5 de janeiro de 2020

EPHEMERIDES

5 DE JANEIRO DE 1932 (88 ANOS)

UMBERTO ECO






"... quando desabaram os muros externos das construções mais belas, e a igreja, enrolando-se quase sobre si mesma, engoliu a sua torre, naquela altura faltou a todos a vontade de combater contra o castigo divino"
(O Nome da Rosa)

3 de janeiro de 2020

EPHEMERIDES

3 DE JANEIRO DE 106 aC (2126 ANOS)

MARCO TÚLIO CÍCERO






"Como os vinhos são os homens; a idade azeda os maus e apura os bons" 

sobre PERSÉPOLIS

Autobiografia de Marjane Satrapi (Rasht, Irão, 1969). até ao início da idade adulta, no seio duma família desafogada do Irão contemporâneo; trecho de vida que assistirá à revolução islâmica, à carnificina da Guerra Irão-Iraque e à normalização da repressão. História pessoal, história duma família, história dum país, Persépolis (quatro tomos, 2000-2003) é um bom exemplo de como a novela gráfica elevou a BD a outro patamar, tema a desenvolver noutra ocasião.
Um livro especial, que traz ao proscénio uma criança de dez anos Marjane Ebihamis, que se tornará 'Satrapi' (nome nada casual), figura real que se transporta para o mundo da BD, enquanto personagem, espécie de mistura feliz da Mafalda de Quino com a Esther de Riad Sattouf. Família especial, moderna e cultivada, classe alta, pais comunistas, ele descendente do xá Nasser Aldim, da dinastia Kadjar, que governou o país entre 1794 e 1925; aristocratas e marxistas num estado cujo tirano foi substituído pela não menos brutal teocracia dos aiatolas. Um país especial, o Irão (os gregos antigos chamaram-lhe Pérsia), berço duma grande civilização, encerrando todas as contradições em que se confrontam tradição e modernidade. Aspirações, refúgio no Ocidente, depressão, até à tomada de consciência de si, numa sociedade esquisofrénica.
Uma observação a propósito do desenho minimalista de Satrapi: reparem nos olhos das personagens e comparem-nos com os dos arqueiros do friso do palácio de Dario III (em exposição no Louvre), cuja capital era... Persépolis.
Persépolis
texto e desenhos: Marjane Satrapi
edição: Bertrand, 2015
(também aqui e aqui)


30 de dezembro de 2019

EPHEMERIDES

29 DE DEZEMBRO DE 1911 (108 ANOS)

ALVES REDOL




"O comboio penetrou na noite. Uma luz ou outra ao longe. 
Vozes a cantarem em coro a música da gaita de beiços.
Como em chicotadas, a chuva batia nos vidros da carruagem, instando o comboio à marcha.
Vinha aí o inverno."
(Gaibéus)

21 de dezembro de 2019

EPHEMERIDES

19 DE DEZEMBRO DE 1924 (95 ANOS) (com um pequeno atraso)
ALEXANDRE O'NEIL





"A vida não é de escolhos.
É de escolhas.

Porque me olhas e m'olhas?
Porque me forras a alma
com o relento de um sentimento?

Serei eu a tua escolha?

Abre os olhos e olha,
que eu já me escolhi em ti!"

15 de dezembro de 2019

Jiro Taniguchi - O Diário do Meu Pai

Para quem gostou das viagens ao mundo das novelas gráficas aqui deixo mais uma que vale a pena visitar.

Para saberem mais sobre o autor, cliquem aqui: As leituras do Pedro
Sem título

Resultado de imagem para o diário do meu pai, jiro

12 de dezembro de 2019

EPHEMERIDES

12 DE DEZEMBRO DE 1821 (198 ANOS)

GUSTAV FLAUBERT





"O sucesso é uma consequência e não um objectivo"

9 de dezembro de 2019

EPHEMERIDES

8 DE DEZEMBRO DE 1894 (125 ANOS)
FLORBELA ESPANCA





"Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!"

4 de dezembro de 2019

PERSÉPOLIS



Nunca li livro tão pesadamente leve...
Profundamente humano,
escrito em sangue, amor e raiva... 

29 de novembro de 2019

o início de O INSTINTO SUPREMO

«Com os remos a chapejarem surdamente, cautelosos como os dos ladrões, nas proas um ruído fino, menor ainda que o dos botos cortando a tona da água, as canoas meteram a terra.» Ferreira de Castro, O Instinto Supremo [1968], 6.ª ed., Lisboa, Guimarães Editores, 1988, p. 21.

