Há sempre um esgar quando pego num livro de poesia. Quando abri este, para folhear, a careta foi mais amena, suavizada pela recordação da leitura de Cadernos do Verão que o confrade, Manuel Nunes, tinha escrito antes.
O espreitar levou-me de rajada até à página 40. Para quem repete não gostar de poesia…
Depois de ter chegado ao fim, como leitor comprometido, rumei ao princípio para uma análise crítica, tendo acabado por concluir que a larga maior parte dos poemas me diziam alguma coisa.
E porque é que apreciei? Umas vezes, por coincidência de linha de pensamento; outras, por achar graça, simplesmente; muitas vezes, as mensagens, explícitas e implícitas; ou referências a geografias também visitadas; fazer sorrir, enquanto lia; a ironia suave ou contundente; acicatar memórias.
Mais uma vez julguei que aquilo que faz bulir a imaginação e sentimento do autor é mais uma leitura sintónica, ou visitas culturais, lugares invocativos, mais raramente uma figura humana em si.
Não tenho a cultura poética abrangente da nossa confreira, Paula Silva, que afirmou encontrar-se aqui a melhor poesia contemporânea publicada, mas, se até eu gostei, é porque vale mesmo a pena a leitura.