Manuel da Fonseca morreu em Lisboa, no dia 11 de Março de 1993
11 de março de 2016
o dia da morte de Manuel da Fonseca
8 de março de 2016
imagens de Linhas Entre Nós
Livro tecido com muitos personagens bem guardados na memória, que vão delineando histórias em cenários que não foi preciso inventar, porque não desvendar alguns, correndo o risco de trair a imaginação de cada leitor?
Que me perdoem os que prefeririam não cotejar com a realidade, sabendo que podem sempre optar por não ver o que partilho neste espaço.
No respeito pelos direitos de autor, devo declarar que, para além de arquivo pessoal, apresento imagens que são propriedade de: "Manteigas em Imagens", "Museu Virtual de Manteigas", "Banda Boa União", "Old-postcards", "Joraga" e "Postais Portugal", além de outras fontes da internet, não identificadas.
Comecemos, pois.

A primeira história começa com Jorge Duarte Serra, de quem se escreve que tinha "cara de mata-mouros", era caçador e sapateiro e, ainda orgulhosamente, sócio fundador da Banda Boa União.
O medo o terá obrigado a "meter medo".
Perdeu-se a espingarda, mas a machada ameaçadora continua pronta a cortar.

Os padres Joaquim Dias Parente e José Baylão Pinheiro aparecem como conspiradores benignos, em funções de bons pastores. Figuras notáveis, o primeiro aparece personificado em A Lã e a Neve como Padre Barradas.
A secretária do seu escritório, descrita sucintamente em "Água", continua guardada afetuosamente por mãos saudosas, em Manteigas.
De sua autoria, entoou-se em todo o mundo católico o cântico religioso mais célebre: "Santos Anjos e Arcanjos". O texto cita ainda partes do "Hino à Imaculada Conceição" que, sessenta anos após a sua morte, continua a cantar-se na Igreja de Santa Maria.
Seu braço direito, Bernardo Marcos Leitão, foi artista ímpar e inesquecível.
Foram homenageados com a atribuição de nomes a uma rua e largo contíguos, nas imediações da Igreja que lhe uniu os destinos e a vida.
Do templo antigo há registo de vista parcial que mostra a rua e, ao fundo, o largo mencionados. A chave, extraordinária, da porta desse edifício antigo está também à guarda de gente cuidadosa da vila.
O Eirô, também celebrado por Ferreira de Castro, aparece como lugar capital, ou importante, em quatro das histórias; naturalmente, por se tratar de um dos núcleos mais antigos da vila.
No Eirô, ao cimo da quelha,
se arma a discussão entre as moradoras e o funcionário da Câmara, incendiando um dos focos da rebelião.
No Eirô mora o pequeno aprendiz de sapateiro, e no Eirô, na Praça da Louça, está a oficina onde começa a labutar.
No Eirô mora Manuel de Jesus (e morei eu durante seis anos).
No mesmo sítio, em tempos de exageros republicanos, Manuel Marcos Leitão (na foto)
escondeu a custódia de ouro da Igreja de Santa Maria, ainda hoje usada em cerimónias religiosas de maior pompa.
Curiosidades associadas ao conto "Água" são ainda a menção da Casa das Obras,
solar de referência em Manteigas, e o personagem Joaquim da Cruz, secretário da Câmara.
No que se refere ao funcionário inteligente e dedicado, à falta de imagem disponível, deixo a capa de um livro que, provavelmente, todos conhecemos. Um dos autores, Cruz Filipe, é filho do homem zeloso que ainda conheci, porque, aposentado, continuava, com pontualidade inultrapassável, a ir ajudar com a sua experiência; ainda aprendi algumas coisas com ele.
Que me perdoem os que prefeririam não cotejar com a realidade, sabendo que podem sempre optar por não ver o que partilho neste espaço.
No respeito pelos direitos de autor, devo declarar que, para além de arquivo pessoal, apresento imagens que são propriedade de: "Manteigas em Imagens", "Museu Virtual de Manteigas", "Banda Boa União", "Old-postcards", "Joraga" e "Postais Portugal", além de outras fontes da internet, não identificadas.
