ARRÁBIDA
ARRÁBIDA
À NOITE DE NATAL
Era noite de inverno longa e fria
ÉCLOGAS
Lançou-se Limabeu antre uns penedos
Donde via correr um claro rio,
Acostumado a ouvir os seus segredos.
Com os olhos num bosque alto, sombrio,
A quem a primavera já pagava
A perda que lhe fez o tempo frio.
- Aquilo (começou) que vos contava,
Plantas águas, penedos, foi engano;
Já me desenganou quem me enganava.
Mais foi a perda sua que meu dano,
Mas (como dizem) tudo tempo cura,
Pois o que perde o mês não perde o ano.
Enjeita-se no campo a fermosura
Do lírio já colhido, que não cheira:
Mais há de ter o bosque que verdura!
Inda mal! pois não foi esta a primeira
(Como devera ser) que me levara,
Donde não vira mais esta ribeira.
Não falta nos desertos água clara,
A lapa que da clama me defenda,
Se ventar, ou chover, também me ampara.
... ...
Frei Agostinho da Cruz