27 de janeiro de 2021

as aberturas de CONTOS DA SÉTIMA ESFERA, de Mário de Carvalho (1981)

                                               

«Agade e Nimur». «Havia em Agade uma porta imemorial e no frontão tinha escrito: "Porta em frente da qual se não colhe o trigo."»

«Do deus memória e notícia». «Quando os povos do Oriente vieram em levadas sucessivas e plantaram tendas multicores nos vales e planaltos por onde sopravam os ventos, os magistrados de Ghard tiveram de declarar a guerra para recuperar a rota das caravanas.»

«A simetria». «O rei Jeherdal era gordo, enfermiço, mas tinha reputação de sagaz e prudente.»

«O bólide». «Só quando muito recentemente foi deposto por uma insurreição o ditador Raymond Arenas, da República Central Americana de San Pelayo, se soube ao certo, por documentos encontrados no palácio saqueado, o que realmente aconteceu ao navio britânico Caliban, enigmaticamente desaparecido em 12 de Julho de 1960 ao largo da Costa Rica.»

«O desafio». «Perto da mesquita grande do Cairo havia um velho que se acocorava no chão, sobre o turbante estendido, e recitava as Suratas  do Corão perante uma pequena multidão em círculo, que lhe retribuía com algumas moedas ou alguns géneros.»

«Almocreves, publicanos, ricos-homens e ciganos». «Acautelados das tropas de Massena que, batidas por Beresford, demandavam caminhos de Castela, atravancando as estradas de carros, gente e canhões, num pandemónio de tropa solta e perdida em que ninguém tinha mão, os dois almocreves saíram de Alcácer noite alta, por carreteiras de poucos sabidas e desviadas da tropelia francesa.»

«Do problema que o capitão Passanha houve de resolver quando, em circunstâncias atribuladas, comandava o Maria Eduarda no estreito de Malaca do bom despacho que lhe deu com a colaboração de todos / ou / O enigma da estátua mutilada encontrada nos fundos de Shandenoor». «Há meses, o navio oceanográfico Scania, pesquisando espécies marinhas entre Samatra e Ceilão, não longe dos baixios a que chamam Shandenoor, trouxe à tona um estranho achado, decerto há muito afundado nas profundas geladas daquelas paragens.»

«Definitiva história do Professor Pfiglzz e seu estranho companheiro». «Quando eu era muito novo, fui comissário de bordo num grande cargueiro misto, o Fernão Ferro, que fazia a demorada carreira entre Leixões, Hadleh e Carvangel, com escala por vários portos secundários.»

«Que todos ficassem bem…» «Nos meus últimos dias de férias no arquipélago de Shandenoor vieram procurar-me dois sujeitos escuros, muito magros, bisonhos, que se diziam enviados pelo rei de Carvangel.»

«As três notícias do Diabo». «À espera de transbordo, um amigo meu atardou-se numa tasca fedorenta de San Pelayo, bebendo tequilla e jogando ao Modelo

«O caminho de Cherokee Pass». «Ao fim de dois meses de buscas infrutíferas nas planícies de Oklahoma, um jovem pesquisador chamado Barton regressava desiludido, esfomeado, coberto de vermina, arrenegando dos velhos mapas comprados a batoteiros ociosos no bar fétido de Cherokee Pass.»

«O contrato». «Quis-me desenfastiar a procurar emprego em Londres.»

«A pele do judeu». «Intrigado por um dito melancólico de Aberramão III, que em quarenta anos de reinado tinha contado catorze dias de paz, o universitário Rui Telmo meteu-se a pesquisar a vida dos Árabes na Península.»

«A transmutação». «No final do batuque, o jovem cuanhama, muito bebido de cerveja de palma, vergou o arco e disparou uma flecha para as alturas.»

«Desdobramento». «Ele atribuía aquele grande cansaço e quebranto nos plenilúnios a um acontecimento da sua infância distante.»

«A espada japonesa». «O frade Góis, o mais antigo manuseador de manuscritos do convento, um dia recebeu uma espada japonesa, afiada e comprida.»

«A autora». «A advogada Helena Telo teve de ficar em Lisboa, no início de Agosto, por causa de uma petição complicada que a lei mandava interpor em férias.»

«O circuito». «Foi com dificuldade que aluguei um quarto em Coimbra, perto da Couraça dos Apóstolos.»

«A passagem». «Um amigo meu, amigo antigo a quem não é preciso ver muitas vezes, telefonou-me um dia destes, para termos uma conversa muito séria.»

«Coleccionadores». «Isto de coleccionar antiguidades vai e volta.»

