17 de abril de 2024

POEMAS IMORTAIS - UMA SELECÇÃO POSSÍVEL. XXIV

 

O PALÁCIO DA VENTURA


Sonho que sou um cavaleiro andante.

Por desertos, por sóis, por noite escura,

Paladino do amor, busco anelante,

O palácio encantado da Ventura.


Mas já desmaio, exausto e vacilante,

Quebrada a espada já, rota a armadura...

E eis que súbito o avisto, fulgurante

Na sua pompa e aérea formosura!


Com grandes golpes, bato à porta e brado:

Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...

Abri-vos, portas de ouro, ante meus ais!


Abrem-se as portas d'ouro com fragor...

Mas dentro encontro só, cheio de dor,

Silêncio e escuridão - e nada mais!


Antero de Quental, Sonetos



3 comentários:

  1. Sim é um dos meus poemas preferidos. Parei, agora...um pouco às portas douradas de um palácio ideal, coisa que à meses não fazia , e, dei com estebelo poema deu para respirar um pouco ..

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  2. Um poema extraordinário deste príncipe da grã (des)ventura.

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  3. Este também faz parte do meu espólio mental.

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