28 de novembro de 2019

EPHEMERIDES

28 DE NOVEMBRO DE 1881 (138 ANOS)

STEFAN ZWEIG






"Toda a beleza do ser humano consiste em se tornar algo melhor do que se foi"

21 de novembro de 2019

EPHEMERIDES

21 DE NOVEMBRO DE 1694 (325 ANOS)

François Marie Arouet (VOLTAIRE)






"Devemos julgar um homem mais pelas suas perguntas que pelas respostas"


18 de novembro de 2019

EPHEMERIDES

18 DE NOVEMBRO DE 1943 (76 ANOS)

MANUEL ANTÓNIO PINA






"Vamos então os dois outra vez
ao longo de certas ruas sombrias e de certos dias
e sorris e falas alto; está calor mas tens as mãos frias,
compramos coisas, visitamos
talvez algum último amigo
sem sabermos que já não estou vivo"

16 de novembro de 2019

EPHEMERIDES

16 DE NOVEMBRO DE 1922 (97 ANOS)
JOSÉ SARAMAGO

(Prémio Nobel l998)



"Não tenham pressa; mas não percam tempo"

12 de novembro de 2019

A propósito de ATÉ AO FIM

Na sessão de dia 8 de novembro, induzido pelo livro de Virgílio Ferreira, foi lido o texto (poema?) que transcrevo:

CONDENAÇÃO? MISSÃO?


Largam-me, na Terra, como farrapo em sangue,
Condenado a morrer, tão só por ter nascido.
Clamo, grito; no primeiro hausto, protesto…
E sem respeito algum, apenas sorrisos satisfeitos.
Como ousam?! Não veem quanto sofro,
Saído de uma asfixia martirizante,
Para um mundo glacial que não desejo?
Que cobardia! Que egoísmo atroz!
Não sou coisa; queria ser nada, mas sou gente.
Onde está o meu livre-arbítrio que apregoam?
Onde as leis e decretos que arquitectam a bel-prazer?
Rasguem-nos; queimem-nos; não os quero agora:
Para quê agora, se me condenaram antes?
Cínicos! Mil vezes e hediondamente cínicos.
A lei única, com justiça, era a exigência de ser ouvido…
Quando alguém decidiu que queria um filho,
Alguém me questionou se eu queria pais?
Não, sabichões, não me trapaceiem; não se enganem,
Nem me venham com a dádiva da vida,
Porque não passa de um preâmbulo fútil para a morte.
Grito de novo, e mais sorrisos: «o fedelho tem bofes!»
Ah! Se eu pudesse, partia já…
Condenado a morrer, porque condenado a viver.
Nu.

Engordam-me; criam-me; educam-me; moldam-me.
«Há de fazer-se um homem!»
Atafulham-me de regras, sabichonices, tiradas pomposas,
Ambições, roteiros e caminhos, experiências alheias,
Fitos, habilidades, competições, mil sugestões repetidas…
E quando fizeram de mim um boneco de fantocheiro,
Disseram-me que era livre e estava pronto a ganhar a vida.
Mas a vida?! Mas não foi isso que me impuseram,
Quando me expeliram, num espasmo?!
Eis o homem”! Oferecido como escravo, ao mercado, à engrenagem.
Para a vida que não quis, vendo pedaços de vida.
«Tens de comer, beber, vestir-te, abrigar-te, ganhares conforto
E… e… prevenir para a doença.»
Doença… sim, porque a vida, na bandeja dourada,
É afinal um livro corroído por traças persistentes.
Se isto é um homem.”

Terá sido este o pecado em que Adão foi engodado?
Mas os frutos de Eva são frutos da mesma morte.
Ah Deus! Ah Criador, porque misturas no homem instinto e razão?
Que faço, agora, comigo, enquanto a gadanha não aparece,
Envolta em trapos hediondos, para tentar assustar-me?
Recuso sacrificar mais nascituros ao holocausto:
Basta! Não mais reses para a matança.
E amar: amar estes tontos que se aturdem
Na vaidade de máscaras de eternidade.
Ajudar: ajudar perguntando sempre,
Implorando ao juízo o que a tontaria escamoteia.
Apontar a Terra, Água e Céu, inquirindo, duro:
Que fazeis, loucos, que vos devorais em orgia?
E se houver um só que escute e pense,
Terei deixado melhor o universo que encontrei,
E na hora em que Ela baixar a espada sobre mim,
Possa sorrir, em desafio, mas duvidando:
Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”.
Depois, aniquilo-me na chama que consome e purifica.
Nu.
.

6 de novembro de 2019

EPHEMERIDES

6 DE NOVEMBRO DE 1919 (100 ANOS!)
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN



(infelizmente,
 não consegui inserir
 uma imagem da 
POETISA)



"Pelas tuas mãos medi o mundo

E na balança pura dos teus ombros

Pesei o ouro do Sol e a palidez da Lua"

5 de novembro de 2019

ATÉ AO FIM

(V.F. QUE ME DESCULPE, MAS NÃO ESPERAVA TÃO BOM...)


