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11 de junho de 2014

solidão absoluta


Os últimos anos de D. João V, em deslocações regulares às Caldas da Rainha (de onde o autor é natural), para enfrentar um mal que o deixara semiparalizado, talvez um avc. Um bom pretexto para falar-se do lugar, a que se junta uma história de amor entre Pedro Fontes, escudeiro do infante D. Manuel, irmão mais novo do rei e Sara, uma filha ilegítima d'o Magnânimo -- o episódio mais eminentemente ficcional do livro, pois trata-se de romance histórico.
Neste aspecto, a pesquisa parece-me ter sido muito conseguida, não faltando o episódio de conspiração (ou alucinação visionária de um certo Pedro de Rates Henequim, personagem verídica, sentenciada pela Inquisição), que procurara fazer do infante D. Manuel um futuro imperador do Brasil, como forma de instaurar o V Império bandarro-vieirino.
O mais interessante da narrativa é a solidão do rei absoluto diante da doença e da aproximação da morte. Menos interessante, para mim, a história de amor, central, prejudicando, talvez, alguns aspectos que gostaria de ter visto mais desenvolvidos.

Carlos Querido, A Redenção das Águas, Lisboa, Arranha-céus, 2013

5 de junho de 2014

O início de A REDENÇÃO DAS ÁGUAS


O rei morreu. O dobre de finados dos 114 sinos do convento de Mafra espalha a notícia pelos céus do oeste com uma cadência grave e desolada, que se propaga por um vasto território, para norte, entre a serra e o mar, até à vila das termas, até aos sinos da igreja de Nossa Senhora do Pópulo.

Carlos Querido, A Redenção das Águas -- As Peregrinações de D. João V à Vila das Caldas, Lisboa, Arranha-céus, 2013.