NOITE
Ah! que le monde est grand à la clarté des lampes!
Na solidão da noite releio Baudelaire
A luz mortal desfez-se há muito nas
cidades
Ah como é grande o mundo à luz ideal das
lâmpadas
nos mapas irreais dos desejos amargos
Do dia já passou o cortejo de cegos
Os seus olhos colheram da cal viva os
excessos
Ninguém mais reconhece os lugares
gloriosos
onde a luz imortal solta os leões do sol
Por detrás desses olhos numa câmara fria
como uma grande cobra a morte dorme e
espera
Tem o corpo do mundo deitado entre os
anéis
para os mostrar inerte à luz do dia
GASTÃO CRUZ, As Leis do Caos (1990)