29 de fevereiro de 2012
Abd el-Krim e a História
28 de fevereiro de 2012
Carlos Malheiro Dias, o romancista, melhor que Carlos Malheiro Dias, o panfletário
Gama, o pirata
Charles Maurras
27 de fevereiro de 2012
aproximava-se o 1.º Centenário de Camilo Castelo Branco
O barão de Wrangel
«Esse palhaço disfarçado de Marte, não deixa extinguir seu ódio ao novo regime russo, não pelo regime em si, mas porque supõe ver nele a encarnação da Liberdade.»
25 de fevereiro de 2012
Cesário, 157
24 de fevereiro de 2012
David Mourão-Ferreira 85
22 de fevereiro de 2012
ao encontro de Deus
15 de fevereiro de 2012
JACQUES SADOUL (1881-1956)
SEGREDO, Maria Teresa Horta
vestido
que tiro pela cabeça
nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa
Deixa que feche o
anel
em redor do teu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço
Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar
nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar
Eros de Passagem -- Poesia Erótica Contemporânea, selecção e prefácio de Eugénio de Andrade, Porto, Limiar, 1982, p. 64.
(lido na sessão de 3 de Fevereiro de 2012)
13 de fevereiro de 2012
PRESÍDIO, David Mourão-Ferreira
Que dizer do pescoço, às vezes mármore,
às vezes linho, lago, tronco de árvore,
nuvem, ou ave, ao tacto sempre pouco...?
E o ventre, inconsistente como lodo?...
E o morno gradeamento dos teus braços?
Não, meu amor... Nem todo o corpo é carne:
é também água, terra, vento, fogo...
É sobretudo sombra à despedida;
onda de pedra em cada reencontro;
no parque da memória o fugidio
vulto da Primavera em pleno Outono...
Nem só de carne é feito este presídio,
pois no teu corpo existe o mundo todo!
Eros de Passagem -- Poesia Erótica Contemporânea, selecção e prefácio de Eugénio de Andrade, Porto, Limiar, 1982, p. 50.
(lido na sessão de 3 de Fevereiro de 2012)
9 de fevereiro de 2012
traços dum lapuz
8 de fevereiro de 2012
Ela canta, pobre ceifeira, Fernando Pessoa
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anónima viuvez,
Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.
Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões p'ra cantar que a vida.
Ah! canta, canta sem razão!
O que em mim sente 'stá pensando.
Derrama no meu coração
A tua incerta voz ondeando!
Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção! A ciência
Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!
Fernando Pessoa, Cancioneiro
29 de janeiro de 2012
porque gosto tanto do Manuel da Fonseca
26 de janeiro de 2012
mais uma epígrafe, esta de Nietzsche
Biografia (sonetos) de JOSÉ RÉGIO
uma epígrafe de Almeida Garrett
Onde todo o seu mundo se encerra,
Porque aí tem -- o seu bem -- seus amores.
A Adélia, apud Bernal-Francês.
n'Os Meus Amores, de Trindade Coelho
22 de janeiro de 2012
uma epígrafe de Fernando Pessoa
Senhor, Falta cumprir-se Portugal.
Mensagem
n'O Labirinto da Saudade, de Eduardo Lourenço.
Alice Ruiz
19 de janeiro de 2012
Pedro da Fonseca - um escritor desconhecido - homenagem

Professor, por necessidade e vocação, sacerdote, por amor à mãe e singular missão, escritor, por entranhado afeto à pátria / língua portuguesa e necessidade pungente de clamar revoltas, angústias, ideias, solidão e medos, Pedro Inês da Fonseca, aos 93 anos, deixou que lhe entregassem o corpo, à terra, na manhã fria de 27 de Novembro de 2011.
Homem simples, solitário, humilde, mas sensível e conhecedor da vida e da alma humanas, além de artífice, rigoroso, da língua que falamos, foi capaz de nos legar uma obra literária, em 28 volumes, impressos a custas suas (Europress), e mais 42, já publicados e em vias de publicação, em blog criado para o efeito: (http://pedrofonseca1918.blogspot.com). Nas gavetas e estantes, segundo confidência, estará quase outro tanto que o tempo e a saúde lhe não permitiram rever (com visão monocular debilitada pelos anos e esforço, é pena que muitas gralhas de digitação lhe perturbem, muitas vezes, a escrita).
Filhos, assim lhes chamava, com desilusão de não ter tido outros.
Rigoroso na forma, seguidor dos clássicos, insurgiu-se contra os desmandos do linguajar e escrever; três dos seus livros foram batizados “Venha Aprender Português Comigo”.
Conservador, nalgumas questões do mundo e da vida (religião e vocação genuína, educação cívica, morigeração de costumes, homossexualidade…) não hesitou em assumir posições de fronteira, contra o celibato imposto (por antinatural, causador de males sociais e morais, não determinado por Jesus), a educação forçada e não construída na razão (sem respeito pela liberdade de cada ser), a vocação induzida, seja para a vida religiosa, seja para qualquer mister (manancial de infelicidade sem termo)…
Com amor arreigado, à pátria, zurziu os seus vendilhões, de ontem e de hoje.
De uma religiosidade profunda, os seus escritos estão impregnados dos mais puros conceitos, influenciados por algum ecumenismo quando, em África, conviveu, de perto, com várias confissões cristãs.
Sem olvidar o romance (ou novela, como preferia chamar), a sua obra tem como pilares as Memórias (diários d’aquém e d’além mar) e a didática, em vários espaços da vida e do saber, sob o título Consulta da Tarde.
Ao sofrer, na pele, os horrores e humilhações, como refugiado, no sul de Angola e Namíbia, aquando da descolonização, deixou-nos linhas talhadas a sangue, retratos palpitantes de uma época da nossa história, com os erros e virtudes dos mesmos homens que a foram decidindo.
O que fica por dizer, contrariando o meu impulso de antigo aluno e de amigo de há muitos anos! Manda porém o bom senso que me detenha.
Mas, na hora em que o seu coração deixou de bater, impunha-se-me o dever, sentido, deste preito singelo.
JMS
Homenagem prestada na sessão de 6 de janeiro de 2012
16 de janeiro de 2012
POEMA CONFIADO À MEMÓRIA DE NORA MITRANI, Alexandre O'Neill
nos meus joelhos, deixa-me alisar-te,
ó amável bichinho, o pêlo fino;
depois, a contra-pêlo, provocar-te!
Se eu pudesse juntar no mesmo fio
(infinito colar!) cada arrepio
que aos viajeiros comprazidos dedos
fizesse descobrir novos enredos!
Se eu pudesse fechar-te nesta mão,
tecedeira fiel de tantas linhas,
de tanto enredo imaginário, vão,
e incitar alguém: -- Vê se adivinhas...
Então um fértil jogo amor seria.
Não este descerrar a mão vazia!
Lido na sessão de 6 de Janeiro de 2012





















