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23 de outubro de 2023

POESIA EM LÍNGUA PORTUGUESA, século XX (16)

 

A ÁRVORE

 

Semelhante à sombra do homem,

assim chego à luz das chamas. Ardo

em dúvida, múltiplo e dividido,

e também ouço o barulho dos que medem

a dupla distância: da razão à loucura,

da cabeça aos pés.

Na verdade, os áridos olhos evitam o azul,

a cor uníssona,

e rendem ao túmulo solar o culto

da sua própria abertura.

Pródigos em sagrado

para que eu, receosamente, nomeie

os grandes braços da tempestade.

 

NUNO JÚDICE, O Mecanismo Romântico da Fragmentação (1975)