A ÁRVORE
Semelhante à sombra do homem,
assim chego à luz das chamas. Ardo
em dúvida, múltiplo e dividido,
e também ouço o barulho dos que medem
a dupla distância: da razão à loucura,
da cabeça aos pés.
Na verdade, os áridos olhos evitam o
azul,
a cor uníssona,
e rendem ao túmulo solar o culto
da sua própria abertura.
Pródigos em sagrado
para que eu, receosamente, nomeie
os grandes braços da tempestade.
NUNO JÚDICE, O Mecanismo Romântico da Fragmentação (1975)