15 de março de 2016

imagens de Linhas Entre Nós III

A Serra da Estrela, que abraça Manteigas pelo norte e pelo nascente, é o cenário mais importante de "Quem Bem Faz Para Si Faz" e de "Viril, Alto", numa evidência que o amor e o ódio, a paz e a guerra são frutos do homem e não da natureza.
Acompanhemos dois dos personagens discretos, os avós Manuel de Jesus e Maria José (na imagem, subindo a Rua do Eirô),
na visita a alguns dos locais referidos nas histórias.
Onde era o ermitério de São Lourenço,
ainda hoje podemos tentar o contacto com o sentimento do divino, convidados pela sua capela, à sombra de árvores seculares.
Já quase à entrada de Manteigas, a capela de Nossa Senhora de Fátima,
respeitosamente saudada pelo narrador da primeira história, que, pouco depois, entra na velha rua da Carreira
(onde teria morado Idalina, de A Lã e a Neve), a caminho de casa.

O planalto de Campo Romão,
chão regado pelo sangue da peleja entre lusitanos e romanos, que culminou na Fraga da Batalha,
está sobrejacente ao vale paradisíaco da Castanheira,
junto ao Munda (Mondego), que o nosso primeiro herói terá escolhido para habitar, a coberto das esculcas invasoras. Na margem direita (à esquerda, na foto) lhe terá sido prestada a homenagem final, com um grito uníssono da Lusitânia.
Convidativo, pela beleza indutora de paz, mantém um apelo a visita demorada.

13 de março de 2016

Mais Linhas Entre Nós

"- Ai é?! Mil litros?!
Passou-se a palavra, e a partir desse dia, a Josefa do Estêvão, a Maria José Marcos, a mulher do José Espanhol, a Antónia do Bernardo e outras vizinhas e amigas passaram a calcular, dia a dia, o consumo de água como se fosse azeite, (indo amparando com uns cântaros da fonte, para que os mil litros de direito dêem para comida, bebidas e lavagens, porque, para os trapos, o ribeiro leva muita, graças a Deus.) " in Linhas entre Nós, J. A. Marcos Serra, Ed. de autor, 2015, P. 58
  Tal como me desejou, José Serra, na sua dedicatória, a leitura deste livro trouxe-me verdadeiros momentos de prazer e motivação bastante para "ir conhecer a terra e serras lindas que lhe serviram de cenário."
  Diz Fernando Faria, que este livro é um verdadeiro tratado de antropologia pelo manancial de informações que nos traz. É verdade.
   Para mim, lisboeta de três costados, o "ir à terra" foi durante muito tempo algo insignificante e sem valor, pelo desconhecido a que a expressão me remetia. Até ao dia em que me tomei de amores por um Alentejano e finalmente, fui à terra. Apreendi então, outro mundo de cores, cheiros, sons, histórias de vida e costumes...E de algum modo senti-me ligada a tudo como se sempre tivesse feito parte de mim.
   Obrigada José, por todas as linhas que tanto me acrescentaram. Fiquei com saudades da terra!


Aqui fica um rabisco que fiz do José na sessão de leitura de A Missão.

Foi um comentário polémico o do José... ;)

11 de março de 2016

imagens de Linhas Entre Nós - II

O conto, O Senhor de Pera e Bigode,

além de uma história singela, pode ser um pequeno roteiro turístico local, que canta as belezas e grandiosidade da Serra da Estrela.
Acompanhe, antes de mais, a caminhada longa e paciente que Ti Simão faz, acompanhado do Fiel, subindo a encosta íngreme, de Manteigas até às proximidades do Seixo Branco (no mapa, em linha laranja).












Passará pelo Observatório Meteorológico (popularmente, Casa das Gadanhas), pela Casa da Fraga
 (primeiro Sanatório experimental, por iniciativa do Dr. Sousa Martins), com a Fraga da Cruz a impor-se, de vários ângulos, à sua admiração  curiosa e aventureira.
Do seu cume, a vila parece despenhada lá no fundo, depois de um voo no vazio: arrepie-se.
Acompanhará o pastor a ver o despertar do dia, com o sol a refletir-se no fraguedo das Penhas Douradas em refulgências inesquecíveis.















