Denis Diderot nasceu em Langres, na Champagne, em 5 de Outubro de 1713.
5 de outubro de 2012
Diderot, 299
17 de setembro de 2012
José Régio 111
12 de setembro de 2012
LUSITÂNIA, Sophia de Mello Breyner Andresen
Os que avançam de frente para o mar
E nele enterram como uma aguda faca
A proa negra dos seus barcos
Vivem de pouco pão e de luar.
E nele enterram como uma aguda faca
A proa negra dos seus barcos
Vivem de pouco pão e de luar.
in Ana Hatherly, Caminhos da Moderna Poesia Portuguesa, Lisboa, Direcção-Geral do Ensino Primário, s.d.
(lido na sessão de 7 de Setembro de 2012)
10 de setembro de 2012
AS PUPILAS DO SENHOR REITOR
(a Liberto Cruz)
Recusas abandonar essas páginas
O estilo dúctil perfeito enganoso
Na aparência os dramas modelados
Pela elegância das frases rejeitas
A fealdade do presente a
Profanação da inocência
Das crianças o aviltamento
Escravo a prostituição dos
Coetâneos o lixo
Não largas o teu júlio dinis
Mas repara bem escava-lhe a prosa
Maviosa a doce prosódia das personagens
E lerás também a nudez forte da verdade
A miséria moral a velhacaria a cupidez.
(POSTADO TAMBÉM AQUI)
8 de setembro de 2012
Bar cubano cria cocktail gigante em homenagem a Hemingway
via
Ernest Hemingway, que viveu durante cerca de 20 anos em Cuba, foi
homenageado por um bar em Havana que recriou, no dia em que celebraria
113 anos, um daiquiri gigante. Pelas suas dimensões, o cocktail terá conseguido um lugar no Guiness Book Of World Records.
from Blogtailors - o blogue da edição by Booktailors
Os Olhos Castanhos vistos por Alves Coelho
Teus olhos castanhos
de encantos tamanhos
são pecados meus,
são estrelas fulgentes,
brilhantes, luzentes,
caídas dos céus,
Teus olhos risonhos
são mundos, são sonhos,
são a minha cruz,
teus olhos castanhos
de encantos tamanhos
são raios de luz.
Olhos azuis são ciúme
e nada valem para mim,
Olhos negros são queixume
de uma tristeza sem fim,
olhos verdes são traição
são crueis como punhais,
olhos bons com coração
os teus, castanhos leais.
de encantos tamanhos
são pecados meus,
são estrelas fulgentes,
brilhantes, luzentes,
caídas dos céus,
Teus olhos risonhos
são mundos, são sonhos,
são a minha cruz,
teus olhos castanhos
de encantos tamanhos
são raios de luz.
Olhos azuis são ciúme
e nada valem para mim,
Olhos negros são queixume
de uma tristeza sem fim,
olhos verdes são traição
são crueis como punhais,
olhos bons com coração
os teus, castanhos leais.
Os Olhos Castanhos vistos por Júlio Dinis
Morena, morena
Dos olhos castanhos,
Quem te deu morena,
Encantos tamanhos?
Dos olhos castanhos,
Quem te deu morena,
Encantos tamanhos?
Encantos tamanhos
Não vi nunca assim.
Morena, morena
Tem pena de mim.
Tem pena de mim.
Morena, morena
Dos olhos rasgados,
Teus olhos, morena,
São os meus pecados.
Dos olhos rasgados,
Teus olhos, morena,
São os meus pecados.
São os meus pecados
Uns olhos assim.
Morena, morena
Tem pena de mim.
Tem pena de mim.
Morena, morena
Dos olhos galantes,
Teus olhos morena
São dois diamantes.
São dois diamantes.
São dois diamantes
Olhando-me assim.
Morena, morena
Tem pena de mim.
Morena, morena
Dos olhos morenos,
O olhar desses olhos
Concede-me ao menos.
Dos olhos morenos,
O olhar desses olhos
Concede-me ao menos.
Concede-me ao menos
Não sejas assim.
Morena, morena
Tem pena de mim.
Tem pena de mim.
Ray Bradbury homenageado em Marte
A NASA anunciou recentemente que o lugar onde a sonda Curiosity aterrou será designado Bradbury Landing, em homenagem ao autor de The Martian Chronicles, recentemente falecido.Via Blogtailors - o blogue da edição.