«O sonho». «Tenho tido imenso tempo para pensar em tudo isto, olhos fixados nestes azulejos pardos, ainda mais sujos da luz vinda da janela, , depois de ter feito um percurso de impurezas que não deixa iluminar forte seja o que for.»

«O fim». «Como combinado, André e Burka passaram nessa tarde pela loja onde se empregara a filha.»

«O emprego». «Os três, na cidade de ..., estavam sentados e, do muito calor, abanavam-se com folhas de jornal, enquanto esperavam.»

Mário de Carvalho (1944), Contos da Sétima Esfera [1981], Lisboa, edições Rolim, s.d.


20 de janeiro de 2021

LEITURAS PARA A VIDA...

"Muitas pessoas enaltecem a perestroika... Todos tinham esperança em qualquer coisa. Eu não tenho nenhum motivo para gostar de Gorbatchov. Lembro-me das conversas na sala dos médicos: «Acaba-se o socialismo, e o que vai haver depois dele?» «Acaba-se o mau socialismo, e haverá bom socialismo.» Tínhamos esperança... líamos os jornais... Em breve o meu marido perdeu o emprego, o instituto foi encerrado. Um mar de desempregados, todos com formação superior. Apareceram os quiosques, depois os supermercados, onde havia de tudo, como nos contos, e não havia com que comprar. Eu entrava e saía. Comprava duas maçãs e uma laranja, quando as crianças estavam doentes. Como resignar-se a uma coisa destas? Como aceitar que agora passe a ser assim? Estava na bicha para a caixa. E à minha frente um homem com um carrinho, onde havia ananases, bananas... Uma ofensa ao amor-próprio. As pessoas estão hoje todas cansadas disso. Deus nos livre de nascer na URSS e viver na Rússia (Silêncio) Nenhum dos meus sonhos se cumpriu na vida." 

(Depoimento da mãe de uma jovem vítima do atentado de 6-2-2004 no metro de Moscovo)



Livro constituído por testemunhos de pungente e às vezes atroz conteúdo, de pessoas reais de diversas idades, nacionalidades e origens sociais, em que se retrata, com um misto de crueza e grande beleza (literária) o que foi a vida no tempo da URSS e no período que se seguiu à sua desagregação (neste caso com realce para a pobreza, desigualdades, injustiças, insegurança, corrupção, etc.).É também aflorado o grande problema do (re)nascer de ódios de índole religiosa, nacionalista e étnica, por vezes no seio das próprias famílias, com a desagregação do estado soviético. Um extenso e belo documentário! A não perder!

FF

18 de janeiro de 2021

o início de HISTÓRIA DE UMA GAIVOTA E DO GATO QUE A ENSINOU A VOAR

 


«-- Banco de arenques a bombordo! -- anunciou a gaivota de vigia, e o bando do Farol da Areia Vermelha recebeu a notícia com grasnidos de alívio.»
Luis Sepúlveda, História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar [1996], tradução de Pedro Tamen, Porto Editora, Porto, 2020.

30 de dezembro de 2020

capismo


 Primeira edição portuguesa de O Mistério da Grande Pirâmide,
tomo I -- O Papiro de Máneton, Lisboa, Verbo, 1969
(estreia na revista Tintin belga, em 1950)

22 de dezembro de 2020

ALGARVE (Sophia de Mello Breyner Andresen)

 1

A luz mais que pura

Sobre a terra seca


2

Eu quero o canto o ar a anémona a medusa

O recorte das pedras sobre o mar


3

Um homem sobe o monte desenhando

A tarde transparente das aranhas


4

A luz mais que pura

Quebra a sua lança


Livro Sexto (1962), 9.ª ed. , Porto, Assírio & Alvim, 2014, p.25,

16 de novembro de 2020


 

