24 de janeiro de 2026

101 poemas portugueses - #75

 

ARDE UM FULGOR EXTINTO

Arde um fulgor extinto
no longe da tarde agoniada.
Não me pesaria tanto
a caminhada se, em lugar do dia,
no seu extremo achasse a noite.

Exacta e concisa é a claridade.
Não mente à luz o que a noite
ilude. Terrível destino
o de quem é nocturno à luz solar.

Não vos ponha em cuidado,
porém, este meu penar:

são palavras e não sangram
.

Rui Knopfli (Inhambane, 1932 - Lisboa, 1997)
Mangas Verdes com Sal (1969)

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