6 de outubro de 2023

pressupostos de uma antologia de poesia portuguesa (sécs. XII-XXI), pessoal, "solitária" e exclusiva

 Alguns de nós, confrades do Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro, ao retomarmos um velho hábito de trazer um poema para ler no final de cada sessão, desafiámo-nos a construir cada um uma antologia poética, prática que no meu caso é um vício antigo.

O desafio já foi aceite, com pundonor, pelo nossa confrade Manuel Matos Nunes, também ele poeta, arremessando já 3-poemas-3 às cabeças dos leitores, de uma antologia em construção intitulada Poesia em Língua Portuguesa, século XX, que não pudera começar melhor.

Para quem como eu já leu milhares de poemas e tem outros tantos para ler, uma antologia minimamente criteriosa pode ser uma lida insana e até impossível -- a não ser que ela se assuma como "antologia pessoal, 'solitária' e exclusiva".

Embora nenhum autor se repita, trata-se de uma antologia de poemas e não de poetas, o que significará que haverá grandes vates, tantos!, que não marcarão aqui presença, e outros que aqui estarão, ao lado de nomes menos conhecidos, muitos deles de segunda linha, alguns menores, até. O que me interessou foi fazer uma lista de poemas que me emocionam e não compor um ramalhete by the book, com todos os nomes grados que nunca poderiam faltar. Disso já há para aí muito. Como afirmou algures Jorge Luis Borges, um verso sublime pode sair da mão de um poeta menor, e mesmo um grande poema, acrescentaria eu.

Como sondagem representativa da poesia portuguesa, a minha antologia valerá zero, ou quase; como testemunho de uma preferência estética e de uma sensibilidade, valerá cem, ou perto disso.

A antologia é solitária, porque não quis ser influenciado na escolha, não porque me desgoste debater com quem tem as mesmas, ou outras, afinidades.. Será até possível que um mesmo poema apareça em diferentes antologias que aqui se farão, nada mais natural e previsível.

É também exclusiva, porque gratamente exclui. Repetindo-me: haverá ausências que seriam inadmissíveis numa antologia representativa da poesia portuguesa e presenças que só num exercício destes têm cabimento. Não vou, com pena, incluir poetas brasileiros. Uma antologia de 50 ou 100 poemas de outros tantos poetas já é suficientemente insensato, para ainda afunilar mais. Um dia, quem sabe? Talvez precedida de outra, apenas de autores do país que para ali criámos, onde, aliás, tenho raízes. Mas vou incluir autores africanos que a certa altura da vida deixaram de ser portugueses para abraçarem a sua nova nacionalidade. Faço-o, não por qualquer sentimento de paternalismo colonial serôdio, bem pelo contrário!; antes como forma de orgulho e reconhecimento àqueles que lutaram e poetaram a sua liberdade, conseguindo com isso também a nossa, fará 50 anos, em 2024.

Para terminar: espero que gostem e que não gostem também; que leiam e, se vos apetecer, comentem. Amanhã sairá o primeiro, é medieval, e o poeta talvez nem fosse português.

Ricardo António Alves

o início de O DEUS DAS MOSCAS

 «O garoto do cabelo cor-de-mel agachou-se, deixou-se escorregar ao longo do último troço do rochedo e encaminhou-se para a lagoa.» William Golding, O Deus das Moscas [1954], trad. de Luís de Sousa Rebelo, Porto, Público, 2002, p. 5. 

5 de outubro de 2023

POESIA EM LÍNGUA PORTUGUESA, século XX (3)

 

IMAGEM

 

A vida da bem-casada

Está, toda branca, estirada

Sobre a cama

De casal.

 

A vida da bem-casada

Pulsa dentro da redoma

De cristal.

 

Em claro sol entornada,

Tem abismos de paisagem

Irreal…

 

E depois de abandonada,

Parece jazer à espera

Das três pazadas de cal.

 

NATÉRCIA FREIRE, Anel de Sete Pedras  (1952)


4 de outubro de 2023

POESIA EM LÍNGUA PORTUGUESA, século XX (2)

 

ARIANE

 

Ariane é um navio.

