listen Notes;
> Ficheiros MP3
- em Internet Archive, ficheiros MP3 (aceder, em download options selecionar VBR MP3, clicar no botão de descarga 20 files e aguardar até ao fim); com esta opção, pode escutar os ficheiros posteriormente, a partir do seu computador ou outro aparelho.
O audiolivro é fruto de um projeto no âmbito da ACTIS - UTI e graças à gentileza dos estúdios da RCS - Rádio Clube de Sintra.
Para um âmbito mais vasto de público, pode já aceder à 4.ª edição, revista e complementada, em diversos tipos de ficheiros.
Use sem reservas e partilhe com pessoas a quem possa interessar.

8 de setembro de 2018

LINHAS ENTRE NÓS em segunda edição


Três anos passados sobre o lançamento de LINHAS ENTRE NÓS, do confrade J. A. Marcos Serra, e há muito esgotada a parte da edição destinada ao público, decidiu-se o autor por uma reedição, revista e aditada, desta vez em formato digital, assumida pela Bibliotrónica Portuguesa, plataforma no âmbito da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, que criou nova capa, em conformidade com os seus critérios editoriais, e adaptou a paginação à leitura em suporte digital.
Convida-se, pois, o leitor, a descarregar, ler ou imprimir livremente, desde que sem fins comerciais, e mesmo a enviar a “ligação” a amigos que gostem de ler nos novos suportes. Aqui fica:
Se tiver interesse em conhecer melhor a Bibliotrónica e a forma como apresentam os livros que reeditam, editam e disponibilizam, ficará surpreendido com o tamanho e riqueza da preciosidade que colocam ao seu dispor.
Deixo a apresentação da reedição:

Novo artigo em Bibliotrónica Portuguesa

A Bibliotrónica Portuguesa acaba de acolher, na secção de Reedições, mais um livro que ainda não se encontra em domínio público. Linhas Entre Nós, de J. A. Marcos Serra, é uma coletânea de contos e poemas, a que o autor acrescentou um capítulo sobre toponímia e um glossário de regionalismos (Manteigas, Serra da Estrela).
Além do interesse narrativo, poético e linguístico deste livro, o domínio da língua portuguesa que o autor demonstra recomenda especialmente esta leitura a todos os que gostem de passar as férias (e não só) em boa companhia.
Dizia-se...
(não sei se com verdade se inventado)
... que tinha vindo de fora, e era de famílias ricas. Teria andado numa guerra onde viu mil barbaridades horrendas, e onde cometeu crueldades escusadas, de que se arrependeu com honestidade e dor.
(Olha que sei bem o que são umas coisas e outras, pelo que vi e fiz durante a Grande Guerra, em Angola... ainda hoje me dói cá dentro... mas vamos à história.)
A verdade é que, quando a paz chegou, ele nunca mais a conseguiu encontrar e viver com ela, e achou que devia penitenciar-se, durante o resto da sua vida, pelos males que tinha feito.
Foi então que veio para aí.
Escolheu um lugar em plena serra, no sítio onde se ergue a capela vetusta de São Lourenço.

18 de março de 2016

imagens de Linhas Entre Nós IV

(últimas)
"As Botas do Zé" é uma narrativa de sentimentos múltiplos, com eventual virtude de fazer amentar um rol de personagens que tentarei ir-lhe apresentando.

Recorda o dia em que António estreia os primeiros sapatos, e a Banda chega ao Valazedo? Adelino (AJ) e Joaquim (JJ), que entram em contenda, vinham fardados assim.
(Padre Parente, que conhecemos de outras histórias, aparece com a batuta de maestro).

Alguns anos depois, já António andava calçado e era músico brioso.
Aproveito a fotografia para lhe apresentar alguns dos personagens, principais e secundários, desta história e de "Água".

AdJ- Adelino Jorge; JqJ - Joaquim Jorge; PP- Padre Parente; AnJ- António Jorge; MnM- Manuel Marcos; JSJ- José Jorge; AnM- António Marcos; JAs- José Ascenção; JsA- José Ambrósio; JoM- João Marcos; JsM- José Marcos.

Um salto no conto vai levar-nos à ruela do Passadiço e à esquina da Igreja da Misericórdia, onde António, perseguido por se afoitar em freguesia alheia, em namoros atrevidos, clamou pelo socorro do "Muxano".

