Mostrar mensagens com a etiqueta Éric Vuillard. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Éric Vuillard. Mostrar todas as mensagens

25 de março de 2020

"uma pantomima diligente"

«É uma segunda-feira, a cidade agita-se por detrás do ecrã de nevoeiro. As pessoas vão para o trabalho como nos outros dias, apanham o eléctrico, o autocarro, sobem para a imperial e ficam a cismar ao frio. Mas o dia 20 de Fevereiro desse ano não foi uma data igual às outras. Contudo, a maioria passou a manhã em tarefas árduas, mergulhada nessa grande mentira decente do trabalho, com esses pequenos gestos em que se concentra uma verdade muda, decorosa, na qual toda a epopeia da nossa existência se resume a uma pantomima diligente.» Éric Vuillard, A Ordem do Dia [2017], trad. João Carlos Alvim, Lisboa, D. Quixote, 2018, pp. 11-12.
  

6 de janeiro de 2020

TOP 2019

 
As leituras preferidas de quem votou:


1. Crónica do Rei Pasmado, de Gonzalo Torrente Ballester
    Persépolis, de Marjane Satrapi - 5 votos


3. A Ordem do Dia, de Éric Vuillard
    O Instinto Supremo, de Ferreira de Castro - 4 votos


Seguem-se  A Mancha Humana, de Philip Roth, Até ao Fim, de Vergílio Ferreira e  Estrada Nacional, de Rui Lage (3 votos); Os Loucos da Rua Mazur, de João Pinto Coelho e Serões da Província, de Júlio Dinis (2); Elogio da Infertilidade, de Victória F. e O Último Cabalista de Lisboa, de Richard Zimler (1 voto).






13 de setembro de 2019

o início de A ORDEM DO DIA

O Sol é um astro frio. O seu coração, espinhos de gelo. A sua luz, sem perdão. Em Fevereiro. as árvores estão mortas, o rio tornado pedra, como se a nascente não deitasse água e o mar não conseguisse engolir mais. O tempo imobiliza-se.» Éric Vuillard, A Ordem do Dia [2017], tradução de João Carlos Alvim, Lisboa, D. Quixote, 2018, p. 11.

23 de março de 2019


MÚSICA NO CORAÇÃO


"A 15 de Março, diante do palácio imperial, a toda a largura da praça, até à grande estátua equestre de Carlos de Áustria, a multidão, a pobre multidão austríaca, enganada, maltratada, mas em última análise aquiescente, está ali para aclamar. Quando se soerguem os horríveis andrajos da História, é isso que se encontra: a hierarquia contra a igualdade e a ordem contra a liberdade. De modo que, induzida em erro por uma ideia de nação mesquinha e perigosa, sem futuro, esta imensa multidão, frustrada por uma derrota precedente, estende o braço para o ar."