CAMINHO DA MANHÃ

"Vais pela estrada que é de terra amarela e quase sem nenhuma sombra. As cigarras cantarão o silêncio de bronze. À tua direita irá primeiro um muro caiado que desenha a curva da estrada. Depois encontrarás as figueiras transparentes e enroladas; mas os seus ramos não dão nenhuma sombra. E assim irás sempre em frente com a pesada mão do Sol pousada sobre os teus ombros, mas conduzida por uma luz levíssima e fresca. Até chegares às muralhas antigas da cidade que estão em ruínas. Passa debaixo da porta  e vai pelas pequenas ruas estreitas, direitas e brancas, até encontrares em frente do mar uma grande praça quadrada e clara que tem no centro uma estátua. Segue entre as casas e o mar até ao mercado que fica depois de uma alta parede amarela. Aí deves parar e olhar um instante para o largo pois ali o visível se vê até ao fim. E olha bem o branco, o puro branco, o branco da cal onde a luz cai a direito. Também ali entre a cidade e a água não encontrarás nenhuma sombra; abriga-te por isso no sopro corrido e fresco do mar. Entra no mercado e vira à tua direita e ao terceiro homem que encontrares em frente da terceira banca de pedra compra peixes. Os peixes são azuis e brilhantes e escuros com malhas pretas. E o homem há-de pedir-te que vejas como as suas guelras são encarnadas e que vejas bem como o seu azul é profundo e como eles cheiram realmente, realmente a mar. Depois verás peixes pretos e vermelhos e cor-de-rosa e cor-de-prata. E verás os polvos cor de pedra e as conchas, os búzios e as espadas do mar. E a luz se tornará líquida e o próprio ar salgado e um caranguejo irá correndo sobre uma mesa de pedra. À tua direita então verás uma escada: sobe depressa mas sem tocar no velho cego que desce devagar. E ao cimo da escada está uma mulher de meia idade com rugas finas e leves na cara. E tem no pescoço uma medalha de ouro com o retrato do filho que morreu. Pede-lhe que te dê um ramo de louro, um ramo de orégãos, um ramo de salsa e um ramo de hortelã. Mais adiante compra figos pretos: mas os figos não são pretos mas azuis e dentro são cor-de-rosa e de todos eles corre ma lágrima de mel. Depois vai de vendedor em vendedor e enche os teus cestos de frutos, hortaliças, ervas, orvalhos e limões. Depois desce a escada sai do mercado e caminha para o centro da cidade. Agora aí verás que ao longo das paredes nasceu uma serpente de sombra azul, estreita e comprida. Caminha rente às casas. Num dos teus ombros pousará a mão da sombra, no outro a mão do Sol. Caminha até encontrares uma igreja alta e quadrada. Lá dentro ficarás ajoelhada na penumbra olhando o branco das paredes e o brilho azul dos azulejos. Aí escutarás o silêncio. Aí se levantará como um canto o teu amor pelas coisas visíveis que é a tua oração em frente do grande Deus invisível"

De como uma penosa ida ao mercado de uma cidade costeira e decrépita numa manhã de sol escaldante se transfigura numa belíssima peça de prosa lírica. 

FF

13 de novembro de 2020

o início de O LEOPARDO

 «Nunc et in hora mortis. Amen.» Tomasi di Lampedusa, O Leopardo [1958], tradução de Rui Cabeçadas, lisboa, Círculo de Leitores, 1987. p. 7.


9 de novembro de 2020

as aberturas de CORES, de Ruben A. (1960)

«Branca». «D. Branca morava no Porto e sofria, por vezes, de chiliques inofensivos.»

«Roxo». «Tinha os olhos roxos, de vidente.»

«Amarelo». «Findo o espectáculo, em toda assistência se notava um contentamento pouco expressivo.»

«Azul». «A transfusão de sangue tinha operado o seu milagre -- realmente o sangue azul corria-lhe nas veias em caudal abundante, até mesmo para um bom aproveitamento sanguíneo eléctrico.»

«Pardos». «Os Pardos viviam fora da cidade.»

«Vermelho». «Todas as vezes que entrava numa sala onde estava gente ele fazia-se vermelho.»

«Preto». «A morte do Preto começava na terça-feira».

«Verde». «Foi gratuitamente e por acaso que estando ontem na Ribeira das Naus a olhar para um Tejo verde me espantei a trouxe-mouxe.»

Ruben A. (1920-1975), Cores, 2.ª ed., Lisboa, Assírio & Alvim, 1989

27 de outubro de 2020

as aberturas das NOVELAS ERÓTICAS, de M. Teixeira-Gomes (1935)



«Deus ex machina». «O Inverno de 1890 foi dos mais ásperos que flagelaram a Europa durante o século findo, e na Holanda, então -- onde eu o passei quase todo --, país relativamente temperado e malìssimamente preparado para as baixas temperaturas, morria-se de frio.»

«A cigana (Carta a António Patrício)». «Hammamet, Dezembro, 1930. / Meu caro amigo: / Com aquela mesma mulher cuja presença, anos depois de nos separarmos para sempre, adivinhei, "senti", num recinto imerso em profundas trevas e cheio de gente; e logo, porque fugi para a não ver, me sugeriu a explicação do mito de Orfeu e Eurídice; com essa mesma mulher, durante os nossos longos e atormentados amores, deu-se um caso de telepatia tão raro, que merece realmente ser arquivado.»