Comecemos, pois.

O medo o terá obrigado a "meter medo".Perdeu-se a espingarda, mas a machada ameaçadora continua pronta a cortar.

Os padres Joaquim Dias Parente e José Baylão Pinheiro aparecem como conspiradores benignos, em funções de bons pastores. Figuras notáveis, o primeiro aparece personificado em A Lã e a Neve como Padre Barradas.
A secretária do seu escritório, descrita sucintamente em "Água", continua guardada afetuosamente por mãos saudosas, em Manteigas.
De sua autoria, entoou-se em todo o mundo católico o cântico religioso mais célebre: "Santos Anjos e Arcanjos". O texto cita ainda partes do "Hino à Imaculada Conceição" que, sessenta anos após a sua morte, continua a cantar-se na Igreja de Santa Maria.
Seu braço direito, Bernardo Marcos Leitão, foi artista ímpar e inesquecível.
Foram homenageados com a atribuição de nomes a uma rua e largo contíguos, nas imediações da Igreja que lhe uniu os destinos e a vida.
Do templo antigo há registo de vista parcial que mostra a rua e, ao fundo, o largo mencionados. A chave, extraordinária, da porta desse edifício antigo está também à guarda de gente cuidadosa da vila.
No Eirô, ao cimo da quelha,
se arma a discussão entre as moradoras e o funcionário da Câmara, incendiando um dos focos da rebelião.
No Eirô mora o pequeno aprendiz de sapateiro, e no Eirô, na Praça da Louça, está a oficina onde começa a labutar.
No Eirô mora Manuel de Jesus (e morei eu durante seis anos).
No mesmo sítio, em tempos de exageros republicanos, Manuel Marcos Leitão (na foto)escondeu a custódia de ouro da Igreja de Santa Maria, ainda hoje usada em cerimónias religiosas de maior pompa.
Curiosidades associadas ao conto "Água" são ainda a menção da Casa das Obras,
solar de referência em Manteigas, e o personagem Joaquim da Cruz, secretário da Câmara.
No que se refere ao funcionário inteligente e dedicado, à falta de imagem disponível, deixo a capa de um livro que, provavelmente, todos conhecemos. Um dos autores, Cruz Filipe, é filho do homem zeloso que ainda conheci, porque, aposentado, continuava, com pontualidade inultrapassável, a ir ajudar com a sua experiência; ainda aprendi algumas coisas com ele.
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6 de março de 2016
Ainda acerca da memorável sessão de 4 de Março...
LINHAS ENTRE NÓS é um livro muito especial. Acima de tudo, porque se trata de uma partilha de experiências de vida do autor, nos seus já remotos tempos de infância.
Ao lê-lo, sentimo-nos transportados para uma casa serrana de granito, numa qualquer noite de invernia, onde, sentados à lareira num rústico banco de pinho e envoltos em odores de resinas e rosmaninho, escutamos histórias de encantar, enquanto comiscamos castanhas assadas no borralho, acompanhadas de jeropiga, servida em copos de vidro grosso e cheios de dedadas.
Para além do prazer da leitura (o livro está repleto de excelentes nacos de prosa), obras como esta - verdadeiros tratados de antropologia e etnografia - proporcionam mananciais de informação acerca de povos, lugares, costumes e épocas, que, se não for registada, corre o risco de perder-se para sempre.
Acho a infância de José M. Serra, tão bem retratada neste livro, comparável à minha, que lhe foi coeva, ainda que passada numa aldeia da Beira Litoral. Pela modéstia no viver, pela escassez de tudo, pela envolvência e cumplicidade com a terra, as pedras, as árvores, os bichos, pela solidariedade entre as pessoas, pela magia das noites de luar, pelo temor das trovoadas, pelo deslumbramento do nascer do Sol, pelo prazer inenarrável de comer a fruta da própria árvore...
