AS PEQUENINAS COISAS
São elas, as pequeninas coisas.
Nos portos que toquei, por música,
no estribilho agridoce em que sempre
me põem as danças, elas lá estão,
as graciosas,
mas trazendo pela mão
rosas blindadas por um azeite feroz.
Abrem-se sussurram
com lâminas fininhas
entalam-nos entre o peso dos dias.
Mas elas, as pequeninas coisas,
bem pouco se parecem com a política
ou com essa gramática que se usa agora
enquanto se espera pelo almoço.
Eu falo delas
das que roçam o que têm
por um antigo e infelicíssimo modo de
chorar.
ARMANDO DA SILVA CARVALHO, O Comércio dos Nervos (1968)