«Margareta». «Em matéria de viagens fui sempre, por instinto e reflexão, refractário a programas; contudo, na minha primeira ida a Itália, reconhecendo a necessidade de visitar com certo método país tão incomparável e infinitamente variado na paisagem e na arte, delineei um plano que me tolhesse as turbulências juvenis, sopeando-me a irrebatível mania das digressões, e executei-o sem repugnância nem arrependimento.»

«Cordélia». «As minhas relações com gente da Catalunha datam da infância, graças a uns negociantes de cortiça, de S. Feliú de Guixols, que se estabeleceram na minha terra e de que ainda hoje lá existe descendência.»

«?». «O meu quarto na hospedaria Fra Giaccomo, em Smirna, era uma gaiola de vidro suspensa sobre o mar, e isso concorreu muito para que eu aí me demorasse mais do que projectara.»

«O sítio da mulher morta». «Já totalmente impossibilitados de trabalhar, os Elisiários, meus velhos caseiros dos Pegos Verdes, tinham abandonado a propriedade recolhendo-se a um casebre que possuíam na povoação vizinha, a Figueira.»

M. Teixeira-Gomes (1860-1941), Novelas Eróticas [1935], Lisboa, Relógio d'Água, 2012

8 de outubro de 2020

"Ressuscitando" Beldemónio



Em leituras investigantes, dei comigo a ler um livro interessantíssimo de Emídio Navarro, descrevendo um passeio científico, promovido pelo doutor Sousa Martins, à Serra da Estrela, e, entre muitas curiosidades e pormenores, dei com o seguinte trecho, que me permito transcrever, atualizando a grafia de 1884.

«... Por baixo do tal quadro havia algumas fotografias. - De quem é este retrato? perguntei admirado, apontando para uma delas. - É de Beldemónio; é de meu filho, respondeu o pobre homem com um suspiro, que parecia traduzir, em partes iguais, um misto de ternura e de mágoa. Uma natural delicadeza nos proibiu de investigar e profundar a significação desse suspiro, contentando-nos em saber, que vive em Gouveia o pai de um dos moços mais esperançosos da nossa literatura, estilista de buril tão delicado e mimoso, como vigoroso e firme...

... E aí está o segredo de Gouveia. Ficámos sabendo, que vive em Gouveia o pai de um dos nossos mais distintos escritores, e que o pai rendilha quadros de canudinhos de papel com tanta perfeição, como o filho rendilha períodos harmoniosos. O pai chama-se Vitorino Lobo Correia de Barros, e o filho assina-se Barros Lobo, e usa no jornalismo o pseudónimo de Beldemónio...»

Se lhe abri o apetite, lamento informar que o livro se tornou uma raridade, mas espero que, a curto prazo, o possa encontrar na Bibliotrónica Portuguesa... sem papel.

25 de setembro de 2020

O LEOPARDO

 UM MONUMENTO EM FORMA DE LIVRO!

Leiam, leiam, mas devagar, que tem muitas calorias...




"Começava o dia; aquele pouco de luz que conseguia atravessar a colcha de nuvens era de novo impedido pela sujidade imemorial do postigo. Chevalley ia sozinho; no meio de choques e safanões, molhou de saliva a ponta do indicador, e limpou o vidro pelo tamanho de um olho. Espreitou; à sua frente, sob a luz de cinzas, a paisagem dava solavancos, irredimível." 



13 de setembro de 2020

EPHEMERIDES

 13 DE SETEMBRO DE 1885 (135 ANOS)

AQUILINO RIBEIRO





"Para que não desse voltas ao estômago do senhor alferes, sempre se havia de desencantar uma pestana de bacalhau e cibo de pão. E, graças, aquilo eram terras no calcanhar do mundo, que viviam ainda na era do rei que rabiou."

(Andam Faunos Pelos Bosques)

7 de setembro de 2020

100 Cartas a Ferreira de Castro - uma promessa

 Quando nos deliciámos com este livro que o Mestre Ricardo deu à leitura, deixei a intenção de pesquisar quais dos livros, dos autores nele citados, havia disponíveis para consulta digital.

Para além de O Drama da Sombra, do nosso padroeiro, vou organizar dois grupos: os autores com os livros citados nas 100 Cartas, além de outros, e os correspondentes de Ferreira de Castro com livros disponíveis na internet.

