SONETO DE AMOR
Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma… Abre-me o
seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem
receio.
Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem,
desvairadas…
E que os meus flancos nus vibrem no
enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.
E em duas bocas uma língua…, –
unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.
Depois… – abre-me os teus olhos,
minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada…
Deixa a vida exprimir-se sem
disfarce.
--- Biografia, 1929