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27 de novembro de 2023

101 poemas portugueses - #10


JORGE

Constantemente vejo o filho amado
Na minha escuridão, onde fulgura
A estática pupila da loucura,
Sinistra luz dum cérebro queimado.

Nas rugas de seu rosto macerado
Transpira a cruciantíssima tortura
Que escurentou na pobre alma tão pura
Talento, aspirações... tudo apagado!

Meu triste filho, passas vagabundo
Por sobre um grande mar calmo, profundo,
Sem bússola, sem norte e sem farol!

Nem gosto nem paixão te altera a vida!
Eu choro sem remédio a luz perdida...
Bem mais feliz és tu, que vês o sol.


Camilo Castelo Branco (Lisboa, 1825 - São Miguel de Seide, Vila Nova da Famalicão, 1890), Nas Trevas (1890) / Poesia, edição de Ernesto Rodrigues, 2008. 

28 de abril de 2020

quadriculado

Homem dos Livros - Alfarrabista - Old Books - Livres Anciens ...«Fafe é uma terra que não se descreve num roteiro ou numa pincelada impressionista. Tem por lá tragédia de que fala o Camilo, e o Zé do Telhado funcionava lá nas redondezas. Em Fafe há sempre umas quadrilhas que dão febra e grandeza ao quadriculado do baixo Minho.» Ruben A., «Branca», Cores [1960], 2.ª ed., Lisboa, Assírio & Alvim, Lisboa, 1989, p. 14.

18 de março de 2020

EPHEMERIDES

16 DE MARÇO DE 1825 (195 ANOS)

(desculpem o atraso, mas não podia passar em claro o maior esteta da prosa nacional)

CAMILO CASTELO BRANCO








"Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbuda, morgado da Agra de Freimas, tem hoje quarenta e nove anos, por ter nascido em 1815, na aldeia de Caçarelhos, termo de Miranda."
(A Queda dum Anjo)

17 de junho de 2018

E se forem 10 ou 11?

Mais vale tarde que nunca, disse não sei quem, e passámos a repetir com mais ou menos convicção.
Há livros que impactam; outros que sabem bem, mas esquecem depois: este desafio tem a virtude de nos levar a esgravatar no saco do natural esquecimento - a melhor das qualidades humanas, alguém opinou - em busca do que permaneceu mais tempo connosco.
Partilho, sem ordem premeditada:
SE ISTO É UM HOMEM
A GUERRA NÃO TEM ROSTO DE MULHER
A LÃ E A NEVE
NOSSA SENHORA DE PARIS
A MISSÃO
DOM CASMURRO
ÚLTIMAS PÁGINAS
O JUDEU
NATHAN, O SÁBIO
Para finalizar, uma confissão: tenho particular admiração pela forma cuidadosa, em rigor e gosto, com que o Confrade Fernando Faria escreve, pelo que refiro ainda, porque "ficaram cá", principalmente a TERRA MÃE e O NOVIÇO.
Missão cumprida.

29 de novembro de 2017

Camilo, psicólogo

«Péssima qualidade têm as boas almas: é serem comunicativas, abertas, dadas com infantil expressão.» Camilo Castelo Branco,O Judeu (1866), Silveira, E-Primatur, 2016, p. 149.

17 de outubro de 2017

a morte, essa galhofeira

«A morte costuma assim zombar com algumas das suas presas, como a fera com a vítima, quando a deixa fugir já ferida, e salteando-a outra e muitas vezes, renova o gozo de lhe rasgar as carnes, até que duma assentada a despedaça.» Camilo Castelo Branco, O Judeu [1866], Silveira, E-Primatur, 2016, p. 127.

21 de setembro de 2017

coisas memoriais

fonte
«Ao mesmo tempo, D. João V lançava a primeira pedra daquela vasta mole de granito e mármore que aí está chamada mafra, cousa de triste e pavoroso aspecto, monumento que a si se levantou um braço real, como se a qualidade do braço o ressalvasse, posteridade além, da nota de se ter imergido no tesouro da pátria, tirando e espalhando às rebatinhas mãos-cheias de ouro que deviam cair em estradas, em colónias, em benefícios da navegação, em benefícios da agricultura, em recultivação das terras de D. Dinis, cujos arados D. Manuel e João III converteram em espadas e mandaram ensopar no sangue das nações de além-mar.»

