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4 de abril de 2014

desrazões

Narrativa habilmente entretecida entre passado e presente, fluindo à medida dessa Helena comedida, mas de ideias firmes, oriunda da pequena burguesia lisboeta. O tempo é o dos últimos sessenta anos, da opressão à libertação, da PIDE ao Facebook, da carência à abundância para a qual, dizem, não tínhamos possibilidades. Opressão e libertação, não apenas da cidadania, mas da própria condição da mulher portuguesa, cidadã de terceira num universo de preconceito e tabus, ontem; emancipada, em boa medida, hoje -- inclusivamente na sexualidade, de que a filha, Yolanda, é exemplo; ou, ainda, o mundo novo da net, protagonizada por Joana, em paternalista interacção com a avó.
Na noite de mediocridade e pobreza (também moral) que foi o Estado Novo, Delgado foi o fogo-fátuo que a iluminou brevemente, para desaparecer de imediato -- excepto na memória de todos quantos viveram aquele período de ilusão.
O Eléctrico 16 é igualmente um relato dos amores possíveis, os que se efectivaram, uns na carne, no espírito, outros, sabendo-se que os vários homens e mulheres que existem dentro de nós nunca se conformam com a domesticação que a (des)razão e a civilidade impõem.

Filomena Marona Beja, O Eléctrico 16, Lisboa, Divina Comédia, 2013.

31 de março de 2014

"O ELÉCTRICO 16"

Peguei hoje no livro, depois de ter passado os olhos pelas notícias do dia: Medvedev visita a Crimeia, Hollande perde nas municipais, anuncia-se um “alerta amarelo” para toda a costa portuguesa e realiza-se – o que pode ser o pior de tudo – um conselho de ministros extraordinário. Acredito que nada disto me vai impedir de acabar a leitura: quarenta e tal páginas já cá cantam. E que páginas!