7 de setembro de 2012
«As Pupilas do Senhor Reitor», segundo Herculano, Eça e Camilo
Na indispensável Biografia de Júlio Dinis, Liberto Cruz recolhe algumas apreciações contemporâneas sobre As Pupilas do Senhor Reitor, o primeiro romance que lhe saiu dos prelos (1867).
Para Alexandre Herculano tratava-se d'"o primeiro romance português" (p. 129); Eça de Queirós (cuja frase assassina n'As Farpas, à data da morte do escritor notava que este "vive[ra] de leve, escreve[ra] de leve, morre[ra] de leve") defendera ou defenderá (desconheço a data) que As Pupilas "era um livro real. Surgia no meio duma literatura artificial" (ibidem); já Camilo Castelo Branco, em carta a António Feliciano de Castilho, depois de lido "As Pupilas do Abade" (sic) -- era tramado o sacrista do Camilo... -- notava, quem sabe se divertido se despeitado: "Aquilo é rebate de entroixar eu a minha papelada e desempecer a estrada à nova geração" (p. 130)...
Liberto Cruz, Biografia de Júlio Dinis, Lisboa, Círculo de Leitores, 2006.
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6 de setembro de 2012
É a Espanha!...
Na tarde que cai, ergue-se, claro, o latim andaluz dos salmos.
Juan Ramón Jimenez, Platero e Eu, tradução de José Bento, Lisboa, Livros do Brasil, s.d., p. 67.
1 de setembro de 2012
Olhò Júlio Dinis!... (2)
Um frequentador do Clube de Leitura - que já declarou a sua intenção de não faltar à sessão das Pupilas - confraternizando com Júlio Dinis, no Funchal, em Novembro de 2011. Foto minha.
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29 de agosto de 2012
Olhò Júlio Dinis!...
Muito refrescante, em final de férias, a leitura d'As Pupilas do Senhor Reitor, com mais de 150 anos de literatura em cima.
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10 de agosto de 2012
Jorge Amado, 100
21 de julho de 2012
Ernest Hemingway, 123
17 de julho de 2012
Se te dissesse..., Richard Zimler
Se te dissesse
que as andorinhas madrugadoras de Lisboa
me falam das suas alegrias e misérias
na linguagem da pedra e das bougainvilleas
compreender-me-ias?
que as andorinhas madrugadoras de Lisboa
me falam das suas alegrias e misérias
na linguagem da pedra e das bougainvilleas
compreender-me-ias?
O primeiro poema escrito em português pelo autor, a pedido do DN, que queria um breve texto para comemorar o dia de S. António e que falasse dele ou de Lisboa.
Ray Bradbury inspira novo código de Internet
"O código 404, que serve para indicar aos utilizadores de Internet que uma página não se encontra disponível, ou que não é possível encontrar, é provavelmente o mais conhecido da rede. Mas, após o falecimento do autor de Fahrenhein 451, um novo código foi criado em sua homenagem: o 451, que servirá para assinalar páginas de Internet cujo conteúdo não pode ser acedido devido a censura governamental."
in Blogtailors - o blogue da edição
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11 de julho de 2012
AS ROSAS, Sophia de Mello Breyner Andresen
Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.
Um Ramo de Rosas -- Colhidas por José da Cruz Santos na Poesia Portuguesa e Estrangeira, Porto, Modo de Ler, 2010, p. 52
(lido na sessão de 6 de Julho de 2012)
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.
Um Ramo de Rosas -- Colhidas por José da Cruz Santos na Poesia Portuguesa e Estrangeira, Porto, Modo de Ler, 2010, p. 52
(lido na sessão de 6 de Julho de 2012)
7 de julho de 2012
Carlos Daniel apresenta novo livro
O nosso colega de tertúlia Carlos Daniel vai apresentar o seu novo livro na FNAC DO COLOMBO, no dia 15 de Julho - domingo, pelas 18 horas.
Chama-se " A MORTE DO REI DE ESPANHA" e conta a história de um jovem que vê o seu pai injustamente condenado pelos horrosos crimes de Cádis, ocorridos na década de 80, e que elege o rei de Espanha como alvo da sua vingança.
