Mostrar mensagens com a etiqueta D. João VI. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta D. João VI. Mostrar todas as mensagens

9 de outubro de 2011

D. João VI, um olhar distanciado

Emotivo -- chorava frequentemente durante o seu atribulado reinado --, não era um génio, mas também não era o idiota que aparece retratado na propaganda antimonárquica. Passava grande parte do dia a ler papéis oficiais e em reunião com os ministros para acabar envolvido em posições impossíveis, destinado a presidir a quase uma década de embustes diplomáticos antes de as tropas francesas por fim atravessarem as fronteiras indefesas de Portugal. Minado pela indecisão, conduziu de certa forma o país pelo labirinto político de 1807-1808, um dos mais complexos períodos na história nacional e imperial portuguesa, sobrevivendo como monarca enquanto que os seus congéneres europeus eram destronados e humilhados por Napoleão.

Patrick Wilcken, Império à Deriva, tradução de António Costa, 9ª edição, Porto, Civilização Editora, 2007, p. 77. 

24 de julho de 2011

e assim começa IMPÉRIO À DERIVA

A 25 de Setembro de 1807, uma carruagem corria pelas ruas mal empedradas de Lisboa. Depois de percorrer as colinas que rodeavam o porto, saiu para campo aberto e começou a chocalhar através de prados e pomares de citrinos. Sentado na cabina ia o nobre irlandês de vinte e sete anos Percy Clinton Sydney Smythe, sexto visconde de Strangford, o enviado da Inglaterra em Lisboa. Enquanto a carruagem se dirigia para norte, Strangford trabalhava em maços de correspondência diplomática espalhados no colo -- cartas de Jorge III, recomendações do secretário dos negócios estrangeiros britânicos, George Canning, e do seu congénere português, António de Araújo -- preparando o mais crucial encontro da sua carreira. Em percursos mais planos da estrada, tomava notas ou fazia comentários nas margens dos seus papéis e no resto do tempo ensaiava mentalmente o que planeara dizer quando estivesse cara a cara com o príncipe regente de Portugal, D. João.

Patrick Wilcken, Império à Deriva -- A Corte Portuguesa no Rio de Janeiro (1808-1821), tradução de António Costa,9.ª edição, Porto, Civilização Editora, 2007, p. 21.