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10 de outubro de 2024

Pedra-de-toque #1

«A água vinha de longe por uma caleira de pedra, e era sua uma toada tão leda e inquebrantável, que parecia mesmo a pulsação do silêncio.» 

Aquilino Ribeiro, A Via Sinuosa, 1918

13 de setembro de 2020

EPHEMERIDES

 13 DE SETEMBRO DE 1885 (135 ANOS)

AQUILINO RIBEIRO





"Para que não desse voltas ao estômago do senhor alferes, sempre se havia de desencantar uma pestana de bacalhau e cibo de pão. E, graças, aquilo eram terras no calcanhar do mundo, que viviam ainda na era do rei que rabiou."

(Andam Faunos Pelos Bosques)

25 de março de 2020

100 CARTAS A FERREIRA DE CASTRO - CARTA LXXVII

MARIA ARCHER


Eu, que me considero um ignorante curioso e vagamente esclarecido, venho confessar pública e humildemente que até há poucochinho (quando li a carta de Maria Archer e respectivas notas), ignorava quase tudo acerca da escritora e activista anti-fascista. Obrigado, mais uma vez, R.A., por esta tão rica manta de valiosos retalhos que é o livro 'sub judice'.
Muitas das cartas revelam amplas facetas dos seus autores. Mas a da M. Archer parece-me dever figurar em lugar de destaque. 
Que delicadeza, que sensibilidade, que distinção!
Metade da carta é para, com fina elegância e grande detalhe, explicar a FC o motivo por que não lhe pôde acenar da amurada, depois de embarcar não sei em que navio, rumo ao Brasil, aproveitando, no final, para pedir-lhe, à cautela, para representar igual explicação a Aquilino, que também terá ficado a ver navio(s). Não sei qual a posição da senhora perante o assunto religião, muito menos o que pensava sobre a Senhora de Fátima, mas tocou-me a forma respeitosa e nobre com que ela  relata o incómodo e transtorno que lhe trouxe o embarque da imagem. Não é coisa que se veja muito, nomeadamente em pessoas que não professam uma qualquer fé. Outro qualquer aproveitaria para expelir impropérios contra o pedaço de madeira que só foi perturbar o sossego de um pacato viajante...
A outra metade continua a revelar uma mulher do mundo, muito inteligente, atenta e crítica ao que se passa à sua volta (em meia dúzia de linhas traça um bom retrato do Brasil, sobretudo Rio e São Paulo, sem esquecer uma nota sobre a pouca relevância da colónia portuguesa) e sobremaneira preocupada com a forma como fintar a censura...
Um dia destes, se o covid permitir, ainda vou procurar qualquer coisa de M.A. para ler!



(Se F.C. teve um caso com M.A., teve muito bom gosto, a todos os títulos...)

FF
    

25 de junho de 2018

12+12=12 - uma lista (im)possível, válida para agora

Fazer listas é-me tão agradável quanto insatisfatório, pelo que se deixa para trás. Remorsos.


No caso dum clube de leitura em que se participou em todas as sessões, vários, muitos, foram os livros já lidos, e mesmo relidos, noutras ocasiões. Noutros tantos casos -- provavelmente a maioria --, a leitura tornou-se revelação, pelo primeiro contacto com o texto, e por vezes com o próprio autor dele.


Estas evidências, características dum clube de leitura, suscitaram-me a seguinte reflexão: neste tipo de avaliações, mesmo (ou sempre) subjectivas, os livros não estão em igualdade de circunstâncias, pois se nunca somos a mesma pessoa -- o mesmo leitor -- que agora lê o outrora já lido,  uma coisa é conhecer, outra lembrar. Daí que, fazendo batota, tenha resolvido furar o esquema, e escolher os doze livros de que mais gostei, mas que já lera noutras ocasiões; e os doze livros cuja leitura fiz pela primeira vez no âmbito do Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro. E no fim, cruciado, fazer uma síntese das duas listas numa terceira.


