«Até àquele dia de Junho de 1914 nunca fora pronunciado, em Vila Velha e no seu Concelho, o nome de Sarajevo.» Álvaro Guerra, Café República [1982], 3.ª ed., Lisboa, O Jornal, 1984, p.5.
27 de abril de 2018
23 de abril de 2018
as palavras e as ideias
«As ideias têm outra luz antes de se esconderem nas palavras. Explodem na treva antes de arrefecerem nos sinais. Mas quanta luz se ganha no manuseio, na interrogação, no vocabular das palavras.» António Borges Coelho, Donde Viemos -- História de Portugal, vol. I [2010], 2.ª ed, Lisboa, Editorial Caminho, 2015, p. 11,
19 de abril de 2018
o início de A TEMPESTADE
«Contra o seu costume, Albano viera tarde e entrara sem os cuidados tidos nas outras noites, quando queria abafar rumores; logo, porém, volvera às precauções de sempre.» Ferreira de Castro, A Tempestade [1940], 16.ª ed., Lisboa, Cavalo de Ferro, 2017, p. 11.
11 de abril de 2018
"Aqui há lobos"...
«Aqui há lobos que sobrevivem contra todas as probabilidades, que encontram caminhos para perpetuar a espécie, que caçam como não devem e são caçados como não podem.» Ricardo J. Rodrigues, Malditos -- História de Homens e de Lobos, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2014, p. 14.
5 de abril de 2018
Mário Sacramento sobre PRAÇA DA CANÇÃO
«[...] Manuel Alegre conduz o lirismo do eu ao plano de uma expressão colectiva que as experiências teorizadas do nós jamais haviam atingido.» Mário Sacramento, «Sal e trevo: um sentido fulgurante de epopeia», prefácio a Manuel Alegre, Praça da Canção [1965], 4.ª ed., Mem Martins, Publicações Europa-América, 1979, p. 19.
21 de março de 2018
18 de março de 2018
Globglogabgalab
Uma animação um bocado esdrúxula, um verme simpático que adora livros, e parece ser correspondido (coisas que o meu filho vem mostrar-me...)
13 de março de 2018
8 de março de 2018
"AO FUTURO ENTREGAREI SEMPRE O MELHOR DO MEU PASSADO"
Vila Franca de Xira, monumento a ÁLVARO GUERRA e mural alusivo aos três escritores do concelho: dois por nascimento e um por adopção.
7 de março de 2018
dos cães
«Eles dão-nos a honra de nos tratarem como deuses e nós respondemos-lhes tratando-os como coisas.» J. M. Coetzee, Desgraça [1999], trad. José Remelhe, Lisboa, Biblioteca Sábado, Lisboa, 2008, p. 72. (ao lado uma edição brasileira, com o título bem mais adequado: Desonra)
3 de março de 2018
Festejemos, pois
Estimados Confrades,
Partilho referência pública:
http://www.cm-sintra.pt/clube-de-leitura-faz-10-anos
Concelebremos!
Partilho referência pública:
http://www.cm-sintra.pt/clube-de-leitura-faz-10-anos
Concelebremos!
2 de março de 2018
1 de março de 2018
26 de fevereiro de 2018
21 de fevereiro de 2018
16 de fevereiro de 2018
É COM ALEGRIA
que sossego os caros confrades, informando que o meu exemplar de DONDE VIEMOS já apareceu.
Estando eu, há dias, e pela enésima vez, a percorrer atentamente (?) com o olhar as lombadas da estante onde pensava que ele podia acoitar-se, eis que ouço uma voz escarninha, vinda da prateleira do meio, mesmo à frente dos meus olhos: "Estou aqui, ó seu zarolho!"
Perdoando-lhe a irreverência, peguei nele e segredei-lhe ao ouvido: «Tens toda a razão; estou a ficar velho e cegueta».
Depois, comecei a devorá-lo...
Chegado à página 71, deparei com este poema escrito a duas mãos por Marcial e A. Borges Coelho:
«No fundo do vale mugem os touros bravios», e pelo «campo selvoso», a farta Ceres mostra os cereais e os frutos, as «ânforas exalam o odor dos produtos outonais». E vagueia toda uma turba de vitelos, cordeiros, porcos que «seguem o avental da caseira», gansos, pavões, pombos, galinhas de Rodes, faisões de Colcos, galinhas pedreses da Numídia. A tez cor de leite dos escravos da casa denuncia a origem do Norte europeu. O podador transporta as uvas tardias, o pedagogo e o quinteiro exercitam os jovens brincalhões, o dispenseiro e até o «efeminado eunuco» se comprazem no trabalho. Os camponeses da vizinhança, por certo dependentes, vêm saudar o patrão, trazendo mel e queijo.
Boa leitura e
ATÉ DIA 2!
o vírus da inveja
«Contagioso, propagou-se pela Terra; congênito, atacou desde o início. Como se sabe, o primeiro ser humano fecundado pelo sêmen de um homem numa mulher, o que experimentou a relação primal de prazer e frustração, o que mamou no seio materno, esse já nasceu com o sangue contaminado pelo vírus da inveja.» Zuenir Ventura, Inveja -- Mal Secreto [1998], Lisboa, Planeta, 2010, p. 105.
14 de fevereiro de 2018
o início de A TEMPESTADE
«Contra o seu costume, Albano viera tarde e entrara sem os cuidados tidos nas outras noites, quando queria abafar rumores; logo, porém, volvera às precauções de sempre.» (16.ª ed., Lisboa, Cavalo de Ferro, 2017)
11 de fevereiro de 2018
DONDE VIEMOS...
