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12 de fevereiro de 2024

15 formulações poéticas - #11. Fiama Hasse Pais Brandão

 «Não posso ver, hoje, a fome crescente e a chacina entre nações sem comoção. E a emoção pelos seres, pelos outros, pela natureza, pelo Cosmos, gera o poema.»

22 de novembro de 2023

TEM DIAS XII

 



DA COSTA DE CASCAIS


Aqui, na orla do mar, as cruzes

são sinais de pescadores perdidos

no fundo, mortos, quando buscam

o sal da vida. Em vez de a sua força

fazer ceder a vaga sob o anzol,

é a força do mar ou a paixão da vida

- arquejante e morta -

que os puxa para um purgatório

de água revolta e de limos.


FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO, As fábulas, 2002

8 de novembro de 2023

TEM DIAS IV

 


Poema


Há seres
que passam entre nós
a nosso lado


e deixamos
que a morte
os tome


sem darmos
pela luz
que veio com eles



FERNANDO J. B. MARTINHO, Um poema para Fiama, Labirinto,2007


[antologia coordenada por Maria Teresa Dias Furtado e Maria do Sameiro Barroso no âmbito da homenagem à Obra Poética de Fiama]

POESIA EM LÍNGUA PORTUGUESA, século XX (32)


EPÍSTOLA PARA UM CISNE

 

Cisne, que não conheces na água o teu reflexo verde

quando sob o teu corpo é dia e o sol afaga quedo

ou quando do teu parte há a sombra negra igual

a tudo o que está negro, e é noite, e abandono e medo.

Nem concebes o amor, nem Leda, nem sequer eu mesma

que te amo no poema e temo o canto imaginado

que não cantaste agora ou não ouvi, de madrugada

quando a minha mãe morta era somente insone.

Nunca viste a beleza, nem a vida e os lábios

que sopram as primeiras e últimas palavras, ou

o hálito que sai sem voz da dor mais desolada.

Nem a doença, a morte e os olhos sem imagens

do ar e das cores várias viste em que tu vogas branco.

É falso que celebres sozinho a tua morte e o fim,

se não sabes que só o teu outro cisne se perde.

Mas quando vi insone e logo morta a minha mãe

estou certa de que a cega, a muda, falsa ave cantou.

 

FIAMA HASSE PAIS BRANDÃO, Epístolas e Memorandos (1996)

 

29 de janeiro de 2015

de Bertolt Brecht



Estes que aqui vêem
são os delatores. Por três vinténs
vendem seu vizinho.
Que são conhecidos
bem no sabem; mas a gente
lembrar-se-á sempre?
A noite dormem-na mal --
-- muitos dias há
antes do dia final.

Poema em epígrafe ao quadro «A denúncia», in O Terror e a Miséria no terceiro Reich, tradução de Fiama Hasse Pais Brandão, Lisboa, Portugália Editora, s.d., p. 13,