A este drama pungente soma-se outra dificuldade: comecei por pensar não incluir mais do que uma obra por autor, mas tal opção iria prejudicar a minha avaliação relativamente aos livros do Ferreira de Castro, meu patrono (meu patrão), que assinou três dos romances que mais gostei ler na minha vida (e ainda uma novela), não contando com a importância histórica e literária que tiveram e têm na novelística portuguesa do século XX. Deixarei, porém, de fora esses critérios, credores dum cabedal demonstrativo -- se necessário fosse para os livros em causa -- e eventualmente argumentativo,  que seria descabido neste blogue.
Chega de conversa, não sem antes rematar informando que a ordem é unicamente a da data da primeira edição de cada título, e que a lista é válida para hoje. Amanhã (ou para a semana), poderia ser diferente...


Lista 1. 12 livros já lidos noutras ocasiões:


Lista 2. 12 livros lidos pela primeira vez no Clube de Leitura:


Lista 3. a lista impossível.


Assim,


Lista 1


1- O Livro de Cesário Verde (1887)
2- Húmus (1917), de Raul Brandão
3- O Malhadinhas (1922), de Aquilino Ribeiro
4- Emigrantes (1928), de Ferreira de Castro
5- A Selva (1930), de Ferreira de Castro
6- Vinte e Quatro Horas da Vida de uma Mulher (1935), de Stefan Zweig
7- Bichos (1940), de Miguel Torga
8- A Lã e a Neve (1947), de Ferreira de Castro
9- Barranco de Cegos (1961), de Alves Redol
10- O que Diz Molero (1977), de Dinis Machado
11- Na Patagónia (1977), de Bruce Chatwin
12- As Primeiras Coisas (2013), de Bruno Vieira Amaral


Lista 2


1- Nossa Senhora de Paris (1831), de Victor Hugo
2- As Pupilas do Senhor Reitor (1867), de Júlio Dinis
3- Platero e Eu (1914), de Juan Ramón Jimenez
4- Se Isto É um Homem (1947), de Primo Levi
5- Contos Exemplares (1962), de Sophia de Mello Breyner Andresen
6- Lavoura Arcaica (1974), de Raduan Nassar
7- A Guerra não Tem Rosto de Mulher (1985), de Svetlana Alexievich
8- Gente Feliz com Lágrimas (1988), de João de Melo
9- O Deus das Pequenas Coisas (1997), de Arundhati Roy
10- Império à Deriva (2004), de Patrick Wilcken
11- A Arte de Voar (2009) de Antonio Altarriba & Kim
12- Entre o Céu e a Terra (2012), de Rui Chafes


a lista impossível


1- O Livro de Cesário Verde (Outubro de 2009)
2- Platero e Eu (Junho de 2008)
3- Húmus (Julho de 2012)
4- O Malhadinhas(Junho de 2013)
5- Emigrantes (Maio de 2008)
6- A Selva (Julho de 2009)
7 - A Lã e a Neve (Fevereiro de 2014)
8 - Se Isto É um Homem (Janeiro de 2013)
9- Barranco de Cegos (Junho de 2014)
10- O Amor nos Tempos de Cólera (1985) (Março de 2014)
11- A Guerra não tem Rosto de Mulher (Setembro de 2017)
12- Gente Feliz com Lágrimas, João de Melo (Setembro de 2015)






27 de maio de 2016

5 de junho de 2013

brônzeo

Regresso aO Malhadinhas, quase trinta anos depois, sem nunca ter deixado de frequentar o Aquilino, não tantas vezes, porém, quanto devia, ai de mim.  Porque a leitura de qualquer livro do homem da Nave traduz-se num imenso prazer, físico inclusive. Isto sim, é grande literatura, é a escrita em estado vivo, e que assim permanecerá enquanto houver língua portuguesa. Como disse há dias, em amena cavaqueira com um editor esclarecido, o Aquilino é brônzeo!...