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29 de dezembro de 2023

POEMAS IMORTAIS - UMA SELECÇÃO POSSÍVEL. XVIII

 

BARCA BELA


Pescador da barca bela,

onde vais pescar com ela,

que é tão bela. 

ó pescador?


Não vês que a última estrela

no céu nublado se vela?

Colhe a vela,

ó pescador!


Deita o lanço com cautela,

que a sereia canta bela...

Mas cautela,

ó pescador!


Não se enrede a rede nela,

que perdido é remo e vela

só de vê-la,

ó pescador!


Pescador da barca bela,

inda é tempo, foge dela,

foge dela,

ó pescador!


ALMEIDA GARRET, Folhas Caídas

8 de fevereiro de 2023

o início de VIAGENS NA MINHA TERRA

 

«Que viaje à roda do seu quarto quem está à beira dos Alpes, de Inverno, em Turim, que é quase tão frio como Sampetersburgo -- entende-se.» Almeida Garrett, Viagens na Minha Terra 1846], Mem Martins, Publicações Europa-América, 1976, p. 9.

7 de fevereiro de 2022

POEMA ou CANÇÃO... eis a questão

 
De vez em quando, somos surpreendidos pela excelência de um trabalho dedicado, que se revela útil, apelativo, agradável. Mesmo quem não morresse de amores pela poesia acabaria cativado.

Quer experimentar? Então deixe-se prender por esta coletânea organizada pela equipa responsável pela Biblioteca Escolar da Secundária de Amares (até o nome parece fadado...). Basta um clique na imagem, escolher um dos três grupos de poemas e ouça, ouça.

Que tal?

5 de junho de 2012

ROSA SEM ESPINHOS, Almeida Garrett

Para todos tens carinhos,
A ninguém mostras rigor!
Que rosa és tu sem espinhos?
Ai, que não te entendo, flor!

Se a borboleta vaidosa
A desdém te vai beijar,
O mais que lhe fazes, rosa,
É sorrir e corar.

E quando a sonsa da abelha,
Tão modesta em seu zumbir,
Te diz: -- Ó rosa vermelha,
Bem me podes acudir:

Deixa do cálice divino
Uma gota só libar...
Deixa, é néctar peregrino,
Mel que eu não sei fabricar...

Tu de lástima rendida,
De maldita compaixão,
Tu à súplica atrevida
Sabes tu dizer que não?

Tanta lástima e carinhos,
Tanto dó, nenhum rigor!
És rosa e não tens espinhos!
Ai, que não te entendo, flor.

Almeida Garrett

in Um Ramo de Rosas -- Colhidas por José da Cruz Santos na Poesia Portuguesa e Estrangeira, Porto, Modo de Ler, 2010, p. 18.

(lido na sessão de 4 de Maio de 2012)



26 de janeiro de 2012

uma epígrafe de Almeida Garrett

Mas são flores que nascem na serra
Onde todo o seu mundo se encerra,
Porque aí tem -- o seu bem -- seus amores.

                               A Adélia, apud Bernal-Francês.




n'Os Meus Amores, de Trindade Coelho

24 de agosto de 2011

E nós? (quando a propósito de Júlio Dinis se fala em Garrett e Herculano...)

O Jerónimo Caninguili de A Conjura anda a ler à Judite As Pupilas do Senhor Reitor, do Júlio Dinis. E nós, quando agendaremos um dos quatro romances deste grande escritor de oitocentos?
Se a memória não me falha, é o único romancista do século XIX que resiste, ao lado de Camilo e Eça. Garrett é essencialmente as Viagens (o que não é pouco, tratando-se de um livro fundador e charneira); o Herculano, pelo menos o do Eurico, requer alguma profundidade no conhecimento da Alta Idade Média peninsular, para que não seja lido pela rama, o que o afasta do leitor comum. O bom do Júlio Dinis, esse -- como muito Camilo e todo o Eça -- mantém  actualidade e interesse.

P.S. Claro que me refiro a Garret e a Herculano enquanto romancistas. Garrett persiste também no teatro (e como!) e na poesia; Herculano é apenas o maior historiador português de sempre. Para além disso, as suas figuras históricas, como soldados na guerra civil entre liberais e absolutistas e as funções públicas que desempenharam dá-lhes, também neste campo, um lugar na História de Portugal. Enfim, dois homens superiores, que foram amigos, apesar dos temperamentos completamente opostos (Garrett, um dândi guloso dos prazeres da vida; Herculano, um homem rígido e austero. Um foi feito visconde, o outro recusou o título).