Sentir-se-á esmagado pelo volume ciclópico do Frade e Freira, perdidos na serrania, a contemplarem a Fraga da Cruz, ali perto, e o Fragão do Corvo, já vizinho da Villa Alzira, onde Afonso Costa se resguarda da voragem da política, em busca de paz e, quem sabe, de algum arrependimento, sucumbindo à dúvida que inquieta.
Naquela noite, depois da conversa com o pastor, saiu de casa, vigiado pela Dourada, sua cadela de estimação, subiu ao Fragão do Corvo, e, esmagado pela calote de estrelas e a visão bruxuleante de Manteigas, lá no fundão do Zêzere, (disse a guardiã), chorou.

o dia da morte de Manuel da Fonseca

Manuel da Fonseca morreu em Lisboa, no dia 11 de Março de 1993

8 de março de 2016

imagens de Linhas Entre Nós

Livro tecido com muitos personagens bem guardados na memória,  que vão delineando histórias em cenários que não foi preciso inventar, porque não desvendar alguns, correndo o risco de trair a imaginação de cada leitor?
Que me perdoem os que prefeririam não cotejar com a realidade, sabendo que podem sempre optar por não ver o que partilho neste espaço.
No respeito pelos direitos de autor, devo declarar que, para além de arquivo pessoal, apresento imagens que são propriedade de: "Manteigas em Imagens", "Museu Virtual de Manteigas", "Banda Boa União", "Old-postcards", "Joraga" e "Postais Portugal", além de outras fontes da internet, não identificadas.
Comecemos, pois.
A primeira história começa com Jorge Duarte Serra, de quem se escreve que tinha "cara de mata-mouros", era caçador e sapateiro e, ainda orgulhosamente, sócio fundador da Banda Boa União.
O medo o terá obrigado a "meter medo".
Perdeu-se a espingarda, mas a machada ameaçadora continua pronta a cortar.


Os padres Joaquim Dias Parente e José Baylão Pinheiro aparecem como conspiradores benignos, em funções de bons pastores. Figuras notáveis, o primeiro aparece personificado em A Lã e a Neve como Padre Barradas.
A secretária do seu escritório, descrita sucintamente em "Água", continua guardada afetuosamente por mãos saudosas, em Manteigas.
De sua autoria, entoou-se em todo o mundo católico o cântico religioso mais célebre: "Santos Anjos e Arcanjos". O texto cita ainda partes do "Hino à Imaculada Conceição" que, sessenta anos após a sua morte, continua a cantar-se na Igreja de Santa Maria.
Seu braço direito, Bernardo Marcos Leitão, foi artista ímpar e inesquecível.
Foram homenageados com a atribuição de nomes a uma rua e largo contíguos, nas imediações da Igreja que lhe uniu os destinos e a vida.
Do templo antigo há registo de vista parcial que mostra a rua e, ao fundo, o largo mencionados. A chave, extraordinária, da porta desse edifício antigo está também à guarda de gente cuidadosa da vila.

O Eirô, também celebrado por Ferreira de Castro, aparece como lugar capital, ou importante, em quatro das histórias; naturalmente, por se tratar de um dos núcleos mais antigos da vila.
No Eirô, ao cimo da quelha,
se arma a discussão entre as moradoras e o funcionário da Câmara, incendiando um dos focos da rebelião.
No Eirô mora o pequeno aprendiz de sapateiro, e no Eirô, na Praça da Louça, está a oficina onde começa a labutar.
No Eirô mora Manuel de Jesus (e morei eu durante seis anos).
No mesmo sítio, em tempos de exageros republicanos, Manuel Marcos Leitão (na foto)
escondeu a custódia de ouro da Igreja de Santa Maria, ainda hoje usada em cerimónias religiosas de maior pompa.
Curiosidades associadas ao conto "Água" são ainda a menção da Casa das Obras,
solar de referência em Manteigas, e o personagem Joaquim da Cruz, secretário da Câmara.
No que se refere ao funcionário inteligente e dedicado, à falta de imagem disponível, deixo a capa de um livro que, provavelmente, todos conhecemos. Um dos autores, Cruz Filipe, é filho do homem zeloso que ainda conheci, porque, aposentado, continuava, com pontualidade inultrapassável, a ir ajudar com a sua experiência; ainda aprendi algumas coisas com ele.