Ler LINHAS ENTRE NÓS deixou-me uma forte vontade de revisitar Manteigas e a majestosa Estrela (de preferência guiado pelo Zé Serra).
Fernando Faria
3 de março de 2016
LINHAS ENTRE NÓS
"Quem, a partir dali, deslizasse os olhos para a direita, veria que a noite fora violada por fogueira mole, de crepitar surdo. À volta, com o ar fantasmagórico que o bruxulear do fogo imprime às coisas, treze homens estavam sentados sobre troncos derrubados, dispostos no espaço, em ferradura gigantesca. O som das vozes é baixo, e todo aquele enigma dá vontade de aproximar, intentando ouvir.
«...e volto a repetir que o general dos romanos não nos merece confiança... ou já esqueeram, alguns de vós, o número de vidas que nos custou o ter acreditado em emissários de Roma?!...»"
(Viril, Alto, pg. 116)
2 de março de 2016
o dia da morte de Goethe
![]() |
| Goethe na Campagna Romana, por Johann Heinrich Tischbein (1787) |
Goethe morre em Weimar, em 22 de Março de 1832
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22 de fevereiro de 2016
o dia da morte de Stefan Zweig
13 de fevereiro de 2016
Vergílio Ferreira nasceu há cem anos
A propósito do centenário do nascimento do escritor, em Melo, Gouveia, convido a visualizar a reportagem elaborada pela RTP, em:
http://www.rtp.pt/noticias/centenario-vergilio-ferreira/melo-lugar-de-nascimento_v890166.
Que valha o tempo.
http://www.rtp.pt/noticias/centenario-vergilio-ferreira/melo-lugar-de-nascimento_v890166.
Que valha o tempo.
9 de fevereiro de 2016
o dia da morte de Dostoievski
31 de janeiro de 2016
"TRÊS VIDAS AO ESPELHO"
Comecei hoje a ler. Continuo a ler. Acho que vale a pena.
«Nesse tempo a minha aldeia era núbil. E encarrapata como a loiça da cozinha. Todos os lares eram ajardinados de asados que dignificavam a luz bojuda do petróleo. Nesses asados às vezes escondiam-se crianças. As mais fraquinhas morriam. Eram anjinhos que nunca mais voltavam. Os caixõezinhos brancos eram um luxo que durava dez anos. Entretanto as pessoas passavam fome. Uma fome que consolidava tudo: dentes, unhas, tempo, moedas.» (p. 40)
29 de janeiro de 2016
O Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro (2008-2015)
Por géneros
(84 livros, Maio de 2008 - Dezembro 2015)
Nota: fiz mais duas estatísticas, por épocas e por nacionalidades, mas perdi os papéis...
Nota: fiz mais duas estatísticas, por épocas e por nacionalidades, mas perdi os papéis...
8 de janeiro de 2016
assim começa O SENHOR DOS NAVEGANTES
«Branca, airosa, pequenita, erguida sobre o tope de uma colina, a Capela do Senhor dos Navegantes divisava-se de longe, como um farol.»
Ferreira de Castro, O Senhor dos Navegantes (1954), Lisboa, Expo'98, 1998, p. 7.
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6 de janeiro de 2016
o início de A MISSÃO
«O edifício, velho e longo, muito longo e dum só piso, parecia querer mostrar que a sua Missão, justamente por ser celeste, devia agarrar-se à Terra, estender-se bem na Terra, para extrair a alma dos homens que nela viviam.»
Ferreira de Castro, A Missão (1954), Mem Martins, Publicações Europa-América, 1971, p. 9.
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29 de dezembro de 2015
ÀS CHAGAS, Frei Agostinho da Cruz
Divinas mãos e pés, peito rasgado,
Chagas em brandas carnes imprimidas,
Meu Deus, que, por salvar almas perdidas,
Por elas quereis ser crucificado.
Outra fé, outro amor, outro cuidado,
Outras dores às Vossas são devidas,
Outros corações limpos, outras vidas,
Outro querer no Vosso transformado.
