20 de julho de 2018

a vigília da razão

«Vendo-a adormecida, neutra, Cecília pareceu-lhe menos odiosa. Dir-se-ia que a sua vida era protegida pela sua própria incapacidade de defender-se.» Ferreira de Castro, A Tempestade [1940], 16.ªed., Lisboa, Cavalo de Ferro, 2017, p. 11. 

11 de julho de 2018

meu lindo Agosto

«Este é o país que nasce e morre em Agosto, ao ritmo das visitas dos emigrantes.» Ricardo J. Rodrigues, Malditos -- Histórias de Homens e de Lobos, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2014, p. 37.

3 de julho de 2018

de PRAÇA DA CANÇÃO (Manuel Alegre)

APRESENTAÇÃO


Cantar não é talvez suficiente.
Não porque não acendam de repente as noites
tuas palavras irmãs do fogo
mas só porque as palavras são
apenas chama e vento.
E contudo canção
só cantando por vezes se resiste
só cantando se pode incomodar
quem à vileza do silêncio nos obriga.

Eu venho incomodar.
Trago palavras como bofetadas
e é inútil mandarem-me calar
porque a minha canção não fica no papel.
Eu venho tocar os sinos.
Planto espadas
e transformo destinos.
Os homens ouvem-me cantar
e a pele
dos homens fica arrepiada.
E depois é madrugada
dentro dos homens onde ponho
uma espingarda e um sonho.

E é inútil mandarem-me calar.
De certo modo sou um guerrilheiro
que traz a tiracolo
uma espingarda carregada de poemas
ou se preferem sou um marinheiro
que traz o mar ao colo
e meteu um navio pela terra dentro
e pendurou depois no vento
uma canção.

Já disse: planto espadas
e transformo destinos.
E para isso basta-me tocar os sinos
que cada homem tem no coração.


25 de junho de 2018

12+12=12 - uma lista (im)possível, válida para agora

Fazer listas é-me tão agradável quanto insatisfatório, pelo que se deixa para trás. Remorsos.


No caso dum clube de leitura em que se participou em todas as sessões, vários, muitos, foram os livros já lidos, e mesmo relidos, noutras ocasiões. Noutros tantos casos -- provavelmente a maioria --, a leitura tornou-se revelação, pelo primeiro contacto com o texto, e por vezes com o próprio autor dele.


Estas evidências, características dum clube de leitura, suscitaram-me a seguinte reflexão: neste tipo de avaliações, mesmo (ou sempre) subjectivas, os livros não estão em igualdade de circunstâncias, pois se nunca somos a mesma pessoa -- o mesmo leitor -- que agora lê o outrora já lido,  uma coisa é conhecer, outra lembrar. Daí que, fazendo batota, tenha resolvido furar o esquema, e escolher os doze livros de que mais gostei, mas que já lera noutras ocasiões; e os doze livros cuja leitura fiz pela primeira vez no âmbito do Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro. E no fim, cruciado, fazer uma síntese das duas listas numa terceira.


A este drama pungente soma-se outra dificuldade: comecei por pensar não incluir mais do que uma obra por autor, mas tal opção iria prejudicar a minha avaliação relativamente aos livros do Ferreira de Castro, meu patrono (meu patrão), que assinou três dos romances que mais gostei ler na minha vida (e ainda uma novela), não contando com a importância histórica e literária que tiveram e têm na novelística portuguesa do século XX. Deixarei, porém, de fora esses critérios, credores dum cabedal demonstrativo -- se necessário fosse para os livros em causa -- e eventualmente argumentativo,  que seria descabido neste blogue.
Chega de conversa, não sem antes rematar informando que a ordem é unicamente a da data da primeira edição de cada título, e que a lista é válida para hoje. Amanhã (ou para a semana), poderia ser diferente...


Lista 1. 12 livros já lidos noutras ocasiões:


Lista 2. 12 livros lidos pela primeira vez no Clube de Leitura:


Lista 3. a lista impossível.


