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16 de novembro de 2019

EPHEMERIDES

16 DE NOVEMBRO DE 1922 (97 ANOS)
JOSÉ SARAMAGO

(Prémio Nobel l998)



"Não tenham pressa; mas não percam tempo"

18 de junho de 2016

O dia da morte de Saramago


José Saramago morreu em Tías, ilha de Lanzarote,
18 de Junho de 2010

24 de novembro de 2014

notas sobre a sessão de «Nenhum Olhar»

* Um pouco fora de tempo, deixo aqui umas linhas sobre o livro do último mês: 
* Um romance sobre a vivência trágica da vida, escuro por vezes obscuro. Noto um ethos alentejano -- algo que uma das participantes na sessão da passada sexta-feira [a 1.ª de Novembro], por sinal alentejana, baixa-alentejana, diga-se, não subscreveu, embora aceitasse a possibilidade de o Alto Alentejo, em especial o distrito de Portalegre, poder ser diferente quanto à psicologia colectiva. Não sei nem , pelo sangue, tenho como o saber. [Curiosamente, já depois destas linhas escritas, estive com uma nossa confreira, também alentejana do Baixo, que sentiu essa identificação.[

*Um confrade falou num De Profundis bíblico, o que me pareceu muito feliz, não sei se também sugestionado pelos nomes bíblicos das personagens masculinas. Um outro, também com grande acerto, falou num livro sobre o caos humano, o conflito com o que não se quer ver, uma poética da sombra. Um terceiro, falou na narrativa como um longo poema, no que estou de acordo. Foi uma grande sessão!

* Trata-se do seu primeiro romance, e podemos detectar algumas influências, uma reais outras talvez sugestão minha. Quanto às reais, é inegável que o estilo de José Saramago aqui se faz muito sentir. Falou-se de António Lobo Antunes, mas eu não dei por isso. Subjectivamente, ouvi os ecos de algum José Régio, das narrativas alentejanas, e Manuel da Fonseca, alguns contos seus. Referência também a Raul Brandão: já não acompanho.

* Houve quem gostasse, e muito, e quem detestasse; quem lhe apreciasse a estética e quem achasse o texto um emaranhado de divagações e/ou lugares-comuns. Éramos vinte, e a coisa andava pela metade-metade.

14 de junho de 2012

ERGO UMA ROSA..., José Saramago

Ergo uma rosa, e tudo se ilumina
Como a lua não faz nem o sol pode:
Cobra de luz ardente e enroscada
Ou vento de cabelos que sacode.

Ergo uma rosa, e grito a quantas aves
O céu pontuam de ninhos e de cantos,
Bato no chão a ordem que decide
A união dos demos e dos santos.

Ergo uma rosa, um corpo e um destino
Contra o frio da noite que se atreve,
E da seiva da rosa e do meu sangue
Construo perenidade em vida breve.

Ergo uma rosa, e deixo, e abandono
Quanto me dói de mágoas e assombros.
Ergo uma rosa, sim, e ouço a vida
Neste cantar das aves nos meus ombros.

Um Ramo de Rosas -- Colhidas por José da Cruz Santos na Poesia Portuguesa e Estrangeira, Porto, Modo de Ler, 2010.

(lido na sessão de 1 de Junho de 2012)

31 de dezembro de 2011

para ler em silêncio

Cai a chuva, o vento desmancha as árvores desfolhadas, e dos tempos passados vem uma imagem, a de um homem alto e magro, velho, agora que está mais perto, por um carreiro alagado. Traz um cajado ao ombro, um capote enlameado e antigo, e por ele escorrem todas as águas do céu. À frente caminham os porcos, de cabeça baixa, rasando o chão com o focinho. O homem que assim se aproxima, vago entre as cordas de chuva, é o meu avô.


José Saramago, As Pequenas Memórias, Lisboa, Editorial Caminho, 2006, p. 129.
(imagem)

16 de novembro de 2011

Saramago, 89

José Saramago nasceu há 89 anos, na Azinhaga, Golegã
(caricatura de Carlín, daqui)