E o tempo passou: António "assentou do juízo", como se diz por Manteigas, casou-se, arranjou melhor emprego, engendrou o Zé, a Teresa pediu-lhe que fizesse uns sapatinhos para o menino, o antigo sapateiro aprimorou-se, e saiu obra perfeita. ("dignos do Menino Jesus", "dignos da montra do senhor Miguel Esteves").


A Milu, entretanto, escondida sob o fato da mãe, ia já dando conta das coisas.

13 de março de 2016

Mais Linhas Entre Nós

"- Ai é?! Mil litros?!
Passou-se a palavra, e a partir desse dia, a Josefa do Estêvão, a Maria José Marcos, a mulher do José Espanhol, a Antónia do Bernardo e outras vizinhas e amigas passaram a calcular, dia a dia, o consumo de água como se fosse azeite, (indo amparando com uns cântaros da fonte, para que os mil litros de direito dêem para comida, bebidas e lavagens, porque, para os trapos, o ribeiro leva muita, graças a Deus.) " in Linhas entre Nós, J. A. Marcos Serra, Ed. de autor, 2015, P. 58
  Tal como me desejou, José Serra, na sua dedicatória, a leitura deste livro trouxe-me verdadeiros momentos de prazer e motivação bastante para "ir conhecer a terra e serras lindas que lhe serviram de cenário."
  Diz Fernando Faria, que este livro é um verdadeiro tratado de antropologia pelo manancial de informações que nos traz. É verdade.
   Para mim, lisboeta de três costados, o "ir à terra" foi durante muito tempo algo insignificante e sem valor, pelo desconhecido a que a expressão me remetia. Até ao dia em que me tomei de amores por um Alentejano e finalmente, fui à terra. Apreendi então, outro mundo de cores, cheiros, sons, histórias de vida e costumes...E de algum modo senti-me ligada a tudo como se sempre tivesse feito parte de mim.
   Obrigada José, por todas as linhas que tanto me acrescentaram. Fiquei com saudades da terra!


Aqui fica um rabisco que fiz do José na sessão de leitura de A Missão.

Foi um comentário polémico o do José... ;)

11 de março de 2016

imagens de Linhas Entre Nós - II

O conto, O Senhor de Pera e Bigode,

além de uma história singela, pode ser um pequeno roteiro turístico local, que canta as belezas e grandiosidade da Serra da Estrela.
Acompanhe, antes de mais, a caminhada longa e paciente que Ti Simão faz, acompanhado do Fiel, subindo a encosta íngreme, de Manteigas até às proximidades do Seixo Branco (no mapa, em linha laranja).












Passará pelo Observatório Meteorológico (popularmente, Casa das Gadanhas), pela Casa da Fraga
 (primeiro Sanatório experimental, por iniciativa do Dr. Sousa Martins), com a Fraga da Cruz a impor-se, de vários ângulos, à sua admiração  curiosa e aventureira.
Do seu cume, a vila parece despenhada lá no fundo, depois de um voo no vazio: arrepie-se.
Acompanhará o pastor a ver o despertar do dia, com o sol a refletir-se no fraguedo das Penhas Douradas em refulgências inesquecíveis.















Sentir-se-á esmagado pelo volume ciclópico do Frade e Freira, perdidos na serrania, a contemplarem a Fraga da Cruz, ali perto, e o Fragão do Corvo, já vizinho da Villa Alzira, onde Afonso Costa se resguarda da voragem da política, em busca de paz e, quem sabe, de algum arrependimento, sucumbindo à dúvida que inquieta.
Naquela noite, depois da conversa com o pastor, saiu de casa, vigiado pela Dourada, sua cadela de estimação, subiu ao Fragão do Corvo, e, esmagado pela calote de estrelas e a visão bruxuleante de Manteigas, lá no fundão do Zêzere, (disse a guardiã), chorou.

