29 de julho de 2026

Pintar A SELVA

O pintor e documentarista brasileiro João Evangelista de Souza, radicado no Paraná, executará uma pintura ao vivo, no átrio do Museu Ferreira de Castro, acção inspirada no romance A Selva (1930), no próximo dia 30 de Julho, quinta-feira, a partir das 10,30h.

Artista atento às questões sociais contemporâneas, esta ação insere-se num projecto mais vasto, intitulado “Amazônia – Sangue na Floresta”, e constituirá uma homenagem do artista a Ferreira de Castro e ao seu notável romance.

João Evangelista de Souza realizou a primeira exposição individual em 2003, em Belo Horizonte, sob os auspícios dos pintores Carlos Scliar, Carlos Bracher, Inimá de Paula e Siron Franco, tem o seu trabalho disperso por acervos públicos e privados, entre os quais a prestigiadíssima coleção do embaixador Gilberto Chateaubriand (1925-2022), detentor do maior acervo privado de pintura brasileira, cedido em comodato ao Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Enquanto documentarista, João Evangelista de Souza é autor, entre outros, do filme “Portinari: o menino de Brodósqui” (1997), sobre o grande pintor brasileiro que ilustrou A Selva, em 1955.




1 de julho de 2026

as aberturas de FLORES AO TELEFONE

7. «O aquário». «O pequeno móvel ia atravessando a sala lentamente, em diagonal.»

6. «Um diário para Saudade». «Creio que em quase todos os colégios de meninas há uma ou duas extremamente bonitas e graciosas, geralmente alunas medíocres, de longos cabelos loiros e olhos azuis (têm quase sempre esse tipo físico), a quem a maioria presta incondicional vassalagem.»

5. «O homem voador e a mulher que não tinha asas». «Corredor de automóveis teria sido uma profissão para ele.»

4. «Os doces braços da noite»: «Estava ali a olhar para os pais e a ouvi-los, e ao mesmo tempo a sentir que algo de si ficara a vaguear, esquecido ou perdido, no escritório do tio Jaime, não viera com ela.»  

3. «O casamento»: «O padre disse:»

2. «A estranha ressonância do nome de Alma». «A mulher rompeu o silêncio e disse: "Queres ouvir, Hermes?"»

1. «Flores ao telefone». «A mulher pegou no auscultador subitamente vivo, ser-objecto preto e luzidio, às vezes repugnante quando vomitava coisas sujas de que ela não gostava, embora as devorasse, esfomeada, pegou-lhe e disse numa voz ausente, demasiado fria, voluntariamente fria, que estava, sim, que era ela, sim.»


Maria Judite de Carvalho, Flores ao Telefone (1968), Obras Completas III, Coimbra, Minotauro, 2024.