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9 de janeiro de 2024

JOSÉ RÉGIO: 11 OBRAS, 22 POEMAS - IV

 

SONETO DE AMOR

 

Não me peças palavras, nem baladas,

Nem expressões, nem alma… Abre-me o seio,

Deixa cair as pálpebras pesadas,

E entre os seios me apertes sem receio.

 

Na tua boca sob a minha, ao meio,

Nossas línguas se busquem, desvairadas…

E que os meus flancos nus vibrem no enleio

Das tuas pernas ágeis e delgadas.

 

E em duas bocas uma língua…, – unidos,

Nós trocaremos beijos e gemidos,

Sentindo o nosso sangue misturar-se.

 

Depois… – abre-me os teus olhos, minha amada!

Enterra-os bem nos meus; não digas nada…

Deixa a vida exprimir-se sem disfarce.

 

--- Biografia, 1929



8 de janeiro de 2024

JOSÉ RÉGIO: 11 OBRAS, 22 POEMAS - III

 

SONETO DO JOSÉ MATIAS

 

Aquela aparição, aquela espuma

Que finge ter também um corpo…, aquela

Que é por de mais subtil, por de mais bela,

Para existir aquém do sonho e a bruma,

 

Aquela em quem amei nem sei que suma

De nuvem, flor, árvore, névoa, estrela,

Aquela que a mim próprio me revela,

E me é todas as mais sem ser nenhuma,

 

Sim, tem um nome, é quase uma qualquer,

(Tem o nome de Elisa…) e foi mulher

Dum que a deixou, morrendo, ao dono actual.

 

Esses, não eu!, te gozem, corpo triste.

A Beleza que encarnas e traíste

Só desce até cá baixo ao meu portal…

 

--- Biografia, 1929