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19 de novembro de 2023

POESIA EM LÍNGUA PORTUGUESA, século XX (43)

 

Saudoso já deste verão que vejo,

Lágrimas para as flores dele emprego

           Na lembrança invertida

           De quando hei-de perdê-las.

Transpostos os portais irreparáveis

De cada ano, me antecipo a sombra

            Em que hei-de errar, sem flores,

            No abismo rumoroso.

E colho a rosa porque a sorte manda.

Marcenda, guardo-a; murche-se comigo

            Antes que com a curva

            Diurna da ampla terra.

 

RICARDO REIS, “Ode XVIII”, Athena, nº 1, Outubro de 1924