7 de novembro de 2011

Saramago despista-se

     Para que não haja dúvidas: sou um admirador de José Saramago, considero-o um grande escritor, um merecido Prémio Nobel. Li seis dos seus romances (Levantado do Chão, Memorial do Convento, O Ana da Morte de Ricardo Reis, Jangada de Pedra, Ensaio Sobre a Lucidez e A Viagem do Elefante), além de As Pequenas Memórias e a peça A Noite. Tenho especial interesse na História do Cerco de Lisboa, O Evangelho Segundo Jesus Cristo e Ensaio Sobre a Cegueira, e também pela peça In Nomine Dei, os três primeiros com anos de espera na minha pilha infinita.
     Começando por referir-me ao que gostei nesta leitura dum livro que não apreciei: o uso rigoroso da palavra; as digressões já não garrettianas mas já muito saramaguianas -- característica própria que nele aprecio; a ironia, o sarcasmo; piscadelas de olho maliciosas ao leitor.
     Tal como não gostei da Jangada de Pedra, um romance desiquilibrado (aliás o próprio escritor admitiu algures o seu falhanço), também este Ensaio Sobre a Lucidez não me satisfez. Saramago a certa altura perdeu a mão, despistou-se, algo que ele também reconhece, lúcido romancista, desta vez no próprio corpo do texto (p. 188).
     A história é conhecida: os eleitores de uma cidade capital, mais de 80%, decidem expressar o seu voto de forma inusitada: depositam na urna o boletim em branco. Em presença estão três força políticas: o partido da direita (no governo), o partido do meio e o partido da esquerda. Os dois primeiro representam o establishment; o último está nele (digamos: pdd=psd[+cds?]; pdm=ps; pde=pcp). A partir daqui, o autor construiu uma trama em que um movimento popular de claras tendências anarquizantes (não esquecer que anarquismo é uma palavra de sentido positivo e nobre, com um laivo de utopia  que nada tem que ver com desordem e vocábulos equivalentes, apesar de se ter generalizado a percepção contrária) afronta dessa forma o poder instituído, que se sente ameaçado e irá ripostar.
     E como riposta, nesta ficção de Saramago, um governo de um sistema demo-liberal? Com a determinação e a violência de uma junta militar chilena, em 1973, ou polaca em 1981. Os freios e contrapesos de um sistema demo-liberal é coisa que não se vislumbra: nem parlamento nem tribunal constitucional, para não falar na imprensa -- a que conta, mancomunada com os interesses do Estado; a que não conta, residual. Existe o governo e o pr, do pdd; o pdm só existe porque o narrador nos afirma que ele existia, mas não passa de uma extensão do primeiro; o pde, o terceiro partido, não está na origem desta sedição eleitoral, mas identifica-se com, e os militantes apoiam-na, que remédio. Não sei se é por ser tão absurda esta parte do romance que o autor nele se perdeu, inflectindo a narrativa numa direcção investigatória e policiária, recorrendo a personagens do Ensaio Sobre a Cegueira, cosidas à trama inicial de uma forma bastante atabalhoada.  Há, portanto, uma incongruência e uma inverosimilhança intrínsecas ao romance que são irreparáveis.
     Sem querer ser injusto, partindo do esquema ideológico do autor, de base totalitária e fundamentalmente antiliberal, a denúncia simplista de uma espécie de ditadura democrática carece de base de sustentação, é inaplicável aos velhos estados democráticos e até aos menos velhos, como o nosso. O próprio sobressalto libertário do povo da cidade fica em suspenso (o que talvez não admire, sendo o anarquismo por alguns qualificado como o mais socialista dos liberalismos ou o mais liberal dos socialismos...). É evidente que quotidianamente assistimos a inúmeros entorses à democracia, que todos os estados democráticos cometem acções que extravasam e violam grosseiramente a legalidade (lembremo-nos dos serviços secretos franceses e do barco da GreenPeace; ou do estado espanhol e os GAL...), e que o poder, regra geral, se exerce antes de tudo para ser conservado. Mas o que é inestimável numa sociedade aberta é, entre outras coisas, a livre circulação da informação; e só ela permite que as populações tomem consciência e resistam aos abusos de poder perpetrados pelos governantes. Como dizia o velho Churchill, não há pior sistema que a democracia, à excepção de todos os outros.
    No fundo, o que quer Saramago com este livro? Denunciar o sistema? Francamente, é pouco.

20 de outubro de 2011

E esta, hein?

Passava da meia-noite quando o escrutínio terminou. Os votos válidos não chegavam a vinte e cinco por cento, distribuídos pelo partido da direita, treze por cento, pelo partido do meio, nove por cento, e pelo partido da esquerda, dois e meio por cento. Pouquíssimos os votos nulos, pouquíssimas as abstenções. Todos os outros, mais de setenta por cento da totalidade, estavam em branco.
José Saramago, Ensaio sobre a Lucidez, Lisboa, Editorial Caminho, 2004, p. 26.

18 de outubro de 2011

e assim começa AS PEQUENAS MEMÓRIAS

À aldeia chamam-lhe Azinhaga, está naquele lugar por assim dizer desde os alvores da nacionalidade (já tinha foral no século décimo terceiro), mas dessa estupenda veterania nada ficou, salvo o rio que lhe passa mesmo ao lado (imagino que desde a criação do mundo), e que, até onde alcançam as minhas poucas luzes, nunca mudou de rumo, embora das suas margens tenha saído um número infinito de vezes.

José Saramago, As Pequenas Memórias, Lisboa, Editorial Caminho, 2006, p. 11.

28 de julho de 2011

epígrafe dum livro inventado

Deixa-te levar pela criança que foste
O Livro dos Conselhos
(criada por José Saramago para As Pequenas Memórias)