Em vós se encerrou toda a piedade,
Ficou no mundo só toda a crueza,
Por isso cada um deu o que tinha:
Claros sinais de amor, ah, saudade!
Minha consolação, minha firmeza,
Chagas do meu Senhor, redenção minha.
in José Régio, Poesia de Ontem e de Hoje para o Nosso Povo Ler, Lisboa, Campanha Nacional de Educação de Adultos, 1956, pp. 24-25.
Lido na sessão de 4 de Dezembro de 2015.
Chagas em brandas carnes imprimidas,
Meu Deus, que, por salvar almas perdidas,
Por elas quereis ser crucificado.
Outra fé, outro amor, outro cuidado,
Outras dores às Vossas são devidas,
Outros corações limpos, outras vidas,
Outro querer no Vosso transformado.
Em vós se encerrou toda a piedade,
Ficou no mundo só toda a crueza,
Por isso cada um deu o que tinha:
Claros sinais de amor, ah, saudade!
Minha consolação, minha firmeza,
Chagas do meu Senhor, redenção minha.
in José Régio, Poesia de Ontem e de Hoje para o Nosso Povo Ler, Lisboa, Campanha Nacional de Educação de Adultos, 1956, pp. 24-25.
Lido na sessão de 4 de Dezembro de 2015.
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7 de dezembro de 2015
Ary dos Santos, 78
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José Carlos Ary dos Santos
2 de dezembro de 2015
VINTE E QUATRO HORAS NA VIDA DE UMA MULHER
"Nesse momento, do interior, a chave deslizou na fechadura e o porteiro do hotel abriu a porta.
-Vem daí! - disse então, bruscamente, o rapaz, numa voz dura, decidida, irritada.
Eu senti em volta do meu pulso o anel de ferro dos seus dedos. Fiquei transida de medo, de tal modo paralisada, como se um raio me tivesse fulminado ou me tivesse feito perder a cabeça.
Quis defender-me, soltar-me... mas a minha vontade estava inerte... e eu... o senhor compreende... tive vergonha diante do porteiro - que se mostrava impaciente - de estar para ali a discutir com um estranho. E assim... assim... encontrei-me, de súbito, dentro do hotel. Quis falar, dizer qualquer coisa, mas a voz abafou-se-me na garganta."
Até sexta!
"Nesse momento, do interior, a chave deslizou na fechadura e o porteiro do hotel abriu a porta.
-Vem daí! - disse então, bruscamente, o rapaz, numa voz dura, decidida, irritada.
Eu senti em volta do meu pulso o anel de ferro dos seus dedos. Fiquei transida de medo, de tal modo paralisada, como se um raio me tivesse fulminado ou me tivesse feito perder a cabeça.
Quis defender-me, soltar-me... mas a minha vontade estava inerte... e eu... o senhor compreende... tive vergonha diante do porteiro - que se mostrava impaciente - de estar para ali a discutir com um estranho. E assim... assim... encontrei-me, de súbito, dentro do hotel. Quis falar, dizer qualquer coisa, mas a voz abafou-se-me na garganta."
Até sexta!
9 de novembro de 2015
Turguénev, 197
6 de novembro de 2015
assim começa EVA
«O que ameaçava ser uma gelada noite de Inverno já caía sobre Lisboa e ainda Luís Henriques e eu buscávamos a Mãe d'Água e uma taberna que lhe tinham recomendado, mas apenas se lembrava de ter a emblemática designação de Chafariz do Vinho.»
Germano Almeida, Eva, Lisboa, Editorial Caminho, 2006.
3 de novembro de 2015
29 de outubro de 2015
nova edição de TERRA FRIA
12 de outubro de 2015
A CASA BRANCA NAU PRETA ...