Tem mastros, velas e bandeiras à proa,

E chegou num dia branco, frio,

A este rio Tejo de Lisboa.

 

Carregado de Sonho, fundeou

Dentro da claridade destas grades…

Cisne de todos, que se foi, voltou

Só para os olhos de quem tem saudades…

 

Foram duas fragatas ver quem era

Um tal milagre assim: era um navio

Que se balança ali à minha espera

Entre gaivotas que se dão no rio.

 

Mas eu é que não pude ainda por meus passos

Sair desta prisão em corpo inteiro,

E levantar a âncora, e cair nos braços

De Ariane, o veleiro.

 

MIGUEL TORGA, Diário I (1941)


3 de outubro de 2023

POESIA EM LÍNGUA PORTUGUESA, século XX (1)

 

EPITÁFIO PARA UM POETA

 

As asas não lhe cabem no caixão!

A farpela de luto não condiz

Com seu ar grave, mas, enfim, feliz;

A gravata e o calçado também não.

Ponham-no fora e dispam-lhe a farpela!

Descalcem-lhe os sapatos de verniz!

Não vêem que ele, nu, faz mais figura,

Como uma pedra, ou uma estrela?

Pois atirem-no assim à terra dura,

Ser-lhe-á conforto:

Deixem-no respirar ao menos morto!

 

JOSÉ RÉGIO, Filho do Homem (1961)

15 de setembro de 2023

NATÁLIA: POÉTICAS A REBATE

 Pensar-te é pensar o amor e a morte.

Escrevo na margem da tarde

No seio mágico das estações o entardecer

No teu bairro é ainda o mesmo 

Com mulheres rubras e fantasmas de carne

E tinta gritando guarnicamente o não de

Todas as guerras. Fico a pensar nisto demoradamente e sinto o cântico do poema a

Sua deslocaçâo de ar o vaivém das marés 

Nas margens submersas do indizível .

Sinto alguns versos quando brandos,

A agudeza incómoda o esvoaçar de pomba

Quente como as línguas de espírito santo

Abrindo algumas portas metendo mesmo o ombro às portas do medo e do preconceito

Nas margens submersas do indizível.

21 de agosto de 2023

PESSOA E MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

Ando a ler, com muito agrado, esta monumental obra. A dado passo (página 396), deparei com este curioso cotejo entre as personalidades de Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro, que ajuda a compreender o percurso de vida escolhido por cada um dos amigos:




 "Sá-Carneiro escrevia com regularidade, sentava-se longamente nos cafés e deambulava pelos Jardins do Luxemburgo, mas a sua excitação por estar em Paris passou em breve a alternar com estados de torturada ansiedade por causa de aparentemente nada, a não ser pelo facto de que a beleza é fugidia e a vida imperfeita. Atrozmente consciente de tudo aquilo que faltava no mundo, que ele amava, e nele próprio, que ele adorava, era um infeliz sibarita e um narcisista falhado. Pessoa dava livre curso às suas próprias e ainda mais abstractas ansiedades, estando sobretudo preocupado com o porquê deste mundo e o lugar que nele ocupava, e imaginava outros mundos, outros eus."


F. Faria

5 de julho de 2023

o início de UM DEUS PASSEANDO PELA BRISA DA TARDE

«Brilha o céu, tarda a noite, o tempo é lerdo, a vida baça.» Mário de Carvalho, Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde (1994), 2.ª ed., Lisboa, Editorial Caminho, 1995, p. 13.

7 de junho de 2023

o início de A RUIVA

«A taberna do Pescada ficava mesmo em frente ao cemitério dos Prazeres, e era frequentada pela gente do sítio, especialmente de noite, à hora em que os cabouqueiros e os britadores abandonam os seus trabalhos e entram na cidade, em ruído.» Fialho de Almeida, A Ruiva [1878], Lisboa, Assírio & Alvim, 2005, p. 15.