Se alguém encontrar um exemplar novinho em folha, sem saber DONDE VEIO, tome atenção, que pode ser meu... Na verdade, comprei um há dias na Bertrand, cheirei-o (como é habitual), abri-o ao acaso e dei uma espreitadela ao texto (como também é costume), logo ficando com o apetite desperto. Depois (como mais uma vez é usual), devo tê-lo atirado para o banco de trás, ao chegar ao carro... Aqui começa a parte enigmática: infelizmente, no dia seguinte tinha-lhe perdido o rasto... Larguei-o algures... Não sei PARA ONDE FOI...
Acalento a esperança de que, arrependido da aventura, volte ao redil a tempo de o ler para a próxima sessão... E, como sou tolerante e compreensivo, não lhe vou perguntar POR ONDE ANDOU...
(Era para acrescentar aquele bonequinho com a piscadela de olho, mas não o encontrei... Por favor, façam de conta que o vêem... Outro bonequinho...)
9 de fevereiro de 2018
7 de fevereiro de 2018
uma epígrafe de José Cardoso Pires
«Tudo vai de saber guardar a confiança. De não esmorecer.» (O Hóspede de Job)
in Praça de Canção (1965) de Manuel Alegre.
3 de fevereiro de 2018
UM APONTAMENTO AUTOBIOGRÁFICO EM "A TEMPESTADE"
«Volveu ao passado, à aldeia nativa. Surgiam os campos à
beira do rio, a velha ponte, a levada, a igreja lá ao fundo. Em seguida, o
grupo de austeros castanheiros que existia na estrema do vale, já nas faldas da
serra. “Havia muito sol nos castanheiros quando ele dissera a Mariana que
estava apaixonado por ela – e ela começara a rir-se… Tinha razão. Ela era já
uma rapariga de vinte anos e ele um garoto. Fora o seu primeiro interesse
feminino.”»
--- Capítulo II, Albano recordando a sua vida no transe
doloroso do dia 10 de Maio.
«Um amor pueril iria dar novo rumo à sua vida.
Apaixonara-se por Margarida, que aos dezoito anos pouco ligava à criança que
ele, com pouco mais de dez, ainda era. Um acto temerário agigantá-lo-ia,
decerto, aos olhos de Margarida. Decidiu, a exemplo do que faziam muitos homens
e rapazes da sua idade, emigrar para o Brasil, proeza que espantaria tudo e
todos.»
--- Dados biográficos da infância de Ferreira de Castro,
Guia da Exposição do Museu Ferreira de Castro, Sintra.
Foto: exemplar de "A Tempestade" adquirido em alfarrabista, edição de 1940, carimbada na última página com o ex-líbris do autor.
1 de fevereiro de 2018
Nathan, o Pessimista
«[...] Receio bem que metido entre os homens desaprendas o que é ser homem.» Gottold Ephraim Lessing, Nathan o Sábio, trad. Yvette Centeno, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2016, p. 59.
26 de janeiro de 2018
felizmente, não é de todo verdade
«Uma pessoa não pode considerar-se culpada de depravação e esperar um dilúvio de simpatia. Pelo menos a partir de certa idade. A partir de certa idade uma pessoa deixa pura e simplesmente de ser apelativa e é tudo. Só nos resta cerrar os dentes e viver o resto da vida. Cumprir a pena.» J. M. Coetzee, Desgraça [1999], trad. José Remelhe, Lisboa, Biblioteca Sábado, Lisboa, 2008, p. 61.
24 de janeiro de 2018
O NOVIÇO, de Fernando Faria, segundo Miguel Real
O romance do nosso confrade Fernando Faria, O Noviço (2015), nas merecidas palavras de Miguel Real.
22 de janeiro de 2018
Lessing, 289
Gotthold Ephraim Lessing, Kamenz (Saxónia), 22 de Janeiro de 1729.
(retrato por Anna Rosina de Gasc)
14 de janeiro de 2018
12 de janeiro de 2018
o passado é outro país
«Acabo de receber a seguinte carta: "Nós, os velhos, temos uma vida difícil... Mas não sofremos por causa das pensões pequenas e humilhantes. O que mais nos magoa é sermos expulsos de um grande passado para um presente insuportavelmente pequeno. Já ninguém nos convida para discursar nas escolas, nos museus, já não fazemos falta. Nos jornais, os nazis são cada vez mais nobres, e os soldados vermelhos cada vez mais hediondos."» Svetlana Alexievich, A Guerra não Tem Rosto de Mulher (1985), trad. Galina Mitrakhovich, Lisboa, Elsinore, 2016, p. 32.
5 de janeiro de 2018
"HÁ CADA VEZ MENOS PASTORES NOS VALES, HÁ CADA VEZ MENOS LOBOS NOS MONTES, MAS HÁ CADA VEZ MAIS ESTRADAS PARA CHEGAR AOS VALES E AOS MONTES"
Malditos, pag. 13
Eu, com as minhas origens rurais e idade já considerável, testemunhei tempos, para mim inesquecíveis, de harmonia entre o Homem e a Natureza e sobretudo de desfrute total desta por aquele (apesar de algumas quezílias entre mamíferos). Mais tarde, usufruí das delícias da tecnologia e do consumismo. O que sinto, ao olhar para trás? Uma sensação de de vazio, de perda, que tem todos os sintomas de irreparável. O mundo rural desapareceu; o que resta no seu lugar é um cenário de solidão e abandono, uma paisagem para turista ver. As poucas aldeias ardem... Restam as cidades... Por enquanto...
2 de janeiro de 2018
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