Álvaro de Campos imaginado por Almada Negreiros (do painel de azulejos na entrada da Faculdade de Letras de Lisboa)
Poema lido na sessão de Felicidade na Austrália, de Liberto Cruz. O título do livro foi extraído do último verso do poema. Ver aqui:
2 de outubro de 2015
Liberto Cruz, FELICIDADE NA AUSTRÁLIA
Um livro de contos transbordante de humor, por vezes felliniano, mas também com uma idiossincrasia muito portuguesa. À memória chegaram-me passagens de O que Diz Molero, de Dinis Machado, e a «Trilogia dos Cafés», de Álvaro Guerra.
Liberto Cruz, mais conhecido como ensaísta e investigador literário (Júlio Dinis, Ruben A., Blaise Cendrars) e poeta, traz para a literatura portuguesa uma nova região literária: não a Austrália -- o título é retirado dum verso do Pessoa/Álvaro de Campos, citado em epígrafe --, não o país dos cangurus, mas o «Estado Independente de Penaferrim», ele próprio um microcosmos do Portugal do tempo do Estado Novo. Liberto Cruz, nascido há oitenta anos na conhecida freguesia sintrense de São Pedro de Penaferrim, ficciona as suas memórias do lugar com um distanciamento nada nostálgico -- ou, se alguma nostalgia puder vislumbrar-se, estará filtrada pelo estranhamento do tempo e da distância, a distância de quem tem mais mundos, outros mundos.
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1 de outubro de 2015
Felicidade na Austrália
Para a sessão de amanhã, o início dos contos de Felicidade na Austrália, de Liberto Cruz:
O moço do cego: «Faltava um mês para a corrida pedestre Légua de Penaferrim e o Figueiredo já tinha preenchido duas folhas de papel com o nome dos apostadores.»
A última ceia: «Conheci o Benjamim Baleia quando ninguém lhe chamava marquês, nem morava num palacete.»
O eléctrico: «Quando a Carlota, a mais velha das irmãs Prazeres, apareceu grávida, ninguém se inquietou em Penaferrim: estavam habituados ao forrobodó daquela família.»
Deolinda: «Ao entrar no segundo ano de viuvez, Deolinda da Silveira Lopes interrompeu o luto pelo seu defunto marido, Delfim Serrano Lopes.»
A casa de pasto: «Havia três tabernas em Penaferrim quando o Vasco Pé Curto abriu uma casa de pasto na antiga barbearia do Azevedo Costa, falecido sem deixar herdeiros.»
A condessa: «Devia ter uns doze ou treze anos, quando conheci a condessa.»
Dois cavalos e um boi: «Primeiro foram as cartas anónimas.»
Sete sopas: «Numa tarde chuvosa de Dezembro, estava o regedor de Penaferrim a jogar à bisca na taberna do Gaguinhas quando o ajudante da Junta de Freguesia interompeu a partida.»
Os falsos pides: «No dia 27 de Julho de 1974, a polícia militar prendeu o droguista Crispim na casa de um compadre onde festejava o aniversário da afilhada.»
Cabeça e pés: «Libânio Patrocínio Alves dos Reis Alvarenga era conhecido em Penaferrim pelo Cabeça Grande.»
Júlio Petróleo: «Tinham o mesmo nome: Júlio.»
Os gémeos: «Num fim de tarde, de uma Primavera quente, as gémeas Clara e Lúcia Fradinho disseram aos pais que gostariam de casar no dia de S. Pedro.»
É a vida: «Entre dois copos de vinho tinto, o Paulino Casinhas disse, na taberna do Fonseca, que ia emigrar para França, mas ninguém lhe prestou atenção.»
Adolfo versus Bife: «O Adolfo não era Alemão nem o Bife era Inglês.»
Liberto Cruz, Felicidade na Austrália, Lisboa, Editorial Estampa, 2014.
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23 de setembro de 2015
«A LÃ E A NEVE, de Ferreira de Castro: a História escreve-se no presente»
Será o tema da minha comunicação no Museu Ferreira de Castro (25, sexta, pelas 18 horas -- estão todos convidados), no âmbito das Jornadas Europeias do Património, este ano dedicado ao Património Industrial.