6 de março de 2016

Ainda acerca da memorável sessão de 4 de Março...


LINHAS ENTRE NÓS é um livro muito especial. Acima de tudo, porque se trata de uma partilha de experiências de vida do autor, nos seus já remotos tempos de infância. 
Ao lê-lo, sentimo-nos transportados para uma casa serrana de granito, numa qualquer noite de invernia, onde, sentados à lareira num rústico banco de pinho e envoltos em odores de resinas e rosmaninho, escutamos histórias de encantar, enquanto comiscamos castanhas assadas no borralho, acompanhadas de jeropiga, servida em copos de vidro grosso e cheios de dedadas.
Para além do prazer da leitura (o livro está repleto de excelentes nacos de prosa), obras como esta - verdadeiros tratados de antropologia e etnografia - proporcionam mananciais de informação acerca de povos, lugares, costumes e épocas, que, se não for registada, corre o risco de perder-se para sempre.

Acho a infância de José M. Serra, tão bem retratada neste livro, comparável à minha, que lhe foi coeva, ainda que passada numa aldeia da Beira Litoral. Pela modéstia no viver, pela escassez de tudo, pela envolvência e cumplicidade com a terra, as pedras, as árvores, os bichos, pela solidariedade entre as pessoas, pela magia das noites de luar, pelo temor das trovoadas, pelo deslumbramento do nascer do Sol, pelo prazer inenarrável de comer a fruta da própria árvore...

Ler LINHAS ENTRE NÓS deixou-me uma forte vontade de revisitar Manteigas e a majestosa Estrela (de preferência guiado pelo Zé Serra).

Fernando Faria

3 de março de 2016

LINHAS ENTRE NÓS

"Quem, a partir dali, deslizasse os olhos para a direita, veria que a noite fora violada por fogueira mole, de crepitar surdo. À volta, com o ar fantasmagórico que o bruxulear do fogo imprime às coisas, treze homens estavam sentados sobre troncos derrubados, dispostos no espaço, em ferradura gigantesca. O som das vozes é baixo, e todo aquele enigma dá vontade de aproximar, intentando ouvir.
«...e volto a repetir que o general dos romanos não nos merece confiança... ou já esqueeram, alguns de vós, o número de vidas que nos custou o ter acreditado em emissários de Roma?!...»"

(Viril, Alto, pg. 116)



2 de março de 2016

o dia da morte de Goethe

Goethe na Campagna Romana, por Johann Heinrich Tischbein (1787)
Goethe morre em Weimar, em 22 de Março de 1832

22 de fevereiro de 2016

o dia da morte de Stefan Zweig


Stefan Zweig suicidou-se em Petrópolis, RJ, em 22 de Fevereiro de 1942

13 de fevereiro de 2016

Vergílio Ferreira nasceu há cem anos

A propósito do centenário do nascimento do escritor, em Melo, Gouveia, convido a visualizar a reportagem elaborada pela RTP, em:
http://www.rtp.pt/noticias/centenario-vergilio-ferreira/melo-lugar-de-nascimento_v890166.
Que valha o tempo.

9 de fevereiro de 2016

o dia da morte de Dostoievski


Fiódor Dostoievski morreu a 9 de Fevereiro de 1881, em São Petersburgo.
Dele leu-se O Jogador.

