1 de julho de 2015

O poema inacabado de Bentinho, em Dom Casmurro

Sem virtudes notórias, o soneto brincalhão, com que pretendi parodiar a paixão de Bentinho, personagem notável de Machado de Assis, tinha ficado no seu habitat natural, entre outros papeis sem futuro.
Aí morreria se o Confrade Fernando Faria não me tivesse instado, de viva voz, a dar-lhe luz, referindo desafio já feito em Comentário que me escapara.
Dois pensamentos acudiram à testa:
"sincera-mente!"
"como bom Noviço, faz o que te indicam."
Pego então no primeiro verso e nos dois últimos, em alternativa.

OH! FLOR DO CÉU! OH FLOR CÂNDIDA E PURA,
Porque me escondes esse olhar candente?
C'um piscar de olho, seria contente
E largaria, aos pés, esta tortura.

Para os meus males essa era a cura
Deste doer... pior que dor de dente.
Vá! Não te rias, que me pões doente.
Olha p'ra mim: vê quanta ternura!

Que bom seria nós os dois, juntinhos,
A rebolarmos entre flores e palha,
As mãos tecendo mil e um carinhos!

Assim, arisca... ai que Deus me valha!
Mato-me: um tiro e vou para os anjinhos...
PERDE-SE A VIDA, GANHA-SE A BATALHA

ou, respeitando a alternativa de "Bentinho de Assis"

Assim, amen!, nada há que valha
A esta sede louca de beijinhos.
GANHA-SE A VIDA, PERDE-SE A BATALHA

2 comentários:

  1. Muito bom!
    Não sei se Machado de Assis teria preenchido melhor os versos em branco!
    Pena não haver o vídeo da declamação de estreia, igualmente magistral.
    Parabéns sinceros, mais uma vez, ao "Bocage" de Manteigas!

    ResponderEliminar