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18 de março de 2016

imagens de Linhas Entre Nós IV

(últimas)
"As Botas do Zé" é uma narrativa de sentimentos múltiplos, com eventual virtude de fazer amentar um rol de personagens que tentarei ir-lhe apresentando.

Recorda o dia em que António estreia os primeiros sapatos, e a Banda chega ao Valazedo? Adelino (AJ) e Joaquim (JJ), que entram em contenda, vinham fardados assim.
(Padre Parente, que conhecemos de outras histórias, aparece com a batuta de maestro).

Alguns anos depois, já António andava calçado e era músico brioso.
Aproveito a fotografia para lhe apresentar alguns dos personagens, principais e secundários, desta história e de "Água".

AdJ- Adelino Jorge; JqJ - Joaquim Jorge; PP- Padre Parente; AnJ- António Jorge; MnM- Manuel Marcos; JSJ- José Jorge; AnM- António Marcos; JAs- José Ascenção; JsA- José Ambrósio; JoM- João Marcos; JsM- José Marcos.

Um salto no conto vai levar-nos à ruela do Passadiço e à esquina da Igreja da Misericórdia, onde António, perseguido por se afoitar em freguesia alheia, em namoros atrevidos, clamou pelo socorro do "Muxano".

E o tempo passou: António "assentou do juízo", como se diz por Manteigas, casou-se, arranjou melhor emprego, engendrou o Zé, a Teresa pediu-lhe que fizesse uns sapatinhos para o menino, o antigo sapateiro aprimorou-se, e saiu obra perfeita. ("dignos do Menino Jesus", "dignos da montra do senhor Miguel Esteves").


A Milu, entretanto, escondida sob o fato da mãe, ia já dando conta das coisas.

15 de março de 2016

imagens de Linhas Entre Nós III

A Serra da Estrela, que abraça Manteigas pelo norte e pelo nascente, é o cenário mais importante de "Quem Bem Faz Para Si Faz" e de "Viril, Alto", numa evidência que o amor e o ódio, a paz e a guerra são frutos do homem e não da natureza.
Acompanhemos dois dos personagens discretos, os avós Manuel de Jesus e Maria José (na imagem, subindo a Rua do Eirô),
na visita a alguns dos locais referidos nas histórias.
Onde era o ermitério de São Lourenço,
ainda hoje podemos tentar o contacto com o sentimento do divino, convidados pela sua capela, à sombra de árvores seculares.
Já quase à entrada de Manteigas, a capela de Nossa Senhora de Fátima,
respeitosamente saudada pelo narrador da primeira história, que, pouco depois, entra na velha rua da Carreira
(onde teria morado Idalina, de A Lã e a Neve), a caminho de casa.

O planalto de Campo Romão,
chão regado pelo sangue da peleja entre lusitanos e romanos, que culminou na Fraga da Batalha,
está sobrejacente ao vale paradisíaco da Castanheira,
junto ao Munda (Mondego), que o nosso primeiro herói terá escolhido para habitar, a coberto das esculcas invasoras. Na margem direita (à esquerda, na foto) lhe terá sido prestada a homenagem final, com um grito uníssono da Lusitânia.
Convidativo, pela beleza indutora de paz, mantém um apelo a visita demorada.

8 de março de 2016

imagens de Linhas Entre Nós

Livro tecido com muitos personagens bem guardados na memória,  que vão delineando histórias em cenários que não foi preciso inventar, porque não desvendar alguns, correndo o risco de trair a imaginação de cada leitor?
Que me perdoem os que prefeririam não cotejar com a realidade, sabendo que podem sempre optar por não ver o que partilho neste espaço.
No respeito pelos direitos de autor, devo declarar que, para além de arquivo pessoal, apresento imagens que são propriedade de: "Manteigas em Imagens", "Museu Virtual de Manteigas", "Banda Boa União", "Old-postcards", "Joraga" e "Postais Portugal", além de outras fontes da internet, não identificadas.
Comecemos, pois.
A primeira história começa com Jorge Duarte Serra, de quem se escreve que tinha "cara de mata-mouros", era caçador e sapateiro e, ainda orgulhosamente, sócio fundador da Banda Boa União.
O medo o terá obrigado a "meter medo".
Perdeu-se a espingarda, mas a machada ameaçadora continua pronta a cortar.


Os padres Joaquim Dias Parente e José Baylão Pinheiro aparecem como conspiradores benignos, em funções de bons pastores. Figuras notáveis, o primeiro aparece personificado em A Lã e a Neve como Padre Barradas.
A secretária do seu escritório, descrita sucintamente em "Água", continua guardada afetuosamente por mãos saudosas, em Manteigas.
De sua autoria, entoou-se em todo o mundo católico o cântico religioso mais célebre: "Santos Anjos e Arcanjos". O texto cita ainda partes do "Hino à Imaculada Conceição" que, sessenta anos após a sua morte, continua a cantar-se na Igreja de Santa Maria.
Seu braço direito, Bernardo Marcos Leitão, foi artista ímpar e inesquecível.
Foram homenageados com a atribuição de nomes a uma rua e largo contíguos, nas imediações da Igreja que lhe uniu os destinos e a vida.
Do templo antigo há registo de vista parcial que mostra a rua e, ao fundo, o largo mencionados. A chave, extraordinária, da porta desse edifício antigo está também à guarda de gente cuidadosa da vila.

