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29 de dezembro de 2012

coisas que esquecemos

D. João foi um dos poucos monarcas europeus que reinou sem interrupção ao longo da era napoleónica -- "o único que me pregou a partida", nas palavras do próprio Napoleão, escritas no exílio em Santa Helena.

Patrick Wilcken, Império à Deriva, trad. António Costa, 9.ª ed. Porto, Civilização Editora, 2007, p. 288.

11 de dezembro de 2011

A Corte chega ao Rio de Janeiro

   Rio, 1808  (daqui)
     Os emigrados chegavam a uma sociedade intensamente ritualista --como Lisboa, mas com características africanas. Procissões religiosas, comuns no Portugal do início do século XIX, misturavam-se com outras tradições -- o trovejar dos tambores africanos do batuque, a dança afro-brasileira; a capoeira, uma provocante arte marcial praticada nas comunidades de escravos, incomodativa sem dúvida para  espectadores europeus; bem como os ritmos mais subversivos, como a queima da efígie de Judas, que acabou por ser proibida pelos colonos atemorizados. As ruas eram coloridas, mesmo carnavalescas; mas eram também brutais e ameaçadoras, divididas pelas tensões subjacentes a uma sociedade assente na escravatura. 
     Os exilados passaram as primeiras semanas em estado de choque cultural e emocional. [...]

Patrick Wilcken, Império à Deriva -- A Corte Portuguesa no Rio de Janeiro 1808-1821, tradução de António Costa, 9.ª edição, Porto, Civilização Editora, 2007, p. 111.

9 de outubro de 2011

D. João VI, um olhar distanciado

Emotivo -- chorava frequentemente durante o seu atribulado reinado --, não era um génio, mas também não era o idiota que aparece retratado na propaganda antimonárquica. Passava grande parte do dia a ler papéis oficiais e em reunião com os ministros para acabar envolvido em posições impossíveis, destinado a presidir a quase uma década de embustes diplomáticos antes de as tropas francesas por fim atravessarem as fronteiras indefesas de Portugal. Minado pela indecisão, conduziu de certa forma o país pelo labirinto político de 1807-1808, um dos mais complexos períodos na história nacional e imperial portuguesa, sobrevivendo como monarca enquanto que os seus congéneres europeus eram destronados e humilhados por Napoleão.

Patrick Wilcken, Império à Deriva, tradução de António Costa, 9ª edição, Porto, Civilização Editora, 2007, p. 77. 

24 de julho de 2011

e assim começa IMPÉRIO À DERIVA

A 25 de Setembro de 1807, uma carruagem corria pelas ruas mal empedradas de Lisboa. Depois de percorrer as colinas que rodeavam o porto, saiu para campo aberto e começou a chocalhar através de prados e pomares de citrinos. Sentado na cabina ia o nobre irlandês de vinte e sete anos Percy Clinton Sydney Smythe, sexto visconde de Strangford, o enviado da Inglaterra em Lisboa. Enquanto a carruagem se dirigia para norte, Strangford trabalhava em maços de correspondência diplomática espalhados no colo -- cartas de Jorge III, recomendações do secretário dos negócios estrangeiros britânicos, George Canning, e do seu congénere português, António de Araújo -- preparando o mais crucial encontro da sua carreira. Em percursos mais planos da estrada, tomava notas ou fazia comentários nas margens dos seus papéis e no resto do tempo ensaiava mentalmente o que planeara dizer quando estivesse cara a cara com o príncipe regente de Portugal, D. João.

Patrick Wilcken, Império à Deriva -- A Corte Portuguesa no Rio de Janeiro (1808-1821), tradução de António Costa,9.ª edição, Porto, Civilização Editora, 2007, p. 21.