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16 de novembro de 2023

POESIA EM LÍNGUA PORTUGUESA, século XX (40)

 

NOITE

 

      Ah! que le monde est grand à la clarté des lampes!

 

Na solidão da noite releio Baudelaire

A luz mortal desfez-se há muito nas cidades

Ah como é grande o mundo à luz ideal das lâmpadas

nos mapas irreais dos desejos amargos

 

Do dia já passou o cortejo de cegos

Os seus olhos colheram da cal viva os excessos

Ninguém mais reconhece os lugares gloriosos

onde a luz imortal solta os leões do sol

 

Por detrás desses olhos numa câmara fria

como uma grande cobra a morte dorme e espera

Tem o corpo do mundo deitado entre os anéis

para os mostrar inerte à luz do dia

 

GASTÃO CRUZ, As Leis do Caos (1990)