8 de março de 2016

imagens de Linhas Entre Nós

Livro tecido com muitos personagens bem guardados na memória,  que vão delineando histórias em cenários que não foi preciso inventar, porque não desvendar alguns, correndo o risco de trair a imaginação de cada leitor?
Que me perdoem os que prefeririam não cotejar com a realidade, sabendo que podem sempre optar por não ver o que partilho neste espaço.
No respeito pelos direitos de autor, devo declarar que, para além de arquivo pessoal, apresento imagens que são propriedade de: "Manteigas em Imagens", "Museu Virtual de Manteigas", "Banda Boa União", "Old-postcards", "Joraga" e "Postais Portugal", além de outras fontes da internet, não identificadas.
Comecemos, pois.
A primeira história começa com Jorge Duarte Serra, de quem se escreve que tinha "cara de mata-mouros", era caçador e sapateiro e, ainda orgulhosamente, sócio fundador da Banda Boa União.
O medo o terá obrigado a "meter medo".
Perdeu-se a espingarda, mas a machada ameaçadora continua pronta a cortar.


Os padres Joaquim Dias Parente e José Baylão Pinheiro aparecem como conspiradores benignos, em funções de bons pastores. Figuras notáveis, o primeiro aparece personificado em A Lã e a Neve como Padre Barradas.
A secretária do seu escritório, descrita sucintamente em "Água", continua guardada afetuosamente por mãos saudosas, em Manteigas.
De sua autoria, entoou-se em todo o mundo católico o cântico religioso mais célebre: "Santos Anjos e Arcanjos". O texto cita ainda partes do "Hino à Imaculada Conceição" que, sessenta anos após a sua morte, continua a cantar-se na Igreja de Santa Maria.
Seu braço direito, Bernardo Marcos Leitão, foi artista ímpar e inesquecível.
Foram homenageados com a atribuição de nomes a uma rua e largo contíguos, nas imediações da Igreja que lhe uniu os destinos e a vida.
Do templo antigo há registo de vista parcial que mostra a rua e, ao fundo, o largo mencionados. A chave, extraordinária, da porta desse edifício antigo está também à guarda de gente cuidadosa da vila.

O Eirô, também celebrado por Ferreira de Castro, aparece como lugar capital, ou importante, em quatro das histórias; naturalmente, por se tratar de um dos núcleos mais antigos da vila.
No Eirô, ao cimo da quelha,
se arma a discussão entre as moradoras e o funcionário da Câmara, incendiando um dos focos da rebelião.
No Eirô mora o pequeno aprendiz de sapateiro, e no Eirô, na Praça da Louça, está a oficina onde começa a labutar.
No Eirô mora Manuel de Jesus (e morei eu durante seis anos).
No mesmo sítio, em tempos de exageros republicanos, Manuel Marcos Leitão (na foto)
escondeu a custódia de ouro da Igreja de Santa Maria, ainda hoje usada em cerimónias religiosas de maior pompa.
Curiosidades associadas ao conto "Água" são ainda a menção da Casa das Obras,
solar de referência em Manteigas, e o personagem Joaquim da Cruz, secretário da Câmara.
No que se refere ao funcionário inteligente e dedicado, à falta de imagem disponível, deixo a capa de um livro que, provavelmente, todos conhecemos. Um dos autores, Cruz Filipe, é filho do homem zeloso que ainda conheci, porque, aposentado, continuava, com pontualidade inultrapassável, a ir ajudar com a sua experiência; ainda aprendi algumas coisas com ele.

6 de março de 2016

Ainda acerca da memorável sessão de 4 de Março...


LINHAS ENTRE NÓS é um livro muito especial. Acima de tudo, porque se trata de uma partilha de experiências de vida do autor, nos seus já remotos tempos de infância. 
Ao lê-lo, sentimo-nos transportados para uma casa serrana de granito, numa qualquer noite de invernia, onde, sentados à lareira num rústico banco de pinho e envoltos em odores de resinas e rosmaninho, escutamos histórias de encantar, enquanto comiscamos castanhas assadas no borralho, acompanhadas de jeropiga, servida em copos de vidro grosso e cheios de dedadas.
Para além do prazer da leitura (o livro está repleto de excelentes nacos de prosa), obras como esta - verdadeiros tratados de antropologia e etnografia - proporcionam mananciais de informação acerca de povos, lugares, costumes e épocas, que, se não for registada, corre o risco de perder-se para sempre.

Acho a infância de José M. Serra, tão bem retratada neste livro, comparável à minha, que lhe foi coeva, ainda que passada numa aldeia da Beira Litoral. Pela modéstia no viver, pela escassez de tudo, pela envolvência e cumplicidade com a terra, as pedras, as árvores, os bichos, pela solidariedade entre as pessoas, pela magia das noites de luar, pelo temor das trovoadas, pelo deslumbramento do nascer do Sol, pelo prazer inenarrável de comer a fruta da própria árvore...

