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11 de abril de 2017

uma epígrafe de Alexandre Herculano

«Isto é grave, porque é atroz...» 


História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal (1854-1859)


in Camilo Castelo Branco, O Judeu [1866], Silveira, E-Primatur, 2016.

13 de novembro de 2014

de Ferreira de Castro

«Irmanados pelo mesmo arcabouço literário, pela mesma forte orquestração verbal, os dois separam-se quando as pupilas devem constituir elemento a aproveitar. Herculano tem pouca cor, usa poucas cores. A sua visão não encontra cromatismos e é como o seu pensamento: profundo, vasto, mas sóbrio. Se tivesse de pintar, seria como certos mestres da arte espanhola; sombrios, procurando exteriorizar-se pelo castanho e pelo negro. Há sempre algo de arte ibérica, conventual, neste génio português.»

Excerto de «Euclides e Herculano», Vária Escrita #3, Sintra, Câmara Municiapl, 1996, pp. 157. Texto originalmente publicado no n.º 0 (ou "espécime") de O Diabo -- Semanário de Crítica Literária e Artística, de que Ferreira de Castro foi fundador, tendo sido, por breve período, um dos seus directores..
Antologiei-o num pequeno conjunto de textos circunstanciais sob o título «A unidade fragmentada. Dispersos de Ferreira de Castro».

(lido na sesão de quarta-feira, 29 de Outubro de 2014)

7 de setembro de 2012

«As Pupilas do Senhor Reitor», segundo Herculano, Eça e Camilo

Na indispensável Biografia de Júlio Dinis, Liberto Cruz recolhe algumas apreciações contemporâneas sobre As Pupilas do Senhor Reitor, o primeiro romance que lhe saiu dos prelos (1867).
Para Alexandre Herculano tratava-se d'"o primeiro romance português" (p. 129); Eça de Queirós (cuja frase assassina n'As Farpas, à data da morte do escritor notava que este "vive[ra] de leve, escreve[ra] de leve, morre[ra] de leve") defendera ou defenderá (desconheço a data) que As Pupilas "era um livro real. Surgia no meio duma literatura artificial" (ibidem); já Camilo Castelo Branco, em carta a António Feliciano de Castilho, depois de lido "As Pupilas do Abade" (sic) -- era tramado o sacrista do Camilo... -- notava, quem sabe se divertido se despeitado: "Aquilo é rebate de entroixar eu a minha papelada e desempecer a estrada à nova geração" (p. 130)...

Liberto Cruz, Biografia de Júlio Dinis, Lisboa, Círculo de Leitores, 2006.

24 de agosto de 2011

E nós? (quando a propósito de Júlio Dinis se fala em Garrett e Herculano...)

O Jerónimo Caninguili de A Conjura anda a ler à Judite As Pupilas do Senhor Reitor, do Júlio Dinis. E nós, quando agendaremos um dos quatro romances deste grande escritor de oitocentos?
Se a memória não me falha, é o único romancista do século XIX que resiste, ao lado de Camilo e Eça. Garrett é essencialmente as Viagens (o que não é pouco, tratando-se de um livro fundador e charneira); o Herculano, pelo menos o do Eurico, requer alguma profundidade no conhecimento da Alta Idade Média peninsular, para que não seja lido pela rama, o que o afasta do leitor comum. O bom do Júlio Dinis, esse -- como muito Camilo e todo o Eça -- mantém  actualidade e interesse.

P.S. Claro que me refiro a Garret e a Herculano enquanto romancistas. Garrett persiste também no teatro (e como!) e na poesia; Herculano é apenas o maior historiador português de sempre. Para além disso, as suas figuras históricas, como soldados na guerra civil entre liberais e absolutistas e as funções públicas que desempenharam dá-lhes, também neste campo, um lugar na História de Portugal. Enfim, dois homens superiores, que foram amigos, apesar dos temperamentos completamente opostos (Garrett, um dândi guloso dos prazeres da vida; Herculano, um homem rígido e austero. Um foi feito visconde, o outro recusou o título).