Assim,


Lista 1


1- O Livro de Cesário Verde (1887)
2- Húmus (1917), de Raul Brandão
3- O Malhadinhas (1922), de Aquilino Ribeiro
4- Emigrantes (1928), de Ferreira de Castro
5- A Selva (1930), de Ferreira de Castro
6- Vinte e Quatro Horas da Vida de uma Mulher (1935), de Stefan Zweig
7- Bichos (1940), de Miguel Torga
8- A Lã e a Neve (1947), de Ferreira de Castro
9- Barranco de Cegos (1961), de Alves Redol
10- O que Diz Molero (1977), de Dinis Machado
11- Na Patagónia (1977), de Bruce Chatwin
12- As Primeiras Coisas (2013), de Bruno Vieira Amaral


Lista 2


1- Nossa Senhora de Paris (1831), de Victor Hugo
2- As Pupilas do Senhor Reitor (1867), de Júlio Dinis
3- Platero e Eu (1914), de Juan Ramón Jiménez
4- Se Isto É um Homem (1947), de Primo Levi
5- Contos Exemplares (1962), de Sophia de Mello Breyner Andresen
6- Lavoura Arcaica (1974), de Raduan Nassar
7- A Guerra não Tem Rosto de Mulher (1985), de Svetlana Alexievich
8- Gente Feliz com Lágrimas (1988), de João de Melo
9- O Deus das Pequenas Coisas (1997), de Arundhati Roy
10- Império à Deriva (2004), de Patrick Wilcken
11- A Arte de Voar (2009) de Antonio Altarriba & Kim
12- Entre o Céu e a Terra (2012), de Rui Chafes


a lista impossível


1- O Livro de Cesário Verde (Outubro de 2009)
2- Platero e Eu (Junho de 2008)
3- Húmus (Julho de 2012)
4- O Malhadinhas(Junho de 2013)
5- Emigrantes (Maio de 2008)
6- A Selva (Julho de 2009)
7 - A Lã e a Neve (Fevereiro de 2014)
8 - Se Isto É um Homem (Janeiro de 2013)
9- Barranco de Cegos (Junho de 2014)
10- O Amor nos Tempos de Cólera (1985) (Março de 2014)
11- A Guerra não tem Rosto de Mulher (Setembro de 2017)
12- Gente Feliz com Lágrimas, João de Melo (Setembro de 2015)






24 de junho de 2018

Como nasce um Clube de Leitura

Que tem o cinema a ver com um Clube de Leitura?
Fui ver um filme inglês que nos conta a história de como nasceu um, durante a II Grande Guerra.
O título? (Pasmem!) "Guernsey - A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata". Assim mesmo!
Imperdível? Não ficaremos com carências intelectuais se não virmos, mas a história, por causa do tema, pode dizer-nos um bocado mais do que aos restantes mortais que não leem.
Gostei da história, principalmente pela originalidade: fica a confissão.
E fiquei ainda mais agradado, quando, na ficha técnica, descobri um Bruno Martins como eletricista principal e um Tiago Faria noutra função com designação inglesa, que me escapou.
E agora (influência dos tempos e da sociedade) vou pedir uma comissão ao distribuidor (de que não fixei o nome).

20 de junho de 2018

Juan, Zenobia, Platero e Eu

Na senda de Cristóvão Colon, rumei a Moguer. Objetivo principal? O Mosteiro de Santa Clara, ligado à história do navegador, bastante provavelmente, português.
Mas - palavra tão pequena, quão tramada - descubro que Juan Ramón Jiménez nascera ali, e havia Casa-Museu a convidar para visita. Despromovi CC para segunda prioridade, e rumámos à casa do escritor, dedicada também à sua esposa Zenobia Camprubi.
Como só o conhecia através da leitura do livro dedicado ao famoso burrico - que tem estátuas por Moguer - e associado à poesia, a curiosidade era evidente.
A arrumação da casa está perfeita, organizada por temas: Sala Prólogo, Biblioteca Pessoal, Revistas, Escritório, Salinha, Quarto, Salão, Sala Platero e Pátio. Cada uma funciona como um capítulo sobre o autor e Zenobia: um resumo geral biográfico; três mil e quinhentos livros pessoais, com ex-libris, anotações pessoalíssimas e dedicatórias; sete mil revistas organizadas por temas; obra poética; pintura; elementos fotográficos e decorativos de cunho íntimo; traduções de Rabindranath Tagore - o milagre que o fez encontrar a que seria sua esposa; referências e dados relativos ao exílio, por alergia a Franco; traduções de Platero Y Yo, em todo o mundo - referiram que só a Bíblia e D. Quixote tiveram mais; pormenores de um pátio de casa grande, onde impera estátua de Platero e a sua sela.
Foi-lhe atribuído o Nobel em 1956.
Tenho de ler mais de J. R. Jiménez para o compreender, porque fiquei com a impressão de se tratar de um homem profundamente angustiado, que viveu suportado, primeiro, na alma do pai; depois na de Zenobia Camprubi e, só depois, na dele mesmo.
Não desejo alongar-me, pelo que refiro apenas uma curiosidade: no exílio da pátria, primeiro em Nova Iorque, sentiu-se duplamente banido, também da sua língua, tendo passado mesmo a recusar-se a falar inglês, ao aperceber-se de que, dentro de si, estava a sentir empobrecer a sua capacidade linguística em castelhano, sua ferramenta de trabalho, o que o levou a encaminhar-se para Porto Rico e Cuba, para suavizar a agrura e a perda.
Acabámos a visita no dia e hora em que começava o "meu" Clube de Leitura, em Sintra.
Depois, fui pedir informações a Platero... e não é que o jerico sabia quase cinquenta línguas diferentes!