11 de setembro de 2015
C O N V I T E
Tenho a honra de
convidar para o lançamento do livro Linhas Entre Nós, que será
apresentado no dia 19 de setembro, sábado, às 16H30, no Auditório
da Biblioteca Municipal de Sintra – Casa Mantero – Rua Gomes de
Amorim, 12 – 2710-569 Sintra.
A sessão será
enriquecida com atos culturais e recreativos, seguida de “uma
jeropiga de honra”.
J. A. Marcos Serra
(j.a.marcosserra@gmail.com)
Informações
complementares:
- estacionamento
gratuito no Largo dos Serviços Municipalizados (frente às Finanças
e ao SMAS), ou entre o Centro Cultural Olga Cadaval e a Biblioteca,
na rua Câmara Pestana.
- confluência a
partir das 16H00
- não é necessário
imprimir o Convite
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4 de setembro de 2015
um dos grandes romances portugueses
Quando é que percebemos que um romance é um grande romance? Quando ao fim das primeiras vinte ou trinta páginas verificamos duas coisas: o autor dando muito (ou tudo...) de si, dádiva que recebemos por vezes até com algum pudor; e quando o estilo é um profundo e honesto trabalho sobre a escrita, muitas vezes na corda bamba, pois a literatura com L tem de estar sempre nesse patamar elevado em que o autor a si próprio se desafia.
Vem isto a propósito do romance de João de Melo, Gente Feliz com Lágrimas (1988), saga (ou anti-saga) duma família açoriana. Irmãos com infâncias fechadas e trabalhosas, tiranizadas pelas idiossincrasias paternas; a saída da ilha (uma fuga, no fundo), seminário e convento, guerra em África, emigração para a América, desenraizamento. Alguns triunfos com amargos de boca, na escrita ou na vida. A narrativa flui a várias vozes, a personagem principal, Nuno, seminarista expulso, depois professor e escritor; mas também alguns irmãos, cada um dando a sua perspectiva ao leitor; Nuno e Marta, depois (ex-)marido e (ex-)mulher; e Nuno e o seu duplo, Rui Zinho, pseudónimo com que assina a obra literária.
É um dos grandes romances portugueses do século XX, de extrema poeticidade, elaborando sobre a passagem do tempo, onde, apesar das lágrimas, se vai à procura de alguma felicidade imaginada, construída para além dos traumas.
(postado primeiro aqui: http://12x25.blogspot.pt/2014/06/leituras-de-2014-29-gente-feliz-com.html)
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19 de agosto de 2015
MANHÃS DE INFÂNCIA
Ter-te nas mãos em concha ó Serra
de Sintra verde pomba mansa de heras
manhãs de infância hibernadas
pitosporo a exalar primaveras
paralelas obsessivas derramadas
no tempo escorregadio voz e violino rosto à janela
manto inconsútil nómada sobre castelo e bosques
morrinha orvalho lágrima chorada
pelo coração do mar.
SEM MOLDURA
Maria Almira Medina
11 de agosto de 2015
LINHAS ENTRE NÓS
Sessenta
anos depois de ter começado a ler, arrisquei publicar, em livro, uns
pedaços do que escrevi.
Resultou,
do arrojo, LINHAS ENTRE NÓS, como primeiro trabalho a solo.
Amores
congénitos o motivaram sem reservas. Cuidados paternais o
desbastaram, até quase à dor.
Deixo
o fruto…
(histórias
de gente e da terra, e sentimentos perenes)
…
à apreciação de quem sabe ler.
Vai
nascer oficialmente, em Manteigas, terra-berço, em 15 de agosto, às
21H30, no Ninho de Empresas, espaço agradável para escutar música
e palavras.
Sintra
o reconfirmará, em 19 de setembro, no Auditório da Biblioteca
Municipal (Casa Mantero), às 16H30.
Entretanto,
deixo-lhes: https://youtu.be/jzre7xtQ4rY
J.
A. Marcos Serra
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30 de julho de 2015
Patrick Modiano, 70
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