31 de janeiro de 2016

"TRÊS VIDAS AO ESPELHO"

Comecei hoje a ler. Continuo a ler. Acho que vale a pena.
«Nesse tempo a minha aldeia era núbil. E encarrapata como a loiça da cozinha. Todos os lares eram ajardinados de asados que dignificavam a luz bojuda do petróleo. Nesses asados às vezes escondiam-se crianças. As mais fraquinhas morriam. Eram anjinhos que nunca mais voltavam. Os caixõezinhos brancos eram um luxo que durava dez anos. Entretanto as pessoas passavam fome. Uma fome que consolidava tudo: dentes, unhas, tempo, moedas.» (p. 40)

29 de janeiro de 2016

O Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro (2008-2015)


Por géneros
(84 livros, Maio de 2008 - Dezembro 2015)

Nota: fiz mais duas estatísticas, por épocas e por nacionalidades, mas perdi os papéis...

8 de janeiro de 2016

assim começa O SENHOR DOS NAVEGANTES

«Branca, airosa, pequenita, erguida sobre o tope de uma colina, a Capela do Senhor dos Navegantes divisava-se de longe, como um farol.»

Ferreira de Castro, O Senhor dos Navegantes (1954), Lisboa, Expo'98, 1998, p. 7.

6 de janeiro de 2016

o início de A MISSÃO

«O edifício, velho e longo, muito longo e dum só piso, parecia querer mostrar que a sua Missão, justamente por ser celeste, devia agarrar-se à Terra, estender-se bem na Terra, para extrair a alma dos homens que nela viviam.»

Ferreira de Castro, A Missão (1954), Mem Martins, Publicações Europa-América, 1971, p. 9.

29 de dezembro de 2015

ÀS CHAGAS, Frei Agostinho da Cruz

Divinas mãos e pés, peito rasgado,
Chagas em brandas carnes imprimidas,
Meu Deus, que, por salvar almas perdidas,
Por elas quereis ser crucificado.

Outra fé, outro amor, outro cuidado,
Outras dores às Vossas são devidas,
Outros corações limpos, outras vidas,
Outro querer no Vosso transformado.

Em vós se encerrou toda a piedade,
Ficou no mundo só toda a crueza,
Por isso cada um deu o que tinha:

Claros sinais de amor, ah, saudade!
Minha consolação, minha firmeza,
Chagas do meu Senhor, redenção minha.

in José Régio, Poesia de Ontem e de Hoje para o Nosso Povo Ler, Lisboa, Campanha Nacional de Educação de Adultos, 1956, pp. 24-25.
Lido na sessão de 4 de Dezembro de 2015.

7 de dezembro de 2015

2 de dezembro de 2015

VINTE E QUATRO HORAS NA VIDA DE UMA MULHER

"Nesse momento, do interior, a chave deslizou na fechadura e o porteiro do hotel abriu a porta.
-Vem daí! - disse então, bruscamente, o rapaz, numa voz dura, decidida, irritada.
Eu senti em volta do meu pulso o anel de ferro dos seus dedos. Fiquei transida de medo, de tal modo paralisada, como se um raio me tivesse fulminado ou me tivesse feito perder a cabeça.
Quis defender-me, soltar-me... mas a minha vontade estava inerte... e eu... o senhor compreende... tive vergonha diante do porteiro - que se mostrava impaciente - de estar para ali a discutir com um estranho. E assim... assim... encontrei-me, de súbito, dentro do hotel. Quis falar, dizer qualquer coisa, mas a voz abafou-se-me na garganta."



Até sexta!

9 de novembro de 2015

Turguénev, 197

Ivan Turguénev nasceu em Orel (Rússia) em 9 de Novembro de 1818

6 de novembro de 2015

assim começa EVA

«O que ameaçava ser uma gelada noite de Inverno já caía sobre Lisboa e ainda Luís Henriques e eu buscávamos a Mãe d'Água e uma taberna que lhe tinham recomendado, mas apenas se lembrava de ter a emblemática designação de Chafariz do Vinho.»