Fala também do tempo e dos acasos, da paixão e das ilusões de que somos capazes e sobre as quais edificamos a nossa vida.
25 de junho de 2012
George Orwell, 109
George Orwell (pseudónimo de Eric Arthur Blair, nasceu em Motihari, Bihar (Índia),
a 25 de Junho de 1903
24 de junho de 2012
Pedro Oom, 86
18 de junho de 2012
TRINDADE COELHO
Por certas razões tenho lido nos últimos dias algumas passagens de In Illo Tempore. Então aqui fica esta espécie de ex-voto que celebra os milagres de Stª Sebenta, no palavrório latino Beataque Maria Sebentacea. Pode encontrar-se a páginas 178 da sétima edição da Portugália Editora.
Um pouco mais à frente, vem o epitáfio a inscrever na sepultura do litógrafo Manuel das Barbas, grande divulgador da ciência dos lentes:
Aqui jaz Manuel; descansa!
Trabalhou muito, e bebeu…
Litografava as sebentas,
Mas foi feliz: – nunca as leu.
Trindade Coelho, 151
14 de junho de 2012
ERGO UMA ROSA..., José Saramago
Ergo uma rosa, e tudo se ilumina
Como a lua não faz nem o sol pode:
Cobra de luz ardente e enroscada
Ou vento de cabelos que sacode.
Ergo uma rosa, e grito a quantas aves
O céu pontuam de ninhos e de cantos,
Bato no chão a ordem que decide
A união dos demos e dos santos.
Ergo uma rosa, um corpo e um destino
Contra o frio da noite que se atreve,
E da seiva da rosa e do meu sangue
Construo perenidade em vida breve.
Ergo uma rosa, e deixo, e abandono
Quanto me dói de mágoas e assombros.
Ergo uma rosa, sim, e ouço a vida
Neste cantar das aves nos meus ombros.
Um Ramo de Rosas -- Colhidas por José da Cruz Santos na Poesia Portuguesa e Estrangeira, Porto, Modo de Ler, 2010.
(lido na sessão de 1 de Junho de 2012)
Como a lua não faz nem o sol pode:
Cobra de luz ardente e enroscada
Ou vento de cabelos que sacode.
Ergo uma rosa, e grito a quantas aves
O céu pontuam de ninhos e de cantos,
Bato no chão a ordem que decide
A união dos demos e dos santos.
Ergo uma rosa, um corpo e um destino
Contra o frio da noite que se atreve,
E da seiva da rosa e do meu sangue
Construo perenidade em vida breve.
Ergo uma rosa, e deixo, e abandono
Quanto me dói de mágoas e assombros.
Ergo uma rosa, sim, e ouço a vida
Neste cantar das aves nos meus ombros.
Um Ramo de Rosas -- Colhidas por José da Cruz Santos na Poesia Portuguesa e Estrangeira, Porto, Modo de Ler, 2010.
(lido na sessão de 1 de Junho de 2012)
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13 de junho de 2012
Fernando Pessoa, 124
10 de junho de 2012
Hoje é DIA DE CAMÕES
9 de junho de 2012
José Gomes Ferreira, 112
8 de junho de 2012
SALMO, Paul Celan
Ninguém nos moldará de novo em terra e barro,
ninguém animará pela palavra o nosso pó.
Ninguém.
Louvado sejas, Ninguém.
Por amor de ti queremos
florir.
Em direcção a ti.
Um Nada
fomos, somos continuaremos
a ser, florescendo:
a rosa do Nada, a
de Ninguém.
Com
o estilete claro-de-alma,
o estame ermo-de-céu,
a corola vermelha
da purpúrea palavra que cantámos
sobre, oh sobre
o espinho.
(tradução de Yvette Centeno e João Barrento)
Um Ramo de Rosas -- Colhido por José da Cruz Santos na Poesia Portuguesa e Estrangeira, Porto, Modo de Ler, 2010, p. 40.
(lido na sessão de 1 de Junho de 2012)
ninguém animará pela palavra o nosso pó.
Ninguém.
Louvado sejas, Ninguém.
Por amor de ti queremos
florir.
Em direcção a ti.
Um Nada
fomos, somos continuaremos
a ser, florescendo:
a rosa do Nada, a
de Ninguém.