"Vamos então a um café. Desculpe, o seu nome? Não sei se disse.
- Cláudio.
Atravessámos o jardim em frente, havia pássaros nas árvores. Mas não tinham razão contra o tráfego. Flora não era alta, mas eu tinha dificuldade, pela intensidade do seu corpo, em ser mais alto do que ela. Um vestido cor de - de que cor? devia ser claro para o teu esplendor, mas da cor dele ficou-me só na memória a firmeza flexível do seu andar. Direita ondeada tensa. Abruptamente sinto-a na minha posse por levá-la ao meu lado e haver gente a ver. Escolheu um café ali perto, sentou-se perpendicular, chamou ela o criado. Da malinha tirou uma boquilha e acendeu um cigarro. E por entre uma baforada
- Diga lá então.
- Ora bem. A doutora sabe...
- Ah, não. «Doutora» não.
Não ríspida, seca. Só como se me admoestasse. Tratei-a por Flora. Era um nome pagão."


(De como em meia dúzia de linhas se resume o "romance" impossível ou fracassado entre duas personagens tão miscíveis como o azeite e o vinagre)

FF

2 de novembro de 2019

EPHEMERIDES

2 DE NOVEMBRO DE 2019 (100 ANOS!)
JORGE DE SENA 








"Nasceu-te um filho. Não conhecerás,
jamais, a extrema solidão da vida."

30 de outubro de 2019

22 de outubro de 2019

o início de OS LOUCOS DA RUA MAZUR

«A montra negra da Livraria Thibault era a moldura mais respeitada da Rue de Nevers, um beco desconsolado que se escondia entre as costas de dois quarteirões do Quartier de la Monnaie e que, séculos antes, servira de escoadouro às Irmãs da Penitência de Jesus Cristo.» João Pinto Coelho, Os Loucos da Rua Mazur, Lisboa, Leya, 2017, p. 9.

17 de outubro de 2019

o início de A MANCHA HUMANA

«Foi no verão de 1998 que o meu vizinho Coleman Silk -- que, antes de se reformar dois anos antes, fora professor de estudos clássicos no Athena College durante vinte e tal anos, além de ter servido dezasseis como reitor da faculdade -- me confidenciou que, aos 71, tinha um caso com uma empregada de limpeza de 34, que trabalhava na universidade.» Philip Roth, A Mancha Humana, 2.ª ed., tradução de Fernanda Pinto Rodrigues, Lisboa, Leya, s.d., p. 19.

8 de outubro de 2019

o início de O ÚLTIMO CABALISTA DE LISBOA

«Abraham Vital, advogado particular em Istambul, ganha a sua vida apresentando petições ao Governo turco para conseguir subsídios para as pessoas que, devido a acidente ou doença, deixaram de poder trabalhar.» [«Nota do Autor -- A descoberta do manuscrito de Berequias Zarco»] Richard Zimler, O Último Cabalista de Lisboa [1996], trad. José Lima, Porto, Porto Editora, 2013, p. 9.

30 de setembro de 2019

O INSTINTO SUPREMO



"-Tinha ouvido dizer que você era criado de bordo até vir para cá...
- Fui. Pouco tempo - tornou Manga Verde, com secura, como se lhe desagradasse aquela intervenção. Logo, porém, o seu rosto, longo e oval, na boca o espaço vazio de três dentes emigrados da frente, se abriu de novo. - É, ainda outro dia me estava a lembrar dessas coisas, quando se falava da loja de seu Lobo, em Três Casas. Você ouviu? Diferentes as coisas, mas parecidas. Quando eu era curumim, também havia uma loja diante da minha casa, em Manaus, mesmo diante, diante. Não mercearia, nem de dono de seringal, não. Loja pequena, de sírio, que tinha sido mascate. Fazendas, não sei que mais, brinquedos, pouca mercadoria. Havia um tambor pequeno e bonito, como esse dos brindes. Eu queria ele, mamãe não dava dinheiro, não tinha, e eu pensava que quando fosse homem também havia de ter uma loja. Loja maior, muita coisa, muitos brinquedos. Pensava, mas duvidava.
Calou-se um instante, olhou ao longe, como se fosse das cristas da floresta que a sua memória, voando, lhe acudisse melhor:
- Aos dezassete anos é que fui para criado de bordo. Para o «Japurá». Viu algum dia essa gaiola?
Etelvino hesitou:
- Há tantos vapores... Mas tenho uma ideia... Não era um de cano amarelo, com barra preta? Um pequeno, que ia para o Purus, para o Juruá...
Esse! Não era grande como um vaticano, não, mas também não era assim nenhuma lancha. Comida, muita e boa. Mas ordenado de moleque."

