JORGE
Constantemente vejo o filho amadoNa minha escuridão, onde fulgura
A estática pupila da loucura,
Sinistra luz dum cérebro queimado.
Nas rugas de seu rosto macerado
Transpira a cruciantíssima tortura
Que escurentou na pobre alma tão pura
Talento, aspirações... tudo apagado!
Meu triste filho, passas vagabundo
Por sobre um grande mar calmo, profundo,
Sem bússola, sem norte e sem farol!
Nem gosto nem paixão te altera a vida!
Eu choro sem remédio a luz perdida...
Bem mais feliz és tu, que vês o sol.
A estática pupila da loucura,
Sinistra luz dum cérebro queimado.
Nas rugas de seu rosto macerado
Transpira a cruciantíssima tortura
Que escurentou na pobre alma tão pura
Talento, aspirações... tudo apagado!
Meu triste filho, passas vagabundo
Por sobre um grande mar calmo, profundo,
Sem bússola, sem norte e sem farol!
Nem gosto nem paixão te altera a vida!
Eu choro sem remédio a luz perdida...
Bem mais feliz és tu, que vês o sol.
Camilo Castelo Branco (Lisboa, 1825 - São Miguel de Seide, Vila Nova da Famalicão, 1890), Nas Trevas (1890) / Poesia, edição de Ernesto Rodrigues, 2008.










