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22 de julho de 2025

101 poemas portugueses - #69

 

O ÚLTIMO ADEUS DUM COMBATENTE


Naquela tarde em que eu parti e tu ficaste
sentimos, fundo, os dois a mágoa da saudade.
Por ver-te as lágrimas sangrarem de verdade
sofri na alma um amargor quando choraste.

Ao despedir-me eu trouxe a dor que tu levaste!
Nem só o teu amor me traz a felicidade.
Quando parti foi por amar a Humanidade
Sim! foi por isso que parti e tu ficaste!

Mas se pensares que eu não parti e a mim te deste
será a dor e a tristeza de perder-me
unicamente um pesadelo que tiveste.

Mas se jamais do teu amor posso esquecer-me
e se fui eu aquele a quem tu mais quiseste
que eu conserve em ti a esperança de rever-me!


Vasco Cabral (Farim, Guiné-Bissau, 1926 - Bissau, 2005) ,

in Sophia de Mello Breyner Andresen, Primeiro Livro de Poesia (1991)

21 de outubro de 2023

101 poemas portugueses - #3


Serranilha


A serra é alta, fria e nevosa:
vi venir serrana, gentil, graciosa.
Vi venir serrana gentil graciosa
cheguei-me per'ela con gran cortezia.
Cheguei-me per'ela com gran cortezia,
disse-lhe: «Senhora, quereis companhia?»
Disse-me: «Escudeiro segui vossa via.»

Gil Vicente (c. 1465 - c. 1576)
in Sophia de Mello Breyner Andresen, Primeiro Livro de Poesia (1991)