Mostrar mensagens com a etiqueta "Promontório Sacro". Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta "Promontório Sacro". Mostrar todas as mensagens

19 de janeiro de 2024

101 poemas portugueses - #18.


INCÊNDIO


Daqui, desta falésia cor de lava,
Dum amarelo rútilo e sangrento,
Outrora debruçava-se um convento
Sobre a maré tumultuosa e brava...

E, à noite, quando no clamor do vento,
Ao largo, o temporal se anunciava,
E a voz das águas, soluçante e cava,
Punha um trovão nas furnas, agoirento,

Logo, piedosamente, cada monge
Suspendia uma lâmpada à janela,
E tangia a sineta para o coro...

E, no mar alto, o navegante, ao longe,
Via um farol luzir em cada cela,
E cada rocha a arder, em sangue e ouro...


Cândido Guerreiro (Alte, Loulé, 1871 - Lisboa, 1953),
Promontório Sacro (1929)