24 de maio de 2023

o Autor e o seu livro: CARLOS DE OLIVEIRA -- O HALO E O ESPELHO TURBADO, por Vítor Viçoso

 


Sexta-feira, 26 de Maio, 18 horas
Museu Ferreira de Castro

o início de A SELVA

«Fato branco, engomado, luzidio, do melhor H.J. que teciam as fábricas inglesas, o senhor Balbino, com um chapéu de palha a envolver-lhe em sombra metade do corpo alto e seco, entrou na "Flor da Amazónia" mais rabioso do que nunca.» Ferreira de Castro, A Selva (1930), 42.ª ed., Lisboa, Cavalo de Ferro, p. 27.

3 de maio de 2023

o início da CRÓNICA DE D. PEDRO

 

«Morto el-rei Dom Afonso, como haveis ouvido, reinou seu filho o infante D. Pedro, havendo então de sua idade, trinta e sete anos e u mês e dezoito dias.» Fernão Lopes, Crónica de D. Pedro, edição de António Borges Coelho, Lisboa, Livros Horizonte, 1977, p. 45.

24 de abril de 2023

6 poemas de Liberto Cruz - o Autor e o seu Livro - 28-IV-2023

Quem a morte sentiu

Da vida não foge

(Livro de Registos / Última Colheita, 2022)


***


Tenho a idade

deste plátano 

e desta tília.


Todavia sei

que não vamos

envelhecer juntos.

(Sequências, 2000)


***


Uma só vida não chega

Nem outra nem outra ainda

Para dizer que te amo

Meu amor meu só amor.


E quando a morte vier

Inevitável e certa

Que seja eu o primeiro

A ficar no livro inscrito.


Que ali discreto seja

E feliz por ter amado

A mulher por que morri


Vivendo. Nada mais quero.

Se de meu amor morri

Morrendo volto a viver.

(Caderno de Encargos, 1994)


***


Como defender a Pátria falando outra língua,

Se outra língua ouvindo sei que esta terra

Minha Pátria não é?

(Jornal de Campanha, 1986)


***


Em Portugal haver mocidade portuguesa

é um pleonasmo a evitar

(Gramática Histórica, 1971)


***


SÓ PORQUE ÉRAMOS PUROS

Só porque demos as mãos

E gritámos bem alto 

O nome da amizade,

Só porque trocámos carícias

Sem o prazer dos sexos

E fomos amantes Como o luar e o rio,

Chamaram-nos devassos

E refugiaram-se no mundo 

Torpe, em que não caímos.

(Momento, 1956)





18 de abril de 2023

"Património e Mudança" - Dia Internacional dos Monumentos e Sítios / 2023


Conferência: «Ventos de Mudança: Património, História e Ideologia em Pequenos Mundos e Velhas Civilizações, de Ferreira de Castro»
18 de Abril, 18 horas, no Museu Ferreira de Castro

 

14 de abril de 2023

o início de UM PASSADO PERFEITO

«Não preciso de pensar para compreender que o mais difícil seria abrir os olhos.» Leonardo PaduraUm Passado Perfeito (1991), trad. Helena Pitta, Porto, Porto Editora, 2021, p. 15.

12 de abril de 2023

UM PASSADO PERFEITO

Já há muito que aqui não vinha. Da última vez que o fiz, esforcei-me por publicar uma léria sobre um livro meu, mas desisti depois de umas dez tentativas de ilustrar com uma imagem. Tentei atribuir o fiasco a um capricho do computador, mas, na verdade, é a central eléctrica que já vai falhando... Vale a tudo isto a autocomplacência com que um septuagenário procura camuflar a frustração do impiedoso desgaste... 

Hoje, terminada a leitura do magistral romance policial de Leonardo Padura, cuja discussão está aprazada para a próxima sexta-feira no Clube de Leitura Ferreira de Castro, de Sintra, voltei, disposto a dispensar a imagem e centrar-me nos caracteres.

Posso afirmar que me encheu as medidas. Tão inteligente, tão fino, tão humano. Brilhante, mesmo!

E deixo um pedacinho. Pena que um pouco mórbido...:

          «Agora faltava o brilho claro dos seus olhos e a voz, lançada com dramatismo sobre a multidão.              Faltava o hálito imaculado do seu rosto acabado de barbear, lavado, acordado. Faltava o sorriso             inevitável e seguro que esbanjava luz e simpatia. Parecia ter engordado, com uma gordura                    violácea e doentia, e precisava urgentemente de pentear o seu cabelo castanho.