***

 Sempre a mesma mestria na construção da narrativa. Parece que tudo foi planeado ao pormenor, antes de começar a escrever. E sempre uma qualidade literária inquestionável.
Penso que a volta ao nosso patrono FC pode e deve ser um motivo para a enchente da sala, que tão desfalcada tem andado.
Até sexta-feira!
FF

20 de setembro de 2019

o início da CRÓNICA DO REI PASMADO

«1. A madrugada daquele domingo, tantos de Outubro, foi de milagres, maravilhas e surpresas, embora tivesse havido, como sempre, desacordo entre testemunhas e testemunhos.» Gonzalo Torrente Ballester, Crónica do Rei Pasmado [1989], trad. António Gonçalves, 4.ª ed., Lisboa, Editorial Caminho, 1992, p. 11.

13 de setembro de 2019

o início de A ORDEM DO DIA

O Sol é um astro frio. O seu coração, espinhos de gelo. A sua luz, sem perdão. Em Fevereiro. as árvores estão mortas, o rio tornado pedra, como se a nascente não deitasse água e o mar não conseguisse engolir mais. O tempo imobiliza-se.» Éric Vuillard, A Ordem do Dia [2017], tradução de João Carlos Alvim, Lisboa, D. Quixote, 2018, p. 11.

5 de setembro de 2019

"gestos de trolha"

«Ouvira dizer que aquele era um lugar onde enfermeiras de mãos ásperas ajeitavam almofadas e mudavam algálias com gestos de trolha, e por isso palpava com pena o corpo debaixo do pijama, para se despedir dele.» Victória F. «Uma visita», Elogio da Infertilidade, Sintra, Câmara municipal, 2018, p. 11.

29 de agosto de 2019

SÓ FALTA UMA SEMANA...

E para acicatar os apetites, deixo aqui um pequeno naco:

"Quando deram pelas horas, Tauba e a mãe levaram as mãos à cabeça. Despediram-se num instante e fizeram o caminho de regresso quase em passo de corrida. Talvez fosse por isso que não se aperceberam dos dois homens de fato com quem se cruzaram. A poucos metros de casa, estranharam ver Baruch parado na soleira a olhar para a rua com um ar aparvalhado. Tinha um papel na mão e, ao ver a mulher, entrou em casa sem fechar a porta. Tauba foi ter com ele, mas não lhe conheceu o olhar, nunca o vira devastado. «Está assinado pelo Govorov», disse ele, mostrando-lhe a notificação. Apenas duas linhas escritas à máquina, qualquer uma inequívoca e brutal: Tauba deveria apresentar-se no manicómio Pasternak na manhã seguinte. Mesmo levando a mão à boca, a mãe da rapariga não foi a tempo de abafar um grito: a prisão!, a Sibéria! E foi isso que arrancou Baruch à letargia: empertigou-se e mandou calar a sogra, deixar-se de disparates, não se prende ninguém com um postalzinho." 

27 de agosto de 2019

Na pista de Virgílio Ferreira,

em Melo, uma informação, em resposta a um pedido de esclarecimento sobre o Roteiro Literário do Escritor, levou-me à oficina do senhor Luís Filipe e, desta, ao Museu de Melo.
Surpresa! O percurso, programado para uma hora de duração, começou com um prólogo de mais de uma hora, escutando as informações do curador, autodidata exemplar e bem informado, que nos enriqueceu sobre Melo, a sua história e os seus filhos mais ilustres. E sobre curiosidades que só em informação boca-a-boca são possíveis.
Se perderam isto na deslocação literária anterior, a Melo, não percam na próxima.
Para abrir o apetite, deixo a fotografia da casa onde Virgílio Ferreira nasceu... (não a que, ainda briosa, se ergue ali ao fundo do terreiro, e que os pais do escritor adquiriram).
E, já agora, a fachada do Paço, em ruínas, reconstruído pelas mãos habilidosas do artista Luís Filipe.

E, para finalizar, podem, entretanto, espreitar http://museudemelo.webnode.pt

2 de agosto de 2019

os ['brandos costumes'] entre parênteses

«Durante as devastações que o país sofrera nas sucessivas guerras civis dos últimos períodos de nossa história, a casa de Entre-Arroios não fora mais do que as outras respeitada, e os estragos que, no resto da habitação, tinham já sido cuidadosamente reparados, conservavam-se ainda visíveis no pequeno templo, onde havia muito se não exercia por isso o ofício divino.» Júlio Dinis, Serões da Província [1870], Domingos Barreira Editor, Porto, 1945, p. 131.

1 de agosto de 2019

IP 2

Oito óbitos por quilómetro
é muito insecto esborrachado no
no pára-brisas.


São muitas vidas.
É muita abelha, muita borboleta,
muito mosquito.


Mas tu não és menos chegado ao finito
e o mais certo é que andes distraído
de que há um vidro


entre ti e o horizonte.


Rui Lage, Estrada Nacional, Lisboa, IN-CM, 2016, p. 32.