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27 de fevereiro de 2025

pedra-de-toque #15

«Aprendi com o povo e com a vida, sou um escritor e não um literato, em verdade sou um obá -- em língua iorubá da Bahia obá significa ministro, velho, sábio: sábio da sabedoria do povo.» 

Jorge Amado, Navegação de Cabotagem (1992)

5 de abril de 2020

AINDA AS "100 CARTAS"


Encerrando, pela minha banda, o tema das “100 Cartas”, refiro-me às de Jorge Amado (p. 48) e Alves Redol (p. 146).
Como vem sendo hábito, faço a partir de ambas algumas considerações de ordem particular e pessoal.

= 1ª, de JORGE AMADO, datada de 10 de Setembro de 1934.
A carta é escrita do Rio de Janeiro para onde o escritor se havia mudado em 1930, ingressando no ano seguinte na Faculdade de Direito. Parte importante é sobre o romance em preparação Jubiabá, a história de António Balduíno, menino pobre da cidade de Salvador que foi crescendo e ganhando consciência da sua condição de explorado. Pai Jubiabá, cujo nome dá título ao romance, é muito mais que um macumbeiro ou pai-de-santo, é a personagem que representa, também pela língua, a ancestral cultura ioruba dos escravizados. Pai Jubiabá não percebia nada de greve, diz Balduíno, mas conhecia a história e o sofrimento do povo escravo de África.
Este livro estava agendado para a sessão de Março da Comunidade de Leitores de São Domingos de Rana. A discussão foi sendo feita no blogue, tal como aqui, e no dia próprio – 27 de Março – teve lugar uma discussão virtual na página da Comunidade no facebook. Esta discussão recebeu 69 comentários e teve 39 visualizações.
= 2ª, de ALVES REDOL, datada de Agosto de 1950.
É uma carta em torno do romance  A Curva da Estrada, romance que tem tanto de psicológico como de mensagem ética e política. De acordo com o texto do Pórtico, Redol reconhece nele os gérmenes duma grande peça de teatro, e como que incita o escritor a realizar essa transposição: «Está ali uma grande peça de teatro, sem dúvida também. Nada lhe falta para conquistar o tablado; mas pelo seu prefácio parece deduzir-se que não está tentado a fazê-lo. Que galeria de tipos e de caracteres!»
De Alves Redol, Fanga foi o primeiro livro que li, ainda na adolescência, pois o meu pai – operário da Ford Lusitana – tinha uma tosca estante em que se aglomeravam livros como este, alguns de Júlio Verne e Júlio Dinis, mais uns tantos como A Rosa do Adro e outros comprados em fascículos depois agregados em encadernações baratas, como A Toutinegra do Moinho. Este, em vários volumes, é referido por Saramago n´As Pequenas Memórias. Era uma literatura ingénua de consumo tipicamente popular. Mais tarde reli A Fanga com outros olhos e também Gaibéus, Avieiros e Barranco de Cegos, a obra-prima do escritor de Vila Franca.
Nota: as imagens reproduzidas correspondem aos livros em meu poder - a edição de Jubiabá, livro usado, que recentemente me chegou às mãos; e o Fanga velhinho da estante do meu pai. 

26 de maio de 2014

Jorge Amado sobre a sua obra, em 1990

 «Sobre mim e minha obra literária muito se escreveu, de bem e de mal. Disseram certos críticos que não passo de um limitado romancista de putas e de vagabundos. Creio que é verdade e orgulho-me de ser o porta-voz dos mais despossuídos de todos os despossuídos. Disseram também que tenho a paixão da mestiçagem, e dizem-no com raiva racista. Honro-me infinitamente de ser um romancista da nação mulata do Brasil. Creio que, querendo ofender-me, esses críticos me exaltaram e definiram.»

Excerto do discurso no Doutoramento Honoris Causa de Jorge Amado em Línguas e Literaturas Estrangeiras na Universidade de Bari (Itália - 1990), s.l., Colóquio Internacional 100 Anos de Jorge Amado, 2012, pp. 1-4, lido na sessão de 21 de Maio de 2014.

5 de maio de 2014

As sessões das quartas: alguns dos próximos convidados

O Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro passará a realizar-se também às quartas-feiras, entre as 18 e as 20 horas, excepto a última do mês. Ao contrário das sessões das primeiras sextas-feiras -- em que é debatido um livro previamente lido --, às quartas cada pessoa lerá para os restantes confrades contos, poemas, crónicas, correspondência, páginas de diário, excertos de romances, etc. Ferreira de Castro continuará a receber convidados no seu Museu:











10 de agosto de 2012

Jorge Amado, 100

Jorge Amado nasceu há cem anos, na fazenda Auricídia, Ferradas, município de Itabuna, na Bahia.

1 de maio de 2012

Maria Bonita, companheira de Lampião, referido em "Capitães da Areia" pela personagem Volta Seca

Maria Bonita, rainha do cangaço, companheira de Virgulino Ferreira da Silva (Lampião) e exemplo de beleza feminina para a época: "baixinha, de pernas grossas roliças, seios pequenos, cabelos finos e olhos claros". Enfim, uma mocinha nada de se deitar fora. E muito amiga dos animais.

30 de abril de 2012

Lampião, o herói do Volta Seca, capitão da areia

Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião, figura mítica do cangaço nordestino, ídolo do Volta Seca, nos Capitães da Areia, de Jorge Amado.
(imagem daqui)

22 de agosto de 2011

o calor do trópico

Abro A Conjura numa tarde de Guincho, encoberta, pouco ventosa, calor q.b., praia atlântica, em suma.
Reconheço um certo calor de trópico no contar do Agualusa, uma alegria que encontrei também na literatura brasileira (Jorge Amado above all), alegria até no meio dos escombros, algo raramente vislumbrado na literatura portuguesa, mais pesada, mais europeia.