Camilo Castelo Branco, o Judeu [1866], Silveira, E-Primatur, 2016, p. 120.

21 de abril de 2017

entre verdugos e patifes

«O meu António diz que em Lisboa não há senão duas espécies de gente: fanáticos e hipócritas; com os primeiros estão os verdugos da humanidade, com os outros estão os patifes.»

Camilo Castelo Branco, O Judeu [1866], Silveira, E-Primatur, 2016, p. 117.  

11 de abril de 2017

uma epígrafe de Alexandre Herculano

«Isto é grave, porque é atroz...» 


História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal (1854-1859)


in Camilo Castelo Branco, O Judeu [1866], Silveira, E-Primatur, 2016.

4 de abril de 2017

o início de O JUDEU, de Camilo Castelo Branco

«Há um fenómeno moral, muitas vezes repetido, e todavia inexplicável: é a esquivança desamorosa de mãe a um filho excluído da ternura com que estremece os outros, filhos todos do mesmo abençoado amor e do mesmo pai que ela, em todo o tempo, amara com igual veemência.»

Camilo Castelo Branco, O Judeu [1866], Silveira, E-Primatur, 2016, p. 13.

16 de março de 2017

7 de setembro de 2012

«As Pupilas do Senhor Reitor», segundo Herculano, Eça e Camilo

Na indispensável Biografia de Júlio Dinis, Liberto Cruz recolhe algumas apreciações contemporâneas sobre As Pupilas do Senhor Reitor, o primeiro romance que lhe saiu dos prelos (1867).
Para Alexandre Herculano tratava-se d'"o primeiro romance português" (p. 129); Eça de Queirós (cuja frase assassina n'As Farpas, à data da morte do escritor notava que este "vive[ra] de leve, escreve[ra] de leve, morre[ra] de leve") defendera ou defenderá (desconheço a data) que As Pupilas "era um livro real. Surgia no meio duma literatura artificial" (ibidem); já Camilo Castelo Branco, em carta a António Feliciano de Castilho, depois de lido "As Pupilas do Abade" (sic) -- era tramado o sacrista do Camilo... -- notava, quem sabe se divertido se despeitado: "Aquilo é rebate de entroixar eu a minha papelada e desempecer a estrada à nova geração" (p. 130)...

Liberto Cruz, Biografia de Júlio Dinis, Lisboa, Círculo de Leitores, 2006.

27 de fevereiro de 2012

aproximava-se o 1.º Centenário de Camilo Castelo Branco

O que se tem feito com Camilo! O cadáver deste homem tem dado para alimentar legiões de medíocres, que nunca teriam nome, nem editor, nem leitores, se não se acolhessem à sombra trágica do romancista. (A Batalha, 22 de Dezembro de 1924)

Ecos da Semana -- A Arte, a Vida e a Sociedade, Lisboa, Centro de Estudos Libertários, 2004, p. 6.

(também aqui)

24 de agosto de 2011

E nós? (quando a propósito de Júlio Dinis se fala em Garrett e Herculano...)

O Jerónimo Caninguili de A Conjura anda a ler à Judite As Pupilas do Senhor Reitor, do Júlio Dinis. E nós, quando agendaremos um dos quatro romances deste grande escritor de oitocentos?
Se a memória não me falha, é o único romancista do século XIX que resiste, ao lado de Camilo e Eça. Garrett é essencialmente as Viagens (o que não é pouco, tratando-se de um livro fundador e charneira); o Herculano, pelo menos o do Eurico, requer alguma profundidade no conhecimento da Alta Idade Média peninsular, para que não seja lido pela rama, o que o afasta do leitor comum. O bom do Júlio Dinis, esse -- como muito Camilo e todo o Eça -- mantém  actualidade e interesse.

P.S. Claro que me refiro a Garret e a Herculano enquanto romancistas. Garrett persiste também no teatro (e como!) e na poesia; Herculano é apenas o maior historiador português de sempre. Para além disso, as suas figuras históricas, como soldados na guerra civil entre liberais e absolutistas e as funções públicas que desempenharam dá-lhes, também neste campo, um lugar na História de Portugal. Enfim, dois homens superiores, que foram amigos, apesar dos temperamentos completamente opostos (Garrett, um dândi guloso dos prazeres da vida; Herculano, um homem rígido e austero. Um foi feito visconde, o outro recusou o título).