Germano Almeida, Eva, Lisboa, Editorial Caminho, 2006.

12 de outubro de 2015

A CASA BRANCA NAU PRETA ...

Álvaro de Campos imaginado por Almada Negreiros (do painel de azulejos na entrada da Faculdade de Letras de Lisboa)
 
Poema lido na sessão de Felicidade na Austrália, de Liberto Cruz. O título do livro foi extraído do último verso do poema. Ver aqui:


2 de outubro de 2015

Liberto Cruz, FELICIDADE NA AUSTRÁLIA

Um livro de contos transbordante de humor, por vezes felliniano, mas também com uma idiossincrasia muito portuguesa. À memória chegaram-me passagens de O que Diz Molero, de Dinis Machado, e a «Trilogia dos Cafés», de Álvaro Guerra.
Liberto Cruz, mais conhecido como ensaísta e investigador literário (Júlio Dinis, Ruben A., Blaise Cendrars) e poeta, traz para a literatura portuguesa uma nova região literária: não a Austrália -- o título é retirado dum verso do Pessoa/Álvaro de Campos, citado em epígrafe --, não o país dos cangurus, mas o «Estado Independente de Penaferrim», ele próprio um microcosmos do Portugal do tempo do Estado Novo. Liberto Cruz, nascido há oitenta anos na conhecida freguesia sintrense de São Pedro de Penaferrim, ficciona as suas memórias do lugar com um distanciamento nada nostálgico -- ou, se alguma nostalgia puder vislumbrar-se, estará filtrada pelo estranhamento do tempo e da distância, a distância de quem tem mais mundos, outros mundos.

1 de outubro de 2015

Felicidade na Austrália

Para a sessão de amanhã, o início dos contos de Felicidade na Austrália, de Liberto Cruz:

O moço do cego: «Faltava um mês para a corrida pedestre Légua de Penaferrim e o Figueiredo já tinha preenchido duas folhas de papel com o nome dos apostadores.»
A última ceia: «Conheci o Benjamim Baleia quando ninguém lhe chamava marquês, nem morava num palacete.»
O eléctrico: «Quando a Carlota, a mais velha das irmãs Prazeres, apareceu grávida, ninguém se inquietou em Penaferrim: estavam habituados ao forrobodó daquela família.»
Deolinda: «Ao entrar no segundo ano de viuvez, Deolinda da Silveira Lopes interrompeu o luto pelo seu defunto marido, Delfim Serrano Lopes.»
A casa de pasto: «Havia três tabernas em Penaferrim quando o Vasco Pé Curto abriu uma casa de pasto na antiga barbearia do Azevedo Costa, falecido sem deixar herdeiros.»
A condessa: «Devia ter uns doze ou treze anos, quando conheci a condessa.»
Dois cavalos e um boi: «Primeiro foram as cartas anónimas.»
Sete sopas: «Numa tarde chuvosa de Dezembro, estava o regedor de Penaferrim a jogar à bisca na taberna do Gaguinhas quando o ajudante da Junta de Freguesia interompeu a partida.»
Os falsos pides: «No dia 27 de Julho de 1974, a polícia militar prendeu o droguista Crispim na casa de um compadre onde festejava o aniversário da afilhada.»
Cabeça e pés: «Libânio Patrocínio Alves dos Reis Alvarenga era conhecido em Penaferrim pelo Cabeça Grande
Júlio Petróleo: «Tinham o mesmo nome: Júlio.»
Os gémeos: «Num fim de tarde, de uma Primavera quente, as gémeas Clara e Lúcia Fradinho disseram aos pais que gostariam de casar no dia de S. Pedro.»
É a vida: «Entre dois copos de vinho tinto, o Paulino Casinhas disse, na taberna do Fonseca, que ia emigrar para França, mas ninguém lhe prestou atenção.»
Adolfo versus Bife: «O Adolfo não era Alemão nem o Bife era Inglês.»

Liberto Cruz, Felicidade na Austrália, Lisboa, Editorial Estampa, 2014.