Ler LINHAS ENTRE NÓS deixou-me uma forte vontade de revisitar Manteigas e a majestosa Estrela (de preferência guiado pelo Zé Serra).

Fernando Faria

3 de março de 2016

LINHAS ENTRE NÓS

"Quem, a partir dali, deslizasse os olhos para a direita, veria que a noite fora violada por fogueira mole, de crepitar surdo. À volta, com o ar fantasmagórico que o bruxulear do fogo imprime às coisas, treze homens estavam sentados sobre troncos derrubados, dispostos no espaço, em ferradura gigantesca. O som das vozes é baixo, e todo aquele enigma dá vontade de aproximar, intentando ouvir.
«...e volto a repetir que o general dos romanos não nos merece confiança... ou já esqueeram, alguns de vós, o número de vidas que nos custou o ter acreditado em emissários de Roma?!...»"

(Viril, Alto, pg. 116)



11 de setembro de 2015

C O N V I T E

Tenho a honra de convidar para o lançamento do livro Linhas Entre Nós, que será apresentado no dia 19 de setembro, sábado, às 16H30, no Auditório da Biblioteca Municipal de Sintra – Casa Mantero – Rua Gomes de Amorim, 12 – 2710-569 Sintra.
A sessão será enriquecida com atos culturais e recreativos, seguida de “uma jeropiga de honra”.

J. A. Marcos Serra (j.a.marcosserra@gmail.com)

Informações complementares:
- estacionamento gratuito no Largo dos Serviços Municipalizados (frente às Finanças e ao SMAS), ou entre o Centro Cultural Olga Cadaval e a Biblioteca, na rua Câmara Pestana.
- confluência a partir das 16H00
- não é necessário imprimir o Convite

11 de agosto de 2015

LINHAS ENTRE NÓS

Sessenta anos depois de ter começado a ler, arrisquei publicar, em livro, uns pedaços do que escrevi.
Resultou, do arrojo, LINHAS ENTRE NÓS, como primeiro trabalho a solo.
Amores congénitos o motivaram sem reservas. Cuidados paternais o desbastaram, até quase à dor.
Deixo o fruto…
(histórias de gente e da terra, e sentimentos perenes)
… à apreciação de quem sabe ler.

Vai nascer oficialmente, em Manteigas, terra-berço, em 15 de agosto, às 21H30, no Ninho de Empresas, espaço agradável para escutar música e palavras.
Sintra o reconfirmará, em 19 de setembro, no Auditório da Biblioteca Municipal (Casa Mantero), às 16H30.

Entretanto, deixo-lhes: https://youtu.be/jzre7xtQ4rY

J. A. Marcos Serra

1 de julho de 2015

O poema inacabado de Bentinho, em Dom Casmurro

Sem virtudes notórias, o soneto brincalhão, com que pretendi parodiar a paixão de Bentinho, personagem notável de Machado de Assis, tinha ficado no seu habitat natural, entre outros papeis sem futuro.
Aí morreria se o Confrade Fernando Faria não me tivesse instado, de viva voz, a dar-lhe luz, referindo desafio já feito em Comentário que me escapara.
Dois pensamentos acudiram à testa:
"sincera-mente!"
"como bom Noviço, faz o que te indicam."
Pego então no primeiro verso e nos dois últimos, em alternativa.

OH! FLOR DO CÉU! OH FLOR CÂNDIDA E PURA,
Porque me escondes esse olhar candente?
C'um piscar de olho, seria contente
E largaria, aos pés, esta tortura.

Para os meus males essa era a cura
Deste doer... pior que dor de dente.
Vá! Não te rias, que me pões doente.
Olha p'ra mim: vê quanta ternura!

Que bom seria nós os dois, juntinhos,
A rebolarmos entre flores e palha,
As mãos tecendo mil e um carinhos!

Assim, arisca... ai que Deus me valha!
Mato-me: um tiro e vou para os anjinhos...
PERDE-SE A VIDA, GANHA-SE A BATALHA

ou, respeitando a alternativa de "Bentinho de Assis"

Assim, amen!, nada há que valha
A esta sede louca de beijinhos.
GANHA-SE A VIDA, PERDE-SE A BATALHA