17 de junho de 2018

E se forem 10 ou 11?

Mais vale tarde que nunca, disse não sei quem, e passámos a repetir com mais ou menos convicção.
Há livros que impactam; outros que sabem bem, mas esquecem depois: este desafio tem a virtude de nos levar a esgravatar no saco do natural esquecimento - a melhor das qualidades humanas, alguém opinou - em busca do que permaneceu mais tempo connosco.
Partilho, sem ordem premeditada:
SE ISTO É UM HOMEM
A GUERRA NÃO TEM ROSTO DE MULHER
A LÃ E A NEVE
NOSSA SENHORA DE PARIS
A MISSÃO
DOM CASMURRO
ÚLTIMAS PÁGINAS
O JUDEU
NATHAN, O SÁBIO
Para finalizar, uma confissão: tenho particular admiração pela forma cuidadosa, em rigor e gosto, com que o Confrade Fernando Faria escreve, pelo que refiro ainda, porque "ficaram cá", principalmente a TERRA MÃE e O NOVIÇO.
Missão cumprida.

15 de junho de 2018

a escolha da Maria José Carvalho

A pedido da Maria José Carvalho, posto a lista, com o seu esclarecimento prévio.

"Colaboro apenas desde setembro de 2015. Eis leituras preferidas entre as listadas até fins de 2018. Não hierarquizo por se situarem em diversos planos ... e não atinjo a dúzia:

Nathan, O Sábio, G. Lessing
Lavoura Arcaica, R. Nassar
A Arte de Voar, A. Altarriba e Kim
Que Importa a Fúria do Mar, A. M. de Carvalho
Os Despojos do Dia, K. Ishiguro
O Judeu, C. Castelo Branco"

11 de junho de 2018

Top 12 no Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro

Só cheguei ao Clube em Dezembro de 2015 e portanto muitos dos livros que por lá passaram eu não os li. No entanto, aqui vai a lista (sem ordem), do que li e mais gostei.

- Emigrantes, Ferreira de Castro
- O Jogador, Dostoievski
- O Velho e o Mar, Hemingway
- O Triunfo dos Porcos, G. Orwell
- Nó Cego, Carlos V. Ferraz
- Os Cus de Judas, Lobo Antunes
- Fahrenheit 451 - Ray Bradbury
- Os Capitães da Areia, Jorge Amado
- Se Isto é Um Homem, Primo Levi
- A Missão, Ferreira de Castro
- Que Importa a Fúria do Mar, Ana M. de Carvalho
- A Arte de Voar, Altarriba e Kim

6 de junho de 2018

TOP DOZE...


Em resposta ao repto do Ricardo, nosso mentor e líder, aqui fica, por ordem decrescente, a lista dos que, para mim, foram os doze melhores livros lidos no Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro (desde Junho de 2013, data em que aderi ao grupo):

1 - SIDHARTHA (Hermann Hesse)
2 - NENHUM OLHAR (José Luís Peixoto)
3 - BARRANCO DE CEGOS (Alves Redol)
4 - LAVOURA ARCAICA (Raduan Nassar)
5 - O AMOR NOS TEMPOS DE CÓLERA (G. Garcia Marquez)
6 - DOM CASMURRO (Machada de Assis)
7 - OS DESPOJOS DO DIA (Kasuo Ishiguro)
8 - A GUERRA NÃO TEM ROSTO DE MULHER (S. Alexievich)
9 - NATHAN O SÁBIO (G. E. Lessing)
10 - AS PRIMEIRAS COISAS (Bruno V. Amaral)
11 - O MALHADINHAS (Aquilino Ribeiro)
12 - MENDEL DOS LIVROS (Stefan Zweig)

Abraços

FF

31 de maio de 2018

OS DESPOJOS DO DIA

Ainda não terminei. Mas já o podia ter feito. Prefiro saborear o último trago muito lentamente e reservar o foguetório mesmo para a sexta-feira ao final da tarde...
Na verdade, falta-me, suponho uma jornada do passeio do DIGNISSIMO (mas, decerto, não felicíssimo) MORDOMO! Tem sido tão saborosa a leitura que gostaria que, em vez de cinco, a passeata no Ford durasse dez dias!
Que bela visita guiada ao mundo da alta aristocracia britânica e aos mistérios da vida dos seus servidores! 
Até amanhã!