O Eirô, também celebrado por Ferreira de Castro, aparece como lugar capital, ou importante, em quatro das histórias; naturalmente, por se tratar de um dos núcleos mais antigos da vila.
No Eirô, ao cimo da quelha,
se arma a discussão entre as moradoras e o funcionário da Câmara, incendiando um dos focos da rebelião.
No Eirô mora o pequeno aprendiz de sapateiro, e no Eirô, na Praça da Louça, está a oficina onde começa a labutar.
No Eirô mora Manuel de Jesus (e morei eu durante seis anos).
No mesmo sítio, em tempos de exageros republicanos, Manuel Marcos Leitão (na foto)
escondeu a custódia de ouro da Igreja de Santa Maria, ainda hoje usada em cerimónias religiosas de maior pompa.
Curiosidades associadas ao conto "Água" são ainda a menção da Casa das Obras,
solar de referência em Manteigas, e o personagem Joaquim da Cruz, secretário da Câmara.
No que se refere ao funcionário inteligente e dedicado, à falta de imagem disponível, deixo a capa de um livro que, provavelmente, todos conhecemos. Um dos autores, Cruz Filipe, é filho do homem zeloso que ainda conheci, porque, aposentado, continuava, com pontualidade inultrapassável, a ir ajudar com a sua experiência; ainda aprendi algumas coisas com ele.

22 de janeiro de 2014

IMAGENS DE "A LÃ E A NEVE" 3

Façamos companhia a Horácio, a subir o Vale do Zêzere (Manteigas é a mancha clara, ao fundo), na companhia do "Piloto", coxeando, até ao Covão da Ametade (designação incorreta no Romance), aonde vai encontrar-se com o Tónio.

Apontando à Ribeira, vai saindo da Vila, depois de ter descido do Eirô.
Mil e duzentas passadas depois, aparece à esquerda, a Capela da Senhora dos Verdes. (À direita veem-se as janelas da casa do senhor Francisco Esteves G. de Carvalho, "Vasco da Gama Sotomayor"?)
que desgostoso com a pequenez da Capelinha antiga, decidiu, já nos anos sessenta, arrasá-la e mandar construir, no mesmo lugar, coisa que se visse. Salvou-se a Carvalha multicentenária (ou milenar?) que chegou a estar condenada por várias vezes, mas lá continua, frágil, mas viva e de pé, frente à capela..
(As janelas do casarão lá continuam a espreitar, à direita).

Continuemos a acompanhar o "nosso" pastor e o seu cão.

Passada a zona da Senhora dos Verdes, e depois da conversa com Idalina, em terreno junto ao rio, passou por cima dos edifícios das Caldas de Manteigas.
Construções modernizadas e bem apetrechadas na atualidade, Horácio, viu-as assim: clique AQUI (foto protegida com direitos de autor).
Atravessou, logo de seguida, o Rio Zêzere, para a margem direita, pela Ponte.
Duas curvas sinuosas e bem subidas, e, logo à direita, o engenho industrial, movido a água, pertencente aos Pereiras. Clique AQUI (foto protegida por direitos de autor)
Também a eles metera empenhos o Sr.Vigário, sem resultado.
(Padrinhos de minha Mãe, ainda conheci, por dentro, esta fábrica movida a água; de tal forma espantoso o mecanismo que, apesar de criança, nunca mais o esqueci). Hoje é unidade hoteleira adstrita às Caldas de Manteigas / Inatel).
Ribeira acima, viu, junto ao Rio, uma corte do "Valadares". Assobiou. Não estava ninguém. Encontrou-o, estranhamente, pouco depois.
Moído de saudades e preocupações, lá foi, puxando pelas pernas, até ao Covão da Ametade, onde encontrou o Tónio. Ainda não escurecera...



IMAGENS DE "A LÃ E A NEVE"

A leitura ficcional sugere as imagens reais que a inspiraram.
Trago-lhes algumas claramente referenciadas no texto.
O senhor PADRE BARRADAS, vigário de Santa Maria, a quem Horácio foi pedir empenhamento na obtenção de trabalho numa das fábricas de Manteigas.

De seu verdadeiro nome, Padre Joaquim Dias Parente. Músico distinto, chegou a reger o Coro Papal, em visita a Roma. Compôs um cântico religioso que se universalizou, "Santos Anjos e Arcanjos". Com a colaboração preciosíssima do seu Sacristão, Bernardo Marcos Leitão, impulsionou a Arte e a Cultura em Manteigas. Têm nomes em Largo e Rua contíguos. Casou meus avós e meus pais e ainda me batizou. Faleceu dois dias antes de eu fazer 6 anos, a ouvir, de pessoas próximas, o cântico que o imortalizou.

A IGREJA DE SANTA MARIA, cujo sino se vai ouvindo, aqui e ali, no romance. Sob a soleira da porta de entrada ficou enterrada uma lápide romana indicando templo dedicado a Lúcifer. É assim na atualidade, com duas torres, decorrente de obra do Sr. Padre Parente:
Ao tempo do romance, tinha apenas a torre da direita; era menos ampla e tinha acabamentos mais rústicos como pode ver clicando AQUI (foto protegida por direitos de autor).

O EIRÔ (com escrita errada no Romance) é um dos centros de ação. Dos núcleos mais antigos da vila, aqui moram Horácio e Idalina, por aqui se encontram e namoram.


Raras habitações conservam a traça e caraterísticas antigas; também muitas das ruas já se alargaram. Quelhas (não pátios) foram arrasadas sem porquê.