Com
o estilete claro-de-alma,
o estame ermo-de-céu,
a corola vermelha
da purpúrea palavra que cantámos
sobre, oh sobre
o espinho.
(tradução de Yvette Centeno e João Barrento)
Um Ramo de Rosas -- Colhido por José da Cruz Santos na Poesia Portuguesa e Estrangeira, Porto, Modo de Ler, 2010, p. 40.
(lido na sessão de 1 de Junho de 2012)
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5 de junho de 2012
ROSA SEM ESPINHOS, Almeida Garrett
Para todos tens carinhos,
A ninguém mostras rigor!
Que rosa és tu sem espinhos?
Ai, que não te entendo, flor!
Se a borboleta vaidosa
A desdém te vai beijar,
O mais que lhe fazes, rosa,
É sorrir e corar.
E quando a sonsa da abelha,
Tão modesta em seu zumbir,
Te diz: -- Ó rosa vermelha,
Bem me podes acudir:
Deixa do cálice divino
Uma gota só libar...
Deixa, é néctar peregrino,
Mel que eu não sei fabricar...
Tu de lástima rendida,
De maldita compaixão,
Tu à súplica atrevida
Sabes tu dizer que não?
Tanta lástima e carinhos,
Tanto dó, nenhum rigor!
És rosa e não tens espinhos!
Ai, que não te entendo, flor.
A ninguém mostras rigor!
Que rosa és tu sem espinhos?
Ai, que não te entendo, flor!
Se a borboleta vaidosa
A desdém te vai beijar,
O mais que lhe fazes, rosa,
É sorrir e corar.
E quando a sonsa da abelha,
Tão modesta em seu zumbir,
Te diz: -- Ó rosa vermelha,
Bem me podes acudir:
Deixa do cálice divino
Uma gota só libar...
Deixa, é néctar peregrino,
Mel que eu não sei fabricar...
Tu de lástima rendida,
De maldita compaixão,
Tu à súplica atrevida
Sabes tu dizer que não?
Tanta lástima e carinhos,
Tanto dó, nenhum rigor!
És rosa e não tens espinhos!
Ai, que não te entendo, flor.
Almeida Garrett
in Um Ramo de Rosas -- Colhidas por José da Cruz Santos na Poesia Portuguesa e Estrangeira, Porto, Modo de Ler, 2010, p. 18.
(lido na sessão de 4 de Maio de 2012)
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4 de junho de 2012
Nótula sobre O RISO DE DEUS, de António Alçada Baptista
Nota breve, por que o livro não justifica mais.
De António Alçada Baptista (AAB) lera o ternurento Tia Suzana, Meu Amor (1989) e a breve evocação da infância Uma Vida Melhor (1984), de que guardo, em especial do segundo, uma boa memória de leitura. Este Riso de Deus, enquanto obra literária é trágico; como tese, patético.
AAB não tem oficina. O estilo é paupérrimo, croniquetas marie claire, de resto, muito praticado pelo autor; a estrutura do romance é um desastre, um pastelão que provoca um longo bocejo; os diálogos são aborrecidos solilóquios. Passamos a metade do livro e perguntamo-nos por que raio estamos a perder tempo com ele.
Depois, umas banalidades perigosamente próximas do tom auto-ajuda e umas angústias muito marcadas pelo peso da religião que, para quem como eu é ateu se tornam risíveis e/ou irritantes, embora as compreenda, criado que fui em ambiente de catolicismo formal. É um livro de um agnóstico com remorsos ou, pior ainda: a autojustificação (auto-desculpabilização) de um crente.
No meio deste bocejo, algumas partes conseguidas (a carta a Rosa, por exemplo) e umas quantas ideias interessantes: o elogio da inutilidade, contraposta à fúria competitiva emanada da ideologia utilitária das sociedades mercantis modernas; as memórias da infância (ponto forte do autor) e dum tempo provinciano já morto; o enaltecimento do género feminino, com sensibilidade e/ou intuição assinaláveis e consequente rejeição do estereótipo marialva, bem presente na nossa cultura; uma necessidade de transcendência que não se fica pela Igreja, mas que vai mais além, ao simbólico e ao metafísico. São estas ideias que valem o livro -- nada que não se possa encontrar em grande literatura.
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