FF

Svetlana Alexievich, 70

(Stanislav, actual Ivano-Frankivsk, Ucrânia, 31 de Maio de 1948)

28 de maio de 2018

da fraqueza da divindade

«Tens cada ideia mais estranha! / "O seu Deus, o seu Deus, por quem ele luta!" / A quem pertence Deus? Que espécie de Deus / é esse que pertence a um homem? Que precisa / que se lute por ele?» G. H. Lessing, Nathan o Sábio [1783], trad. Yvette Centeno, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2016, p. 121.
 

21 de maio de 2018

livros que nos marcaram

Livros que nos marcaram, dentre os 112 que constituem o acervo do Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro nos últimos dez anos.
Como se calcula, muitos foram os citados, menos os escolhidos para a partilha em voz alta de passagens que duma ou doutra forma estimularam a Confraria.
Aqui fica o registo da noite de 18 de Maio:


Águas da Primavera, de Ivan Turguénev;
A Curva da Estrada, de Ferreira de Castro;

Emigrantes, de Ferreira de Castro;
A Guerra não Tem Rosto de Mulher, de Svetlana Alexievich;
Húmus, de Raul Brandão;
Marmequer, de Mia Couto;
A Morte do Palhaço e o Mistério da Árvore, de Raul Brandão;
As Pequenas Memórias, de José Saramago;
Platero e Eu, de Juan Ramón Jiménez;
Se Isto É um Homem, de Primo Levi (2 vezes);
O Senhor dos Navegantes, de Ferreira de Castro.


e ainda, as inesperadas leituras:
Pedras Falsas, de Diana de Liz;
Mas Deus É Grande, de José Régio.

17 de maio de 2018

2008-2018: Dez anos do Clube de Leitura do Museu Ferreira de Castro: géneros e países


Géneros literários
´
Romance e novela 77
Conto 9
Ensaio 4
Miscelânea 4
Historiografia 3
Poesia 3
Crónica 2
Reportagem 2
Viagens 2
Banda Desenhada 1
Diário 1
Memórias 1
Teatro 1
Testemunho 1


















Países representados






Portugal 67
Brasil 5
Estados Unidos 5
França 4
Reino Unido 4
Alemanha 3
Espanha 3
Áustria 2
Itália 2
Rússia 2
África do Sul 1
Angola 1
Austrália 1
Bielorrússia 1
Cabo Verde 1
Colômbia 1
Hungria 1
Índia 1
Líbano 1
Moçambique 1
Suécia 1
Trinidade e Tobago 1
Turquia 1




Império Áustro-Húngaro 1
Roma Antiga 1

16 de maio de 2018

viver no campo

«A vida no campo sempre teve a ver com vizinhos a maquinar uns contra os outros, desejando pestes uns aos outros, desejando colheitas pobres uns aos outros, desejando a ruína financeira uns aos outros, mas, em momento de crise, sempre prontos a ajudarem-se mutuamente.» J. M. Coetzee, Desgraça,  [1999], trad. José Remelhe, Lisboa, Biblioteca Sábado, Lisboa, 2008, p. 106.

14 de maio de 2018

Que sabemos nós disso?...

«"Fazíamos prisioneiros, trazíamo-los ao acampamento... Não eram fuzilados, seria para eles uma morte demasiado fácil, matávamo-los como porcos com varetas de espingardas, cortávamo-los em pedaços. Ia ver isso... Ansiava por isso! Esperava o momento em que os olhos lhes começassem a rebentar de dor... As pupilas...
O que é que sabe disso?! Eles queimaram a minha mãe com as minhas irmãzinhas numa fogueira no meio da aldeia..."» Svetlana Alexievich, A Guerra não Tem Rosto de Mulher (1985), trad. Galina Mitrakhovich, Lisboa, Elsinore, 2016, p. 36.


4 de maio de 2018

INGÉNUO E PARCIAL...

O senhor Pamuk, ilustre professor de Literatura na Universidade de Colúmbia (onde se terá já cruzado com outra celebridade, esta lusa), é mui versado em literatura russa, francesa, alemã,inglesa, americana, etc. mas parece que nunca cheirou um naco sequer de Camilo, Eça, Assis, Veríssimo, Couto, Antunes, Saramago, Pepetela..., em suma, desconhece por completo a literatura de língua portuguesa, á qual não faz uma única referência neste livro. Sobrou-lhe, no entanto, espaço para referir umas vinte vezes que é escritor há 35 anos. É a vida...