            - Mas é ele - disse o Conde, e o médico-legista voltou a cobri-lo com o lençol, como o pano que             cai no último acto de uma peça sem encanto nem emoção.»

F.F. 

10 de março de 2023

o início de MATARAM A COTOVIA

 

«Quando estava prestes a completar treze anos, o meu irmão Jem fracturou gravemente o braço na zona do cotovelo.» Harper LeeMataram a Cotovia [1960], trad. Fernando Ferreira-Alves, Lisboa, Relógio d'Água, 2022, p. 13

3 de março de 2023

ATTICUS


--- Matar a cotovia é calar uma canção de amor. Alguém tem outra ideia? Quanto aos versos, não sei...---

To kill a mockingbird
Is to silence the song
That seduces you
Why?
'Cause you need that desire in your heart to survive
And you need that burning fire in your soul to know
You're still alive
To catch me when I fall
Or did I dive at your delight?

In my heart I can fly
And I cannot disguise my love
There is no time
And I wouldn't know how
Constellations tonight
Are so fiercesomely bright, my love
I have no fear
I am Atticus now

Remember what I lost like hot coals in my hand from days gone by
Like Pandora adored the euphoria as her heart raced
Like love lost you've got to try even in vain
Feels like you'll go insane
But you're the hardest instrument that I've ever had to play

In my heart I can fly
And I cannot disguise my love
There is no time
And I wouldn't know how to
Constellations tonight
Are so fiercesomely bright, my love
I have no fear
I am Atticus now

So why don't we fall into the waves?
Can't you see how my heart yearns to misbehave?

In my heart I can fly
And I cannot disguise my love
There is no time to
And I wouldn't know how
Constellations tonight
Are so fiercesomely bright, my love
I have no fear left
'Cause I am Atticus now

So why don't we fall into the waves?
Can't you see how my heart yearns to misbehave?



8 de fevereiro de 2023

o início de VIAGENS NA MINHA TERRA

 

«Que viaje à roda do seu quarto quem está à beira dos Alpes, de Inverno, em Turim, que é quase tão frio como Sampetersburgo -- entende-se.» Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra 1846], Mem Martins, Publicações Europa-América, 1976, p. 9.

27 de janeiro de 2023

o início de OS ANOS

«Todas as imagens irão desaparecer.»

Annie Ernaux, Os Anos [2008], trad. Maria Etelvina Santos, Porto, Livros do Brasil, 2022, p. 9.

26 de janeiro de 2023

BETO E ARLINDA de Pedro da Fonseca


É com empenhamento pessoal que lhe trago um novo livro publicado pela Bibliotrónica Portuguesa, com o prazer acrescido de lho oferecer livremente para leitura (basta clicar numa das três hiperligações, e depois em PDF), podendo partilhá-lo com todos os amigos que gostem de literatura de qualidade. 

Este, realço, é diferente de todos os que leu até hoje; para não estar a repetir informação, transcrevo o que a editora refere sobre a obra.

Beto e Arlinda,
por Pedro da Fonseca

O autor já tinha sido homenageado no nosso blogue, aquando da sua morte. Merecidamente.


23 de novembro de 2022

TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA

 

… Alegre pretexto para conhecer Afonso Henriques de Lima Barreto e uma obra extraordinária.