De Júlio Dantas, Nada. João Lúcio de Azevedo deixou O Marquês de Pombal e a sua Época, Evolução do Sebastianismo, História dos Cristãos-Novos Portugueses. Aquilino Ribeiro - Jardim das Tormentas e A Via Sinuosa. Manuel Teixeira-Gomes com Inventário de Julho e Agosto Azul. Mau Tempo no Canal de Vitorino de Nemésio. De António Botto, Canções. Manuel Ribeiro enriquece-nos com A Catedral, A Planície Heróica e O Deserto. De Rocha Martins, A Paixão de Camilo (Ana Plácido). Jaime Cortesão deixa-nos com A Morte da Águia, Memórias da Grande Guerra e A Expedição de Pedro Álvares Cabral.

Dos que mereceram a honra de escreverem a Ferreira de Castro e serem selecionados para as 100 Cartas, com obra disponível, refiro: Raúl Brandão, João Grave, Augusto de Castro, Delfim Guimarães, Fidelino de Figueiredo, Raúl Proença, Augusto Casimiro, João de Barros, Pinto Quartim, Henrique de Barros, Egas Moniz, António José Saraiva, Luís de Almeida Braga, Manuel Ferreira, Álvaro Salema, Hernâni Cidade e Mário Sacramento.

Deixo-lhe a pista deste tesouro em https://bibliotronicaportuguesa.pt/livronicos-na-internet/  e, se por acaso se fatigou com a leitura, pense na labuta que tive para lhe trazer tudo prontinho para consulta e leitura livre e agradável.

o início de O RIO TRISTE

«No dia 14 de Dezembro de 1965, nesta cidade de Lisboa, um homem saiu cedo de casa e já não voltou.»  Fernando Namora, O Rio Triste [1982] , 6.ª ed., Amadora, Livraria Bertrand, 1983, p.7. 

12 de agosto de 2020

 EPHEMERIDES

12 DE AGOSTO DE 1907 (113 ANOS)
MIGUEL TORGA





LÍRICA
No meu jardim aberto ao sol da vida,
Faltavas tu, humana flor da infância
Que não tive...
E o que revive 
Agora
À volta da candura
Do teu rosto!
O recuado Agosto 
Em que nasci
Parece o recomeço
Doutro destino:
Este, de ser menino
Ao pé de ti...

28 de julho de 2020

De O DESERTO, com saudades

Férias em ambiente de paz e a ânsia de reler tudo o que me passou pelos olhos em anos mais inexperientes, levou-me a pegar em livro antigo de Manuel Ribeiro, O Deserto.
A primeira surpresa foi deparar com dedicatória de 1929 a Ruben de Carvalho. Nos meus arquivos de memória só consegui aceder a um homónimo que não existia nesta data; ainda tentei descobrir algum ascendente, mas não consegui.
Deixo o desafio para os meus confrades mais sabedores.
Depois a leitura, conhecendo eu o percurso de Manuel Ribeiro, desde as utopias anarcossindicalistas, às imposições bolcheviques, até aos ideais de um cristianismo idealista.
Faz pensar no contraste entre o que vivemos e o que poderíamos fazer da nossa vida e, se não tivesse tropeçado numa quantidade notável de "SES", iria a correr refugiar-me na Cartuxa de Miraflores, em Burgos, que já visitei com alma de turista estudioso, mas não suficientemente informado, na altura.
O convite é mesmo intenso e convincente.
Finalmente: confesso que me tenho lembrado com saudade das nossas sessões e de todos os confrades, mas, porque a edição que li é de 1922, tive um pensamento especial para aqueles que continuam a preferir sempre os AO anteriores aos posteriores.
Boas leituras.

20 de julho de 2020

EPHEMERIDES

20 DE JULHO DE 1304 (716 ANOS)

FRANCESCO PETRARCA






"Nós amamos a vida não por estarmos acostumados à vida, mas por estarmos acostumados a amar. Há sempre alguma loucura no amor, mas há também sempre alguma razão na loucura"

16 de julho de 2020

EPHEMERIDES

16 DE JULHO DE 1916 (104 ANOS)

MÁRIO DIONÍSIO






"Da estação via-se a praia e o mar. A água vinha de longe, muito azul e muito lisa, e aproximava-se, cada vez menos azul e menos lisa, até espadanar em pequenos cachões que morriam na areia."

(de O Dia Cinzento e Outros Contos)

15 de julho de 2020

RUA da AMARGURA


Venho dar a conhecer aos colaboradores e visitantes d'A CURVA DOS LIVROS o meu último trabalho, esperando que a pandemia que há 5 meses praticamente nos mantém isolados uns dos outros, não tarde a desvanecer-se, permitindo uma apresentação formal e ao vivo.

Fernando Faria