3 de maio de 2018

K. Maurício

«K. Maurício só era feliz quando se refugiava no sonho, só era feliz quando se calafetava por dentro, construindo à sua vontade um mundo quimérico onde era rei ou palhaço.» Raul Brandão, A Morte do Palhaço e o Mistério da Árvore [1926], Lisboa, Editorial Verbo, 1972, p. 12.

29 de abril de 2018

Uma leitura de O romancista ingénuo e Sentimental...

Foi com muito gosto que li este livro há cerca de 2 anos. Aprendi bastante e foi uma oportunidade de reflexão sobre o modo como encaro a literatura. É um livro que recomendo vivamente não só para quem se dedica ao estudo da literatura, mas também para quem se aventura na sua escrita. E mesmo a quem, sendo "apenas" leitor, a deseja compreender melhor. 
Espero que apreciem tanto como eu. Na impossibilidade de estar presente na próxima sessão, deixo-vos um pequeno texto de sintese que escrevi na sequência da sua leitura: 
Este livro não é um romance. É o registo do romance pelos olhos do romancista. A síntese que corporiza uma arte poética em sentido lato ou uma arte do romance, uma vez que esse o objeto de estudo e de exercício artístico.
O livro resulta da colação das palestras “Charles Eliot Norton” proferidas pelo autor em 2009, na Universidade de Harvard. Nele expõe a sua forma de ver e escrever o romance, contrapondo sempre uma perspectiva histórica da origem e evolução do romance, bem como dando enfase ao modo como, enquanto leitores, nos identificamos, sentimos e agimos nas nossas esferas social, política e pessoal, em função do seu impacto.
Em jeito de síntese, e explicitando o titulo da obra, o autor apresenta duas formas basilares de encarar o romance. A forma sentimental, de acordo com Schiller, na qual se encontra “um estado de espírito que se afastou da simplicidade e do poder da natureza e ficou demasiado envolvido nas suas emoções e nos seus próprios sentimentos”. E a forma ingénua, que vê o “romance oitocentista balzaquiano como um modelo natural a seguir e o aceitavam sem nunca o questionarem. (http://aprateleiramaisalta.blogspot.pt/) 
Desejo-vos uma óptima sessão! Abraço a todos!

27 de abril de 2018

o início de CAFÉ REPÚBLICA

«Até àquele dia de Junho de 1914 nunca fora pronunciado, em Vila Velha e no seu Concelho, o nome de Sarajevo.» Álvaro Guerra, Café República [1982], 3.ª ed., Lisboa, O Jornal, 1984, p.5.

23 de abril de 2018

as palavras e as ideias

«As ideias têm outra luz antes de se esconderem nas palavras. Explodem na treva antes de arrefecerem nos sinais. Mas quanta luz se ganha no manuseio, na interrogação, no vocabular das palavras.» António Borges Coelho, Donde Viemos -- História de Portugal, vol. I [2010], 2.ª ed, Lisboa, Editorial Caminho, 2015, p.  11,

19 de abril de 2018

o início de A TEMPESTADE

«Contra o seu costume, Albano viera tarde e entrara sem os cuidados tidos nas outras noites, quando queria abafar rumores; logo, porém, volvera às precauções de sempre.» Ferreira de Castro, A Tempestade [1940], 16.ª ed., Lisboa, Cavalo de Ferro, 2017, p. 11.

11 de abril de 2018

"Aqui há lobos"...

«Aqui há lobos que sobrevivem contra todas as probabilidades, que encontram caminhos para perpetuar a espécie, que caçam como não devem e são caçados como não podem.»  Ricardo J. Rodrigues, Malditos -- História de Homens e de Lobos, Lisboa, Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2014, p. 14.

5 de abril de 2018

Mário Sacramento sobre PRAÇA DA CANÇÃO

«[...] Manuel Alegre conduz o lirismo do eu ao plano de uma expressão colectiva que as experiências teorizadas do nós jamais haviam atingido.» Mário Sacramento, «Sal e trevo: um sentido fulgurante de epopeia», prefácio a Manuel Alegre, Praça da Canção [1965],  4.ª ed., Mem Martins, Publicações Europa-América, 1979, p. 19.

18 de março de 2018

Globglogabgalab



Uma animação um bocado esdrúxula, um verme simpático que adora livros, e parece ser correspondido (coisas que o meu filho vem mostrar-me...)