Cai a chuva, o vento desmancha as árvores desfolhadas, e dos tempos passados vem uma imagem, a de um homem alto e magro, velho, agora que está mais perto, por um carreiro alagado. Traz um cajado ao ombro, um capote enlameado e antigo, e por ele escorrem todas as águas do céu. À frente caminham os porcos, de cabeça baixa, rasando o chão com o focinho. O homem que assim se aproxima, vago entre as cordas de chuva, é o meu avô.
José Saramago, As Pequenas Memórias, Lisboa, Editorial Caminho, 2006, p. 129.
(imagem)
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31 de dezembro de 2011
para ler em silêncio
18 de outubro de 2011
e assim começa AS PEQUENAS MEMÓRIAS
À aldeia chamam-lhe Azinhaga, está naquele lugar por assim dizer desde os alvores da nacionalidade (já tinha foral no século décimo terceiro), mas dessa estupenda veterania nada ficou, salvo o rio que lhe passa mesmo ao lado (imagino que desde a criação do mundo), e que, até onde alcançam as minhas poucas luzes, nunca mudou de rumo, embora das suas margens tenha saído um número infinito de vezes.
José Saramago, As Pequenas Memórias, Lisboa, Editorial Caminho, 2006, p. 11.
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28 de julho de 2011
epígrafe dum livro inventado
Deixa-te levar pela criança que foste
O Livro dos Conselhos
(criada por José Saramago para As Pequenas Memórias)
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