O livro beliscou-me e fez-me cócegas: surpreendeu-me; não conhecia o autor, o título não entusiasmava e depois...
A ironia cínica, cirúrgica, que se agacha debaixo de frases de uma inocência, que parece irrelevante, é admirável. Tudo com uma linguagem de quem está a falar por falar. Que nítida definição dos personagens, sem nos enfastiar com pormenores irrelevantes! Tudo na conta certa.
E a história que suporta o romance, que o poderia limitar no tempo e no espaço, replica-se na atualidade, dando-lhe um valor acrescido.
A sessão tinha-me já revelado uma situação menos comum: nenhum dos confrades se tinha desiludido com a leitura, o que, naturalmente, nem sempre acontece; mesmo os que, como eu, iam a meio da peregrinação. Concordo com a unanimidade da «votação».
E depois, Policarpo, um sonhador, mas que eu apreciei sobremaneira, pelos ideais que o alimentavam e conduziam, mesmo se, em termos práticos, as coisas não harmonizassem com os sonhos; mas seria melhor um mundo de Policarpos ou de abantesmas execráveis que partilhavam o mundo com ele? Ficou o mundo melhor com a prisão de Policarpo e a vitória dos pragmáticos?
Uma vénia ainda ao Ricardo Coração dos Outros e à afilhada que também encontramos, com alguma raridade, na sociedade hodierna.
Livro / autor diferente do habitual: inteligente, com uma visão superior das coisas... parecendo humildemente deambular entre os alarves gananciosos, poltrões, preguiçosos, oportunistas, ignorantes que vão desfilando na trama.
Já recomendei a amigos; recomendo-o a si.
A imagem de apresentação é extraída do filme baseado na obra, que descobri, e está à disposição de quem queira, embora eu tenha sempre receio de ver um trabalho cinematográfico inspirado num bom livro, pelo risco de desiludir.

15 de novembro de 2022

o início de TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA

«Como de hábito, Policarpo Quaresma, mais conhecido por major Quaresma, bateu em casa às quatro e quinze da tarde.» Lima Barreto, Triste Fim de Policarpo Quaresma [1915], Lisboa, Penguin Random House, 2021, p. 9.

27 de outubro de 2022

I ENCONTROS CASTRIANOS DE SINTRA - Museu Ferreira de Castro 12 de Novembro de 2022

 

Programa

10 h.: Apresentação dos Encontros

10,15h. Vítor Viçoso, «A Lã e a Neve e o Imaginário Neo-Realista: convergências e divergências»

11,00 h. Manuel Matos Nunes: «Tiago, o “Estica”, em A Selva, de Ferreira de Castro»

11,45 h.:  Fernando Ramos Machado, «Ferreira de Castro e os Grão-Mestres de Malta»

12,30 h: Debate

 

14,15 Annabela Rita, «Ferreira de Castro e a globalização»

15h. Ana Cristina Carvalho, «Rigores de Inverno em romances Castrianos: Cenário, personagem e mensagem»

15,45h. Clara Campanilho Barradas: «O teatro de Ferreira de Castro»

16, 30h Carlos Jorge F. Jorge, «Traços do destino e projeções da natureza humana nas representações da água em Ferreira de Castro»

17,15h : Debate

Entrada livre, sujeita a inscrição prévia

21 de outubro de 2022

"Anarquismo, Insubmissão, Inconformismo"


Estudos sobre Raul Brandão, A Batalha  e Raul Brandão, Campos Lima, Manuel Ribeiro, Neno Vasco, Ângelo Jorge, Jaime de Magalhães Lima, António Gonçalves Correia, Jaime Cortesão e Eça de Queirós, Pinto Quartim, Assis Esperança, Ferreira de Castro, Jorge Teixeira, Mário Domingues, José Régio, João Pedro de Andrade, Roberto Nobre, Alves Redol e os anarquista e anarco-sindicalistas, revista Pensamento
Apresentação por António Baião, Museu Ferreira de Castro, 22 de Outubro de 2022, 15 horas

 

10 de outubro de 2022

o início de O FALCÃO DE MALTA

«O rosto de Samuel Spade era longo e ossudo e o seu queixo formava um pronunciado V, sob o V mais suave da boca.»

Dashiell Hammett, O Falcão de Malta [1930], trad. Baptista de Carvalho, Lisboa, Livros do Brasil, s.d., p. 7. 

1 de setembro de 2022

o início de NIKETCHE -- UMA HISTÓRIA DE POLIGAMIA

 

 «Um estrondo ouve-se do lado de lá.»

Paulina Chiziane, Niketche -- Uma História de Poligamia (2002), 7.ª ed.,  Alfragide, Editorial Caminho, 2021 p. 9.